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sábado, 27 de abril de 2013

Por enquanto

 

Mudaram as estações
E nada mudou
Mas eu sei
Que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente...

Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era prá sempre
Sem saber
Que o pra sempre
Sempre acaba...

Mas nada vai
Conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí então estamos bem...

Mesmo com tantos motivos
Prá deixar tudo como está
E nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta prá casa...

Renato Russo

quarta-feira, 3 de abril de 2013

O Tempo

 

cedrp (7)


Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas,
que já tem a forma do nosso corpo,
e esquecer os nossos caminhos,
que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia:
e, se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre,
à margem de nós mesmos.

Fernando Pessoa

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Minas é assim dentro da gente

 

Viver é um descuido prosseguido.
Sigo à risca.
Me descuido e vou…
Quebro a cara.
Quebro o coração.
Tropeço em mim.
Me atolo nos cinco sentidos.
Viver não é perigoso?
Então, com sua licença!
Não tenho medo.
Nasci assim.
Descuidado.
Encantado pela vida.
'O sertão é dentro da gente'.
Ah, como não?
Aqui tudo é perdido.
Tudo é achado.
Somos ferro e fogo.
Perigo nunca falta!
Sertão é igual coração.
Se quiser, que venha armado!
Tudo é igual.
Aqui se vive.
Aqui se morre.
Dentro e fora da gente.
Confusão demais em grande demasiado sossego.

João Guimarães Rosa

terça-feira, 7 de agosto de 2012

É só uma canção, mas podia ser um tratado de casamento!!!

 

 

Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock’n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim


O Quereres – Caetano Veloso

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Immagine Originaria


“Tutti dobbiamo imparare
che la nostra autenticità
se trova nel buio del nostro essere,
non riposa nel nostro lato visibile.
E quindi pìu raggioniamo,
pìu pensiamo su di noi,
e pìu ce ne allontaniamo.
Nessuno assomiglia minimamente
a quello che crede di essere..
L’attaccamento a un’idea di se stessi fa ammalare pìu di qualsiasi altra cosa al mondo.
Il credere di sapere chi siamo e dove dobiamo andare soffocala nostra autenticità.”
Raffaele Morelli

Versão em português by me:

Todos devemos aprender que a nossa
autenticidade
se encontra no lado escuro do nosso ser,
não descansa no nosso lado visível.
Logo  mais racionalizamos,
mais pensamos sobre nós mesmo,
mais nos distanciamos.
Ninguém se assemelha minimamente
aquilo que acredita ser...
O apego a uma ideia de si mesmo faz adoecer mais do que qualquer outra coisa no mundo.
A certeza de se saber quem é e onde deve andar
sufoca nossa autenticidade.
Raffaele Morelli

quarta-feira, 4 de maio de 2011

P.S.

 

Vizinho continua insistindo em fazer barulho,
poeira, fumar e ser intragável,
isso já tem uma semana.
Já estou desejando que chova canivente!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Nossa Senhora da Bahia Preguiçosa: Daí-me paciência, mas muita mesmo!

 

Tenho poucos vizinhos, para ser clara, parede de meia, não tenho vizinhos que vivam a bordo, na mesma “rua” (entenda-se aqui Cais) tem mais dois, um no fim da rua e  outro na metade do caminho. Assim é muito bom, porque ninguém ouve ninguém nem incomanda com os barulhos  diários da rotina de cada um.
Mas os vem de vez enquando esses sim atormentam, porque chegam muito cedo, fazem rumores estridentes com suas máquinas, falam o tempo todo; tudo bem, o pior mesmo é quando resolvem compartilhar seus lamentavéis gostos musicais em alto e ensurdecedor volume.
Confesso que vivo bem com todo mundo, nem me lembro de ser muito encrenquinha (será?), mas silêncio é tudo de bom  principalmente quando se quer dormir, mesmo que seja às dez da manhã ou às três da tarde, ou ler ou trabalhar, afinal pra mim hoje também é domingo!

domingo, 17 de abril de 2011

Cheia a lua

 

A lua inteira de frente pra mim.
Seu multiplo reflexo no mar
Fico horas sentada no barco
Esperando uma brisa,
Um movimento definitivo.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Novo Rio

 


Ontem na rodovária quando voltava pra casa, me acontece algo no mínimo inusitado, estava lendo esperando a hora do bus, tinha do meu lado um rapaz com uma mala pequena e um pacote que podia ser um presente. Do outro lado dele uma senhora.
O rapaz se levanta e diz pra mim dá uma olhada nas minhas coisas que só vou ali buscar uma coisa pra beber, eu devo ter feito uma cara, porque ele imediatamente disse é rápido, e não tem uma bomba na mala, juro que não demoro.
E desapareceu, passado uns cinco minutos a mulher me olhou e disse que  tinha pegar seu ônbus, me contou uma historia confusa que não entendi direito, me distrai por um segundo e ela também desapareceu, assim como rapaz, no ar!
Olhei para todos os lados tentando reconhecê-lo, mas já não me lembrava nada da sua fisionomia, nem se quer da sua roupa a não ser uma vaga lembrança de algo bege.
O tempo foi passando cheguei a ler um capítulo inteiro, e comecei a ficar incomodada com a situação, tudo bem que bomba não é coisa pra Brasil, mas e se for algo assim ilícito que qualquer outra pessoa venha pegar, deixo pegar? e se.. Ou ainda for aquela pegadinhas ridiículas que passam domingo a tarde na TV? Nóia de quem acabou de voltar de férias do interior do inteiror do Brasil e caiu de paraquedas na rodoviária da cidade grande. Desconforto!
Aiiiaaaa estava tão tranquila e quietinha, entretida com meu livro.. comecei a não prestar a atenção nas palavras que lia, buscava um plano B, se desse a hora do meu ônibus sair.. procuro um guarda, um segurança? Vou embora  e deixo a mala ali?  Olho de novo no relógio gigante perdi a noção do tempo, tem quinze minutos ou meia hora que o cara saiu?
Tem gente que é assim tranquilo com a vida, com suas coisas, com os códigos de ética afinal tinha dado minha palavra. Deixa seus pertences com um estranho olhando para não serem roubados.. coisas e atitudes que só encontro no meu Brasil.
Acabei relaxando  e continuei lendo meu livro.
Ahh  quer sabe se o rapaz voltou?
Sim, demorou mas apareceu, sorrindo, bebendo guaravita, falando sem parar no seu telefone/rádio  e sua blusa era listrada de preto e branco e a bermuda amarelo claro, quase bege.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Com o sol na bagagem

 

Estou sempre fazendo
e desfazendo malas
Sempre no movimento
Seguindo a rota do Sol

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O discurso

 

Outro dia, naqueles dias que são perfeitos
porque não esperamos nada, nem planejamos nada
mas que no fim o acaso cuida de fazer as coisas acontecerem,
então foi num dia assim que vi O  Discurso do Rei,
depois de uma viagem agradabilissima e
um almoço maravilhoso com uma amiga,
porque essas coisas so acontecem
com pessoas que tem a mesma sintonia da gente.
Vi o  filme, que  tem a sutileza da angustia,
a cumplicidade da solidariedade, a força do carater.
Vi antes do Oscar por indicação de uma amiga,
e quer saber eu gostei muito, quase sofri com Bertie,
embora contos de fadas reais não são bem a minha praia.
Revi os dramas e os esforços de superação,
de uma pessoa que não era comum por que era um prïncipe,
mas porque superou o medo
e conheceu  a fronteira dos seus limites e a ultrapassou.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Noite a dentro

 

Daqui a pouco é amanhã
e eu ainda nem sonhei
nem adormeci
Me esqueci de  mim mesma  do lado de fora!

És tão profundamente..

 

…Vazia a casa
Raios, no entanto, desse olhar sobejo
Oblíquos cristalizam tua ausência.
Vejo-te em cada prisma, refletindo
Diagonalmente a múltipla esperança
(…)
Numa perplexidade de criança.

Conjugação do Ausente - Vinicius de Moraes.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Dia perfeito

 

Começa assim, uma noite quente te põe  pra  fora da cama cedo.
Então ponho o pé na estrada e vou de encontro à minha grande amiga .
E o dia fica assim perfeito, com horas de conversas  sem fim,
risadas, planos, sombra e mais risadas.
Horas. horas e horas a fio da mais absoluta tranquilidade e felicidade.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Sublimar

 

 

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A tirinha peguei lá no blog da Kiki

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Enquanto estiver muda

 

Se eu pudesse pensar sem palavras
Se fosse ontem o meu entardecer perfeito
Uma lasca de pensamento me retornaria à realidade
Mas agora distribuio martelos ao inferno ou
pelo menos esse é o desejo que  transpiro.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

José Saramago

 

O amor não resolve nada.
O amor é uma coisa pessoal, e
alimenta-se do respeito mútuo.
Mas isto não transcende o colectivo.
Levamos já dois mil anos
dizendo-nos isso de amar-nos uns aos outros.
E serviu de alguma coisa?
Poderíamos mudá-lo por respeitar-nos uns aos outros,
para ver se assim tem mais eficácia.
Porque o amor não é suficiente.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Aquarela

 

Depois de muitas horas de trabalho
meu barco agora está funcional.
E o calor para rimar está infernal.
Estou quase desejando o frio outonal
para não desejar sair do meu corpo,
que derrete, nesses 42 graus.

Ao autor o mérito

 
Como na internet o proprietário de palavras, imagens e tudo mais se dilui no movimento entre as pessoas, não faço idéia de quem é o texto realmente, afinal já o recebi com diversos autores,  ele reflete hoje a maturidade dos sentimentos, as conversas pela noite a dentro, a vontade que a felicidade seja para qualquer um e que o adeus não é pra sempre e nem nunca mais, ai vai:
Viver não dói...
Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade. Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso: se iludindo menos e vivendo mais! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Só por enquanto..

 

Por enquanto – Legião urbana na voz de Cassia Eller

Olha o passado de presente!