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terça-feira, 29 de maio de 2012

A cidade se cobre num tapete vermelho

 

 

colonia (12)

 

Chegamos nessa cidade numa manhã de outono, bem cedo. Quando o ônibus entrou na rodoviária, já havíamos decidido passar algumas horas por ali e depois seguir viagem. Deixamos as mochilas no guarda-volumes, compramos a passagem para ir a São Carmelo para o fim do dia. Colônia Del Sacramento seria somente uma visita de passagem, por recomendação de um amigo.
Mas que nada, alguns passos e a cidade te espera coberta por um tapete acobreado, todos os tons das folhas de outono cobrindo as ruas, não precisamos mais do que cinco minutos para decidir ficar mais um dia.
Achamos um albergue, fomos almoçar e, na hora da siesta, pegamos as mochilas e trocamos a passagem para o dia seguinte. E fomos caminhar pelas ruas estreitas, de pedras, entre as casas antigas de paredes com ângulos estranhos, as ruas de nomes em português, tudo singular e muito bem preservado. Nas ruas, carros antigos estacionados como esculturas ao ar livre completam o charme do lugar, alguns ainda circulam pela cidade, fazendo você entrar numa viagem no tempo para o início do século passado.
Depois da primeira praça coberta de folhas vermelhas e alaranjadas, como num filme, avisto o Farol Del Sacramento, que fica dentro da cidade, onde você pode agendar uma visita se quiser. Foi nesse momento que descobri que essa cidade entraria na minha lista de lugares especiais para morar, aqueles projetos que são mais que sonhos futuros, são desejos num cantinho do coração.
Ela está às margens do Rio da Prata, é um lugar abrigado para embarcações, e se surgir o desejo de ir até lá velejando, a marina tem bons preços para aqueles que se aventuram a chegar de barco.
Colônia Del Sacramento foi a única cidade de origem portuguesa fundada, em 1680, no Uruguai, disputada durante séculos pelas coroas de Portugal e Espanha. A cidade conserva ainda na sua arquitetura as características lusitanas da colonização, e boa parte das fortificações são originais da época do português Manuel Lobo, fundador da cidade. E em 1995 ela foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.
As principais atrações estão no Bairro Histórico: a Porta da Cidadela, onde se pode avistar toda extensão do Rio da Prata, cujas águas, embora escuras, tornam a paisagem muito bonita, principalmente ao entardecer.
A Rua dos Suspiros, que, segundo a lenda local, leva esse nome porque havia ali um prostíbulo de onde se podiam escutar os suspiros das moças que ali trabalhavam.
Tem ainda o Beco da Saudade, a Igreja Matriz e o Convento de São Francisco, a Casa do Vice-Rei, além, é claro, de todas as praças e bancos para se sentar e ficar observando o movimento das pessoas e carros antigos, do vento nas folhas das árvores. Há também muitas lojas de artesanato local, obras de artes, charmosos cafés com mesinhas nas calçadas.
Um pouco mais longe do centro histórico, está a Praça dos Touros no complexo real de São Carlos, um belo passeio que pode ser feito de bicicleta, são seis quilômetros de uma paisagem que por si só já fazem valer o esforço.
E assim desse jeito delicado, fomos sendo conquistados dia após dia pela pequena Colônia Del Sacramento. Depois da segunda vez em que mudamos a data da partida, a recepcionista da rodoviária tornou-se amiga, afinal adiamos nossa despedida da acolhedora Colônia Del Sacramento por quatro vezes, e ela sempre dizia ao nos ver: Hoy está más enamorado que ayer por mi ciudad, así hasta mañana! (Hoje estás mais enamorada do que ontem pela minha cidade, então até amanhã!)

Como chegar:
Colônia Del Sacramento está bem em frente a Buenos Aires, Argentina, na margem oposta do Rio da Prata. São quarenta quilômetros de travessia de barco, no Buquebus http://www.buquebus.com/ ou no Seacat http://www.seacatcolonia.com/ . O Ferryboat transporta carros de passeio e passageiros a pé.
Se vier de carro a partir de Punta Del Este, serão cerca de trezentos quilômetros de estrada, mais ou menos três horas de viagem. E, de Montevidéu, são cento e oitenta quilômetros, quase duas horas de ônibus ou carro.
Outra opção é o Aeroporto Internacional Laguna dos Patos, em Colônia Del Sacramento, que fica uns seis quilômetros do centro.

Dicas:
Assim que chegar, procure as informações turísticas para pegar mapas, guias, horários de funcionamentos dos museus, transportes urbanos, hotéis e o que mais precisar. Os uruguaios são muito educados e recebem bem o turista. Existem hotéis para todos os gostos e bolsos, com um denominador comum: quase todos têm internet e bicicletas para os hóspedes, e a cidade é praticamente plana.
Há muitos mosquitos no verão, por isso, lembre-se de levar repelente. Já no outono é frio, bastante frio por causa do vento constante e a proximidade das águas do Rio da Prata, a umidade aumenta mais ainda sensação térmica de frio.
Se você não tem muito tempo, o ideal é pelo menos ter três a quatro dias para conhecer a cidade, que oferece ótimos restaurantes, bares com música à noite e ainda shows e apresentações culturais quase todos os dias.

Artigo publicado originalmente na minha coluna Pelo Mundo, na Revista Vitrine RS

sábado, 4 de dezembro de 2010

Uma longa viagem


Quanto tempo demora para uma viagem chegar ao fim?
Mais de doze mil kilometros de estradas, e de dois países vizinhos que compartilham montanhas, águas, neves, e tão diferentes e tão bonitos.
Depois de algumas horas em qualquer cidade já me sinto em casa, a cidade nova é um desafio, uma descoberta!
Raramente tenho a vontade de voltar pra casa antes do término da viagem, as vezes tenho saudades das pessoas que gosto, coisa que a internet ajuda a aplacar.
Depois de muito tempo viajando a vida é a mala e as tralhas, que se carrega pra cima e pra baixo, perdê-las é um transtorno!
Mas não é o fim da viagem.
O fim mesmo é quando não nos sentimos mais à vontade pelos caminhos dessa viagem!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Estrecho del Magallanes

 

estrechomagallanes (2) 

 

 

 

 


Tivemos depois da descidas das montanha
uma chuva fina e inconstante.
Pouco mais de 110km de ripio e outros 470km  de asfalto.
Quatro aduanas e o dobro em carimbos.
Uma barca fila de ônibus, carros e caminhões.
O estreito de Magalhães estava de contrariado,
por causa do vento de 100km/h
E as ondas lavavam  a  proa.
Despedidas são sempre marcantes!


estreitodemagalhaes

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O fim do caminho

ushuaia (55)   

 

 

 

 

 

ushuaia (69)No dia anterior A Baia de Ushusia era um espelho, o vento diminuiu tanto que estava quase quente.
Um entardecer que durou horas, até tarde da noite.
De madrugada vi pela janela um céu ainda claro no horizonte à oeste.
Na manhã seguinte foi a despedida fria de Ushuaia, fortes ventos, frio de 4°C e um céu ameaçadoramente negro, depois de poucos kilometros de estradas, o céu desabou em lágrimas de flocos de neve, as árvores e o acostamento estavam brancos, cobertos da neve fria, na triste despedida do fim do mundo!

ushuaia (76)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

As Falklands são Malvinas

ushuaia (71)

 

 

 

 

 

 

Essa frase não é minha mas reflete o  que temos visto
desde a primeira cidade argentina, monumentos em praças públicas,
em bandeiras nas aduanas, nas ruas  das cidades, nos mapas, em souvenirs,
tudo e qualquer coisa sempre com dizeres que as Malvinas são Argentinas!
É válido até  homenagem aos soldados mortos nas Malvinas!
Mas o movimento nacional para a devolução das Malvinas para à Argentina,
não sei se é unanimidade entre o povo argentino.

DSCN5280

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ushuaia

 

Já vinha me acostumando com o frio, o vento, a neve
Gostei do mar, da baia e do porto daqui
Achei até um trabalho no fim do mundo!!!

DSCN5218

sábado, 27 de novembro de 2010

Mirador

 

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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Azul - Paine

torresdelpaineblog9 Um lugar que é assim de cores estranhas.
Verdes de todos os tons,ventos fortes.
Águas foscas que lembram aquarelas.
Sombras e contornos que deslumbram.
Depois enormes torres de pedras
que rasgam o céu à força,
com intimidade e indiferença.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Azul gelo – a outra cor


   glaciarpmoreno (56)

 

 

O céu amanheceu completamente azul,
o vento insistia, castigando as árvores.
Mas o sol aquecia aos poucos a alma,
porque o corpo estava embalado 
em dezenas de camadas de lã. glaciarpmoreno (44)
uma gigante cebola humana.
Nos guias, nas agências de turismo
e sites diziam que o Glaciar é muito bonito,
mas que sol por aqui é raro.
a estrada para ir até lá é de curvas
que revelam detalhes da Cordilheira branca nevada,
do Lago Argentino verde piscina,
glaciarpmoreno (7)dos rios brancos de corredeiras, ;
da vegetação rasteria das planícies
e do verde escuro quase negro
dos pinheiros das montanhas do parque
E depois no apice, gelo azul, azul celeste,
tão claro que é quase branco.
Ofereço à minha sorte um agradecimento
em imagens e detalhes do que pude aproveitar hoje.

 

 

 

 



glaciarpmoreno (35)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Fora do mapa

Quando  viajo procuro me informar, comprar mapas
e guias dos lugares que quero ir.
Poucas vezes me decepciono com essas escolhas,
mas quando num guia  ou relatos não fazem
nenhuma referência sobre uma cidade,
acredite talvez nem valha a pena passar por lá.
Esse é o caso da cidade de Perito Moreno, Santra Cruz,
aqui a única coisa que funciona bem aqui  são as informações turísticas
que funciona das 7h as 24h a semana toda,
e as duas lavanderias que nem olhei o preço,
porque o trauma aqui foi grande,
o único hotel, muito mais ou menos, com vagas, é caro,
os outros todos estão lotados,
tá bom que é feriado na segunda-feira,
E o jantar.. bom, comemos um comidinha boa mas mui simples e carissima,
imagine que Perito Moreno para o turista é muito mais cara
que Bariloche, a menina dos olhos dos turistas argentinos, chilenos e brasileños.
Quando tem uma cidade que nenhum guia fala nela,
talvez seja melhor nem passar por lá!! 
O triste é confirmar isso ao vivo e ao frio.
Essa eu já tirei do meu mapa também.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Paso Cardenal Antonio Samoré

 pasocardenalsamore (7) 

 

 

 

 

 

pasocardenalsamore (6)

 

 

 

 

 

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

domingo, 14 de novembro de 2010

A desesperança

valdivia (16)

 

 

 






Valdivia era minha esperança,
de estar  novamente no Pacífico,
e de molhar ao menos meus pés,
nas suas verde e frias ondas.
Num dia de sol e céu azul,
fomos ver o mar de Valdívia,
tudo perfeito para realizar o sonho.
Mas que nada, o vento castigava a pele,
o frio doía nos ossos,
e eu esmoeci,  sem coragem desisti,
na desesperança de tocá-lo ao menos uma vez
disse não para aquele oceano fortaleza.
Parti mas não sem olhar para trás muitas vezes,
seduzida per seu magnetismo.
Talvez a gente se encontre mais ao sul
Talvez a ilha de nome encantador, Chiloé,
me conduza às águas verde do meu Pacífico. valdivia (9)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Branco Neve

 

vulcão villarrica ao entardecer, Pucon


 

 

 

 

 

 

De tudo branco neve,
Daquela intensa fumaça também branca
Guardo nas mãos o delicado toque da neve fria e seca
E do sol que aquecia minha pele
Das bolas de neve voando pelos ares
De outro sonho encontrado!


E la vai munição!!!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Villarrica

 pucon (4)

Tem um lago, um vulcão e uma cidade
todos com o mesmo nome!
O céu encoberto escondeu o vulcão.
Agora estou longe do mar,
mas da janela do quarto
vejo o lago  e o entardecer.
Mas o charme todo fica para Pucon,
mais um lugar para se encantar e
ficar alguns dias para descansar,
assim quase de férias.

temuco (1)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Santiago

 

 De LAs Chascona se vê a neve eterna de Los Andes  A cordilheira vista de Santiago
A Cordilheira, com neves eternas, 
abraça Santiago à  leste,
Alta, branca, com reentrâncias profundas,
o relevo dos Andes não se desvenda
mas  se mostra em pequenas nuances
de acordo com a luz que o sol concede.
A cidade na primavera se veste de verde claro nas árvores,
de azul no céu e todas as cores nas flores.
Onde encontrei o país, o mar, os andes    
e as palavras de Neruda,
Tão encantador como cada verso seu!

santiago (57)    santiago (50)    santiago (69)    santiago (76)

domingo, 7 de novembro de 2010

sábado, 6 de novembro de 2010

Mesmo encoberto aqui é lindo

chanaral


Acabou o deserto,
as montanhas de pedras,
já tem algum verde
e debruçam sobre o mar forte.
Me gusta tanto el Chile
que ja escolhi um terreno, à venda,
que fica entre Los Hornos e La Serena
de frente para o Pacífico!!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Rumo sul



Valle de la luna, anfiteatro

Fim de Atacama,  o ponto mais norte 
do Chile que iríamos visitar.
Agora o rumo será sempre sul
até a última cidade da América do Sul.
Dunas no parque Valle de la lunaO deserto, o salar,  
as lagunas, a areia,
de cemitério indígena,
na beira do caminho,
sem cruzes ou nomes,
somente pedras empilhadas,
Cemitério indigena de Atacamaqualquer uma dessas paisagens
que mudam de cor
conforme a luz do sol,
ao amanhecer e entardecer, 
cujos nossos olhos
não estavam acostumados,
nos deixou sua marca 
Caverna do Valle de la lunana retina e na memória,
nada foi ou será igual 
a esse espetáculo de  
exuberância  da natureza
desse lugar seco e frio,
de sol todos os dias
e muito vento.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Cores do deserto

Laguna Miscanti


No alto, bem alto da cordilheira,
tem um vento forte e gelado, muito frio,
tem os picos das montanhas ainda com gelo,
mesmo agora quase no meio da primavera,
depois da última subida, ao fazer a curva
lagminiques (10)vê-se a  Lagun  a Miscanti,
nessa hora dá pra ficar sem folego
pela beleza, pelo frio,
pela altitude de 4207m e pelo vento forte.
O Atacama nos presenteia a cada passeio 
com uma surpresa mais incrível ainda, a beleza
e o impacto de ver esses lagos
lagunachaxa (13)completamente azuis,
quase violeta,
no meio do deserto vermelho-terra,
dos salares branco sujo,
é uma tatuagem na alma.
Amanhã vou embora, mas o inverno branco desse lugar  me aguarda uma vez.