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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Casas abandonadas

 

Saint Etienne

 

 

 

 

 

 

 

É normal que a palavra abandonada  nos dê uma ideia de algo ruim ou tenha um conceito negativo,  o abandono nos dá a impressão de  desperdício, mas para mim isso nunca foi assim.
Desde pequena sempre tive fascínio por lugaressorrento italia abandonados, pela beleza como a natureza transforma um lugar depois que os humanos foram embora.
É como se a vida pudesse retomar seu curso, independente do que foi feito pelo homem, os musgos, ervas daninhas, as flores, arbustos e até árvores vão lentamente  crescendo, vivendo e tomando conta do lugar abandonado, e cobrem de beleza o que se tornou feio pelo descaso, então toda a paisagem se transforma em beleza, em mata, floresta.ruinas

 

 

E cada um desses lugares guardam sua história, suas lembranças escondidas nas paredes, muros onde a vida retoma seu lugar desordenado, numa organização que só a natureza é capaz de fazer.

 

Desde muito pequena as casas abandonadas me fascinavam pelas plantas que nasciam nas frestas, pelas flores que enfeitavam o que era feio. Encobria qualquer vestígio do passado, da vida de outras pessoas, numa força verde e contínua, num tapete alto de musgos verdes.

Estrada de ferro, na França

Quando toda vida e morte deserda do lugar,  é nessa hora que o abandono se torna memória, é quando até quem ali viveu ou construiu já não existe, mas sobrevive no verde que cresce como uma homenagem  à vida que continua.
Pois o tempo não para, nem te espera, nem envelhece; se renova a cada chuva, a cada  manhã de sol e reconta os desalentos da humanidade.

 

Klevem, na Ucrânia

terça-feira, 30 de abril de 2013

Os segredos que ficarão comigo

 

Vou começar pelo fim, você teve a indelicadeza de morrer, de morrer antes de mim, ou antes de fazermos as pazes. Para me salvar, melhor que eu te enterre vivo, vivo só para mim que não soube da sua morte a não ser um ano depois, então te enterro vivo dentro de mim todos os dias.
Revivo seus gestos, seus cheiros, suas palavras. Mas hoje será o fim do fim.
Porque o começo do fim foi há muito tempo.
Quando olhei pela janela vi um cenário, quase clichê, mas era ali que eu estava quando recebi sua última carta.
E foi assim secamente que tomei conhecimento da dor que guardei num lugar tão obscuro que enganosamente achei que era esquecimento.
Era tarde mas o sol se estendeu por um tempo que me pareceu longo como minha dor, que não era lancinante, era quase triste, melancólica e irremediável.
O céu tingiu-se de vermelho e escureceu dentro de casa, ficaram as sombras longas me fazendo companhia, o silêncio, vi seu contorno quieto, imóvel e tive que fechar os olhos,
para te ver por inteiro dentro das minhas lembranças.
Como era divertido passar as horas do seu lado, estava sempre rindo fazendo graça do cotidiano, das minhas regras.
Adorava seu primeiro olhar, aquele que descobri quando vc andava distraído e nem imaginava que te observava de perto. O sorriso tímido e bonito.
Nossos olhares se encontraram no meio de tanta gente e ficamos nesse estado de descoberta por tempo o bastante para percebermos que seria muito especial esse encontro.
Agora mesmo com o vento forte nas janelas, distraindo minha atenção, tive a lembrança do nosso beijo, um beijo desordenado e inseguro, tão cheio de emoção e desejo, meu corpo ardia, pulsava descompassadamente e suas mãos puxavam meu corpo para perto do seu.
Quantas brigas deixamos de ter, quantas pazes abrimos mão de fazer, e pior ainda, quantas coisas guardamos um do outro.
Nunca ouvi uma só história sua vindo de você, tudo o que eu sabia eram pequenas frases que colecionava de outras pessoas, de outras fotos.
A noite que nos amamos achei que iria enlouquecer de prazer, achei que seria insano estar viva no dia seguinte, mas algo aconteceu assim que o sol surgiu, e desapareceu tudo o que existiu na noite anterior.
Não éramos mais que estranhos, mas continuávamos ligados pelos corpos suados e exaustos,
hoje não posso mais guardar nenhum segredo, não entre nós dois.
Porque não sobreviverei a mais essa noite, fico me repetindo sua última frase: – Amanhã será um novo dia para nós, mas nem isso é mais uma verdade, só acabou.
Estou tão longe que não vou me despedir, nem participar dos ritos dessa dor, essa ausência será minha para sempre. Você sempre me perguntava: – Se um de nós morrer para que existiram nossos segredos?
Então você não morreu e nem eu muito menos. Sobrevivemos à nossa grande paixão.
Confesso que me lembro de muito pouco do que falamos antes ou durante a última vez que nos vimos, talvez alguns detalhes, moramos longe, fizemos escolhas contrárias, na verdade nunca escolhemos a nós mesmos.
Foi só uma frase sua e um olhar desviado, que me dilacerou a alma e matou minha paz, e eu parti da definitivamente da sua vida e da nossa paixão, eu desisti de amar.
Ao te perder de vez que descobri que ainda te queria, embora houvesse tantos desvãos entre nós. Não soubemos o que era amar na rotina. A vida me buscava nos delírios e você se recolhia ainda mais nas sombras do seu trabalho.
Sua maldita carta em minhas mãos, suas últimas palavras que ficaram sem resposta. Passo os dedos no meu nome escrito, na sua letra conhecida e desejo rasgar em mil pedaços, esconder de mim mesma, desejo só esquecer, para me libertar do amor que insisto em manter no coração.
Nem a luz, sem uma prece, nem a paz! Eu quero um pouco menos desse nada que herdei.
Sei que vou odiar depois de tudo, depois de ler cada palavra, odiarei a mim mesma por ter lido, e a você por não me permitir te dizer nada.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Nosso Amor de ontem

 

Alô, Anna?
Podiam se passar mais 20 anos e eu não esqueceria aquela voz, aquele sotaque. Foram três anos somente, mas fez meu coração disparar - num tempo em que não havia email ou redes social, internet então ninguém usava ainda.
Nesses três longos anos, houve dois recados na secretária eletrônica, e três ou quatro interurbanos rápidos.
Anna sou eu Lucca, preciso te ver, estou bem perto do seu escritório, posso subir?
De novo meu coração aos pulos, de novo adrenalina, e respiração ofegante, em segundos revivi cada detalhes daqueles dias, enquanto você tocava a campainha.
Eu estava sozinha, era hora de almoço, de pé quebrado e muletas fui abrir a porta. Nesse momento as recordações são confusas, mas nos abraçamos e nos sentamos no mesmo sofá, você segurou minhas mãos, seus olhos brilhavam e sorriam. Falamos de superficialidades, das coisas que aconteceram com nossas vidas distantes, os casamentos e filhos.
Pedi para você ir embora, implorei ao meu coração que não saísse de dentro do meu peito ainda, não agora, nosso tempo passou.
Deixei um bilhete na minha mesa e pedi um taxi por telefone, e sem saber para onde ou mesmo porque segui para o Café Beaga, e na varanda ao entardecer deixei que todos os momentos que vivemos juntos tomassem vida, só por agora, só por hoje voltei no tempo.
Meu dia não prometia nada demais, só pensava em dançar a noite toda, com Beth e Joana. Andava cansada da rotina, do escritório, mas era quarta-feira e as férias só no próximo ano ainda.
Embora fosse primavera o fim de tarde era agradável, me lembro de ter passado em casa depois do trabalho, e colocado um vestido.
Caminhei até o restaurante da Lucinha para jantar, as meninas já tinham chegado, rimos e nos distraímos por umas duas horas, Betinha inventou de jogarmos palitinho para ver quem pagava a conta. Na mesa ao lado dois caras riam das nossas brincadeiras, trocávamos olhares e cumplicidades.
Joana nem pensou duas vezes, puxou conversa e de repente estávamos todos jogando e rindo. Somente Luca não parecia muito à vontade.
Era hora de irmos dançar, a última rodada do jogo, para ver quem ia ganhar ou perder, eu ganhei e sai da brincadeira de primeira, os outros continuaram mas quando Lucca perdeu, seu olhar encontrou com o meu e eu fiquei sem palavras. Levantei da mesa e na volta do banheiro paguei a conta.
Quando chamaram o garçom e ele avisou que a conta estava paga, Lucca me encarou sem nem piscar e disse que não era certo. - Certo meu caro é quando faço o que eu quero respondi.
Nos levantamos e fomos dançar no Matita Perê. Cláudio e Betinha seguiram no carro de Joana e eu fui com Lucca para ensinar o caminho. Cariocas de passagem pelas Gerais.
Hoje tento me lembrar da música que tocava, mas a única lembrança é que era alta, quase não se podia conversar, dancei só um pouco, decidi ir embora, avisei Joana com um sinal e sai para a rua. Pensei em voltar caminhando embora já passasse da meia-noite e antes mesmo de me afastar dois metros, Lucca me alcançou e me ofereceu uma carona.
Pra falar a verdade eu queria mais que isso. Ouvimos música no carro, estava tocando Yanni, era 1995. Abri a garagem e entramos, com a porta aberta dançamos juntinhos.
O que vivemos depois daquela dança nos quatro dias, quatro noites que se seguiram foi intenso, revelador, desvairado e único, conversávamos, caminhávamos de mãos dadas, riamos, nos entregávamos ao amor insano que nos consumiria em cinzas.
Dentro de algumas horas não nos veríamos mais, e não pude deixar de contar os minutos, desperdiçando esses últimos momentos com pensamentos de despedida. Tanta coisa que faltou te dizer, as promessas que calamos, odeio a razão que me joga na água fria, ser feliz tinha um preço pagável, mas não corri riscos por amor.
E se eu soubesse, teríamos dançado a nossa música ainda uma vez mais.
Mas o nosso destino não se cumpriu!
Abro hoje sua carta, suas últimas palavras, dessa vez não vou deixar para depois, alegria, a saudades, a dor ou tristeza. E se for preciso vou chorar, sorrir e te amar outra vez.

Anna, Meu amor
Se eu pudesse mudar algo na minha vida teria sido o momento que fiquei sentado naquela mesa sem coragem para correr até você e te pedir pra ficar comigo, ou que desistiria de tudo para dar uma chance ao amor.
Estou deitado nessa cama há semanas, me disseram que é grave, tenho poucos momentos de lucidez, vivo num estado de torpor e delírios, as vezes acho que são sonhos somente.
Quanto me arrependo do amor que pelo qual eu não lutei.
Nem vou perder tempo tentando explicar ou me desculpando, sinto que será difícil demais e que dessa vez não tenho forças para seguir adiante.
Ultimamente só me lembro dos dias que passamos juntos, a cada dia que eu acordo agradeço por ter mais um dia revivendo o amor que tive.
Meu amor, amor, amor, seu perfume entrou pela janela agora, e eu deixo você entrar com o sol quente da manhã. Querida não existe aquele deus que te falei, não existe nada a não ser o que vivemos.
O meu tempo acabou, e não suporto mais nenhuma cirurgia, sinto esgotar minhas forças. Sei que não posso te chamar para estar ao meu lado, é tarde demais!
A promessa que você me fez de segurar minha mão e andarmos pela praça, e de envelhecermos juntos; não posso ajuda-la cumprir.
Mas hoje vou dizer o que mais me arrependo de não ter lhe dito, para me perdoar, no dia que foi a última vez que senti seu perfume e ouvi sua voz:
Sim, eu vou! Vou com você para todos os lugares ou para lugar nenhum, não importa, quero me casar com você, com sua alma e viver nosso sonho. Quero que você se case com meu coração e minha alma.
Quero te beijar sob as estrelas que você me descreveu nas noites escuras nos mares desertos.
Mas não me espere mais, guarde meu amor que é a única coisa que posso te dar.
O beijo que te deixo que será sempre seu

Lucca
PS: Adeus , e eu te amo seja lá onde estivermos.

Luca faleceu na terceira cirurgia, depois do acidente, na porta do restaurante, quando saiu correndo na direção oposta que tomei . Eu só vim saber da sua morte um ano depois, quando sua carta chegou em minhas mãos.
Não existem mágoas ou arrependimentos, vivemos o que escolhemos viver. Guardo pra mim a mais linda história de amor que tive a sorte de viver.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

La carta cerrada

 

Tinha acabado de chegar em casa, de viagem, cansada e feliz.
Um amigo que não via há muito tempo, tanto tempo que nem me lembro quando, me chamou, como se fossemos vizinhos, como se fosse ontem que nos vimos atravessando a rua.
Abraços, conversas, e assim de repente ele me conta
que sobre a declaração do amor do nosso amigo em comum.
Veja bem, foi declarado para ele, não a mim, a interessada, como um segredo.
Achei exagero, fiz que não prestei atenção e continuamos outros assuntos, mas antes de nos despedir, como para saldar uma dívida antiga com o nosso amigo em comum, ele me entrega a tal carta.
E me avisa, com lágrimas nos olhos, que ele morreu.
Como, onde, quando, quis perguntar mas, tinha um nó na garganta, me faltou a voz.
- Faz um ano e pouco, logo depois que você esteve lá, num acidente.
Fiquei dois dias com a carta encaixada no espelho, olhando sem tocar.
Agora estou aqui com um envelope nas mãos, sem abrir.
Agora que a morte te alcançou saberei ler seu amor?
Agora que é tarde demais para saber?
E quando o amor acontece numa antiga carta de amor?
Uma carta escrita com sua letra reconhecida.
Te fazendo reviver nas minhas lembranças.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

A árvore

 

Estava esperando meu pai me buscar na escola, eu tinha 14 anos e 8 meses e muitos dias – nesse ano de 78, vivia andando pelos corredores da escola somente para poder ver o objeto da minha paixão adolescente, mesmo que num relance - ele saindo da sala ou indo ao bebedouro, ou ao banheiro, não importava, cada movimento seu era flagrado pelo meu olhar apaixonado.
Então nesse dia que virou história, no fim do último horário, fui para o ponto de encontro, esperar a carona.
Encosto na árvore, me despeço da minha melhor amiga.
Supiro sonhando em vê-lo mais uma última vez hoje.
De repente fico sem ar, perco o chão e as palavras, fico muda de surpresa, ele – meu primeiro amor – está na minha frente, à dez centimetros do meu rosto, apoia sua mão esquerda no tronco, bem perto dos meus cabelos, tocando-os displicentemente. Queria suspirar, mas só consegui suspender a respiração.
Se ele falou alguma coisa eu não ouvi, sua boca se movia muito perto, os sons das suas palavras se enroscaram com meus frenéticos pensamentos.
Lembro nitidamente do seus lábios tocando os meus, do sabor do beijo roubado, depois da sua língua delicada desvendando o céu, as estrelas, os segredos da minha boca. Nas minhas costas a árvore, cumplice, me empurando para o abraço dele – verde -  verde eram seus olhos, seu agasalho, a árvore, minha blusa, e toda essa doce ilusão.
Só de lembrar meu coração volta à mesma taquicardia daquele dia e sinto os aromas no ar.
Essa história não termina aqui, só situa o fato ocorrido vinte anos mais tarde.
Por coincidências do destino, ou não. Fui a morar do outro lado da rua, onde está a árvore do primeiro beijo.
Durante anos passei por ali centenas de vezes sem me lembrar da sua importância para minha história.
Mas em algumas poucas vezes, quando esperava o sinal fechar para atravessar a rua e ir para casa, tocava de leve e delicadamente o tronco, como um carinho, um agradecimento antigo à testemunha da minha felicidade.
Um dia de fim de primavera, sem chuva, ouvi um barulho de serra elétrica, por curiosidade sai para ver o que era - levei um susto - e num impulso corri para a árvore e me abracei com ela, minha amiga e cúmplice.
Estavam cortando árvores doentes ou com alguma praga. Esbravejei, briguei, liguei para o Ibama, os jornais, prefeitura, TV.
Minha árvore do beijo não podia ser cortada.
Não apareceu muita gente, pra falar a verdade só um amigo jornalista que contei minha ligação afetiva com a árvore e um fiscal do Ibama, que para minha sorte e da árvore, descobriu que não tinham autorização para o corte da mesma.
A operação foi suspensa e eu me comprometi a eliminar a praga da árvore e cuidar dela até que ficasse saudável de novo. E foi o que aconteceu por 4 anos.
Mudei de cidade, de estado, mais de dez anos se passaram e outro dia estive mesma esquina e ela estava lá, alta, forte, grande, sobreviveu ao crescimento desordenado da cidade, à mudanças de trânsito, ao caos da poluição - ela, a minha árvore do primeiro beijo, ainda está lá como a testemunha viva e eterna do meu primeiro beijo roubado.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Vida de princesa

 

A princesa que virou onça

Era uma vez, há muito e muito tempo, num reino distante
blá, blá, blá, blá…
Nessa história existia uma princesa e também um príncipe, e um final novo, com um toque de tia feminista:
- Então eles se apaixonaram.
A princesa aproveitou sua liberdade e foi estudar, fazer faculdade, mestrado, aprendeu outros idiomas, depois arrumou um super emprego, comprou um carro e uma bicileta, viajou pelo céu, o mar e a terra, se divertiu com as amigas, dançou e festejou a vida.
E o  príncipe?  Bom o príncipe ficou cuidando do povo do seu reino e das suas obrigações ‘reais’ do palácio.
E ainda assim foram felizes.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Gargalhadas proibidas

 

Às vezes esperar é um suplício,
outras é melhor esquecer.
Mas se quer saber..
tudo pode mudar
assim num instante,
sem aviso prévio.
O que resta é sorrir,
Pois se não é trágico, é cômico!

domingo, 22 de julho de 2012

Os segredos que compartilhamos

 

 

Casa do Ze  no meio da reforma

É verdade que  passamos a vida nos despedindo de pessoas  queridas, e que também não nos acostumamos com isso nunca.
Viver não será morrer um pouco a cada dia, mas esquecer que esse é o destino de todos nós.
Tínhamos sonhado com uma viagem ao Japão, outro salto paraquedas e lógico mais um monte de pequenas vontades.
Nos vimos no dia do seu aniversário esse ano, e havia um sorriso nos seus lábios  quando nos vimos,  conversamos, rimos.
Quando te conheci  foi amizade a primeira vista, a cumplicidade e o carinho que vc nos acolheu conquistou nossas almas e corações, como era fácil ajudar e ser ajudado por vc.
Com o tempo e o convívio fomos estreitando nossa amizade, conversas por horas a fio, de tudo e de nada, mas principalmente de lembranças suas, quando vc se deixava levar pelos caminhos da saudades e me presenteava com suas histórias complicadas, as vezes divertidas e até confusas. Estávamos sempre às voltas com uma comidinha especial, uma receita nova, ou um vinho para acompanhar essas horas de conversas sem fim.
E lógico das viagens decididas assim de última hora para Mauá, Paraty e São Sebastião.
Compartilhamos  bons momentos de amizade verdadeira.
Vou sentir falta da nossa troca de correspondência, dos fins de tarde, da conversa fiada, dos jantares, das viagens  como a de Mauá que foi super legal, até o carro quebrado e termos que dormir em Resende, a pizza fria de noite, a volta pra Angra de ônibus e da sua amizade bondosa.
Da última vez que nos vimos havia um sorriso no seu olhar, e falamos de tudo ao mesmo tempo, rimos e vc reclamou como sempre dos pequenos detalhes do cotidiano, era só vc sendo vc mesmo. Depois de algumas horas, com o coração explodindo de saudades adiantadas, nos despedimos pela última vez, vc me abraçou forte, como se vc ainda fosse forte com seus  poucos quilos que te mantinham em pé, chegou perto do meu ouvido e me disse adeus. Nos olhamos e soubemos naquele momento que seria para sempre aquele adeus.
Ainda na porta vc me deu conselhos sobre minhas viagens e trabalho, eu acenei de volta agradecendo e  quando a porta do elevador fechou, meus olhos e meu coração choraram silenciosamente.
Agora de muito longe me despeço de vc novamente com lágrimas e um aperto no coração.
Que saudades da nossa amizade única.
Zé hoje, pensando em vc fiz seu risoto predileto, bom apetite!

Nossos banquetes!! João, Chris, Beto e Zé na casa de Ivan e Egle

Viagem a S. Sebastião na casa da Agis

Viagem à V. de Mauá, Chris, Zé, Doris e Zurawel

 

PAsseio em PAraty, com Mara, Hélio, Josi, Chris e Zé

bracuhy (2)

 

Poker se divertindo no bracuhy com o Ze

sábado, 7 de janeiro de 2012

O Dragão e o Cobertor

 

           
                 Numa antiga lenda chinesa, Buda convidou todos os animais da criação para uma festa de Ano Novo, prometendo um presente a cada um dos animais. Apenas doze animais apareceram para a festa e cada um deles ganhou um ano de acordo com a ordem de chegada.
                 Em 2012 o Ano Novo chinês começara a 23 de janeiro. que varia a cada ano por que depende das fases da lua, que é a segunda lua nova do solstício e seu término será no dia 09 de fevereiro de 2013.
                 Esse ano será regido pelo Dragão do elemento água, que é muito propício, segundo as tradições orientais, a grandes feitos,  audazes  negócios, casamentos, ter filhos, acontecimentos que ficarão na história, uniões apaixonantes, um ano especial muito lindo Dragãoaguardado por todos.
                 O Dragão é o único bicho do horóscopo chinês que não existe de verdade, ele é feito de partes de um peixe, tigre, águia e cobra.
                 É um signo poderoso que representa a vitalidade, o entusiasmo, o orgulho, a extravagância e os ideais elevados. Sua imagem, apesar de ameaçadora, não está relacionada ao mal. Ao contrário, o dragão é considerado símbolo de proteção, poder, sabedoria e riqueza, porque o dragão benevolente traz a boa fortuna e a felicidade.
                 Mas devemos olhar com cuidado para os quatro ventos, pois no ano do Dragão, as fortunas assim como os desastres virão em ondas maciças. Este é um ano marcado por muitas surpresas e atos violentos da natureza. A atmosfera elétrica criada pelo poderoso dragão irá afetar  a tudo e a todos.
                 O espírito indomável do Dragão tornará tudo maior. Mas esteja atento, porque poderoso Dragão não é muito prudente.
                 O ano do Dragão de Água traz a todos uma dose de energia extra que possibilita as grandes realizações de sonhos e projetos e favorece as mudanças, o movimento, as viagens e a liderança
                 Com toda essa energia favorável, aproveite para comemorar seu segundo ano novo, de vermelho que é a cor do Dragão, e mãos à obra porque esse ano promete!!

 

uma ideis de tattooSobre o cobertor, o que eu tinha a  dizer é que vai ser muito útil no ano seguinte, depois que o Dragão passar.


Ahhh ia me esquecendo de contar:
– Nasci sob a proteção do signo do Dragão!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Existe

 

 

venezia (158)

Amor à primeira vista..
Claro, foi assim comigo,
quando cheguei em Venezia.
Há anos tento achar meu lugar no mundo
Existem vários paraísos que adoraria morar por um tempo
Mas  Venezia, quero morar já, sempre.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

In bocca al lupo



2011-09-16 13.14.28

A porta enfrente é da prefeitura de Lucca, onde realizam os casamentos, a porta aberta é de um lindo jardim  público.
O curioso é que havia uma velhinha (de verdade) numa bicicleta que parou aqui e começou a raspar seu bilhete da loteria, desejei boa sorte e ela me respondeu:
Venho aqui porque é um lugar que porta fortuna, as pessoas apaixonadas se casam aqui é isso traz sorte.
Sorrindo me disse que não ganhou nada, e saiu pedalando..

sábado, 23 de julho de 2011

Procura-se Amigos de infância

 

 

 Da espquerda pra direita: Christina, Ralf, Carla, Junior, Humberto, Loraine, Chritian


Que brincaram no mar de bunda-lele,
de andar na linha do trem escondido dos pais,
de brincar de guerra de travesseiros a noite,
de chutar macumba de manhã na areia da praia,
de esconde-esconde,
de caçar ouro de cavalo para as plantas,
de ir pegar rã de noite no brejo,
de  caminhadas quilométricas
de brigas e choros, de risadas e histórias.
Para dizer que foi divertido!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Carta para Minha Mulher

 

Quero morrer antes de você.
Você acha que aquele que vai depois
encontra o que foi primeiro?
Eu acho que não.
O melhor seria me cremar
e me colocar num vaso
sobre o aparador de sua lareira.
E garanta que o vaso
seja cristalino,
assim você pode me ver lá dentro…
pode ver meu sacrifício:
desisti de ser terra,
desisti de ser uma flor,
para ficar somente junto a você.
E eu me tornei pó
para viver contigo.
Assim, quando você morrer,
você pode entrar aqui no meu vaso
e então viveremos juntos,
suas cinzas com as minhas,
até que uma noiva tonta
ou um neto rebelde
nos jogue fora…
Mas
a essa altura
já estaremos
de tal forma
misturados
que mesmo vertidos nossos átomos
cairão lado a lado.
Mergulharemos na terra juntos.
E se um dia uma flor selvagem
encontrar água e brotar desse pedaço de terra,
sua haste terá
por certo dois botões:
um será você,
o outro, eu.

Não é que eu
esteja para morrer.
Quero criar ainda outro filho.
Estou cheio de vida.
Meu sangue é quente.
Viverei ainda muito, muito tempo -
ao teu lado.
A morte não me mete medo,
apenas não consigo sentir especial atração pelos preparativos
de nosso funeral.
Mas tudo isso pode mudar
antes que eu esteja morto.
Alguma chance de que você saia logo da prisão?
Algo dentro de mim me diz:
talvez.

Nazim Hikmet

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sexta-feira 13

 

Hoje foi dia de preparar a vassoura para voos rasantes..
Mandinga, feitiço ou praga, com tanta poesia deve funcionar.

*O ensinamento é de @anitadutra que vive, também no
Posta Restante*

 

Rede de cipó
lata de sardinha
porta de alçapão
ova de tainha
bolha de sabão
sopa de letrinha
bucha de balão
papo de cozinha.

Medo de ladrão
noite de arrepio
boca de fogão
casco de navio
pipa de papel
bem-te-vi no cio
corda de relógio
bomba de pavio.

Sunga de lagarto
dente de galinha
sovaco de cobra
pena de rolinha
asa de tatu
jura de Maria
grito de menino
rabo de cotia.


Anita Dutra

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Dias assim

 

Nem precisa se preocupar
Nem vou te buscar
As horas passam e eu aqui
de pijama  ouvindo a chuva no convéns

Dani, Gabi e Tico

 

 

 

Receita para férias

 
Modo de preparar:

Junte três  pré adolescente e adolescentes num barco de 22 pés e sem TV, num calor de 35 graus, mar, praia, muita comida (porque a fome nessa idade é absoluta), kilos de sorvetes, litros de águas, sucos e refris, centenas de pãezinhos, queijos e outras delícias, bolos, biscoitos, frutas, baralho, jogos, máquina fotográfica, muita risada, histórias mirabolantes inventadas, reais e misturadas, internet, adivinhações, gargalhadas, muitas caminhadas, velejadas, bicicleta,  pastéis, mais sorvetes, banho de chuva e de mar, almoços deliciosos, festas, sorrisos, conversas sérias, música, passeios pela mata, nos rios, nas cidades históricas, amigos, papo furado, risos, sonhos, sapos.
Misture tudo em doses generosas e deixe fazer muito volume. Os dias passarão num minuto, e a saudade que vai ficar no lugar será inesquecível.
Então sobrinhos o convite está de pé quem tem coragem??

sábado, 30 de abril de 2011

Decompositora

 

Hoje é um dia de música. Desde pequena fui influenciada pela música que ouvíamos em casa, geralmente clássica.
Ouvindo Águas de março, me lembrei que foi a segunda música que tenho lembrança de saber cantar decor aos 4 ou 5 anos de idade, a primeira foi Carinhoso, mas que eu inventava os versos em idiomas também inexistente.
Depois foi me lembro ainda primeiro LP, era dos Secos e molhados.
Ai veio o Chico, o  Buarque de Holanda, um LP de capa em detalhes verde, como seus olhos mais verdes ainda. Foi uma paixão que durou anos.
Muito tempo e outra cidade depois vieram os mineiros, eram muitos e  muito bons, Elis e bossa nova que já não era tão nova conheci na mesma época; mais meia década vieram as bandas roqueiras de Brasília.
Ai meu gosto foi tendo tendências diferentes da moda. Agora ouço música do mundo todo, de estilos diferentes.
Mas confesso que ainda não tolero funk, punk, pagode de quinta categoria e nem sertanojo.
Tentei eleger a minha música predileta, aquela.. a que me transporta para outro mundo, não  consegui achar uma única, porque na minha vida a música nasceu para dançar, para viajar, para trilha sonora, para sonhar, para recordar e acompanhar.
Ontem estava ouvindo Oblivion-  A. Piazzolla, agora to escutando Lanterna dos Afogados. Mas sei qual será minha última música, é a sinfonia de número 6 De Tchaikovsky.
A um outro detalhe nada muito alto porque mesmo ouvindo boa música gosta também de escutar meus pensamentos. E o melhor disso tudo é cantar inventando as frases de acordo com a memória ou a conveniência!!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Dia de índio

 

Dizem que a vida começa aos quarenta. Acredito mais que é a metade da estrada, daí por diante é morro a baixo. Cheguei até pensar em começar a contar de forma ao reverso. hoje eu estaria com uns trinta e quatro indo para os trinta e três.
Se me incomoda envelhecer, bom na maior parte do tempo nem me lembro, em alguns momentos até me irrrita, principalmente quando sinto a limitação que a idade, os calores e outras coisinhas mais.
Mas de resto adoro festa e comemorações de aniversário.
Tempo, os dias, meses tudo segue e não pará nunca. Faço o que gosto como trabalho na maior parte dos meus dias, nos outros viajo, navego ou tomo banho de mar.
A vida hoje está muito parecida como foi em 2005 /06, poucas diferenças.. me lembro particularmente desses anos porque me aconteceram surpresas que adorei, como um dia de dezembro quando volto para o barco e encontro um presente de Natal, sem bilhete.
Depois na Páscoa ganhei um ovo do coelhinho  que deixou no meu barco, e que encontrei meio derretido quando voltei do charter.
Por duas vezes ganhei presente de niver, que encontrei quando cheguei a bordo. Foram fatos isolados de pessoas amigas diferentes.
Já trabalhei várias vezes no meu niver, sempre com algum tipo de comemoração. Esse ano tem páscoa, niver e trabalho tudo junto no mesmo dia. Podia vir acompanhado surpresas também.
É querer muito..

sábado, 9 de abril de 2011

As velas do Maranhão

 



Navego pelo mar
   Atravesso as marés
               Levo nas velas as distâncias
    E no vento o sabor

segunda-feira, 21 de março de 2011

Pensando bem

 

Tentei não pensar
Tentei não lembrar
Tentei por fim,
não esquecer
Mas tem um céu azul do lado de fora
Tem a música nos meus ouvidos
Tem nossa história diante dos meus olhos.