Mi sono divertita...
e cosi va benne!
Livro de cabeceira: histórias e outras conversas; nos mares, nos barcos, nas viagens, em todos os lugares. Tudo o que vi, conheci e vivi... ou ainda vou querer.
Há muitos dias começou a contagem regressiva,
Procurava não pensar no instante da partida.
Ia levando os dias um a um,
e nao me permitia lembrar do dia limite.
Que é a véspera, é quando a ficha cai,
é a descoberta que não tem como parar o tempo.
E partidas, despedidas...
Senti sua boca procurando a minha,
um abraço forte infinito,
Nem pensei , só vivi o beijo partido.
Hoje não sei dizer qual é minha cor predileta,
Já foi verde e depois preto,
Ultimamente tenho usado branco.
Mas ainda adoro chapéus enormes e óculos azuis,
Echarpes, cachecol, lenços, pareos, fitas e
panos ou trapos de qualquer tamanho,
faço coleção de tanto que gosto.
E quando eu me declarar velha,
ai sim, vou usar perucas coloridas
e vagar pelas ruas e praças brincando com todos;
rindo e sorrindo de quem me achará louca.
Da minha aposentadoria terei somente o arrependimento
de não ter pensado no futuro, porque apostei alto que minha vida
não se estenderia por tanto tempo assim.
Pois só me alimentei de chocolates, laranja,
damasco e cerejas e claro de queijos
Viverei um lugar de calor, mar, sombras e sol,
alías só viverei dias de sol
quando chover me mudo para o inferno,
se existe não sei mas, com certeza não chove lá.
Será que usarei vermelho finalmente?
Hoje ouvi na rua ao passar por um casal:
'vc vai me esquecer?
qto tempo pra vc me esquecer pra sempre?'
Apertei o passo, não quis ouvir a resposta dele,
ia doer muito saber...
Andar na avenida Atlântica,
as pessoas, a praia, vento, sol e mar.
Tudo tem o aroma do primeiro dia de férias,
um ar de prazer e leveza, tranquilidade.
Ainda que se more aqui, de frente para o mar,
e esbarre nessas belezas todos os dias.
Nem vi o frio chegando,
como tinha sol, não acreditei
no que estava por vir.
A noite gelou meus pés,
minhas mãos e
até a alma se eu tivesse uma.
Arrumei as malas e parti,
rumo ao leste,
atrás do sol e do calor.
De manhã só renasço depois das dez horas,
às seis da tarde encomendo minha alma
com promessa de uma noite sem fim,
mas sempre tem um luar clariando minha cama.
O humor me deixou, ando voando e sem folego.
Rir que já foi remédio, hoje é vício.
Eu nunca tive essa primeira memória, mas guardo nos meus olhos a expressão do Mateus, meu filho, com dois anos.
Ao ver numa manhã de sol; o mar pela primeira vez, ainda da janela do ônibus, na cidade maravilhosa, disse:
'Nòhhh, mãe que tantão de água'!
Seu olhar era pleno e encantador, assim como o mar.
A decepção veio minutos depois, quando já na areia, corre até as ondas e prova o mar, o sabor surpresa do sal, a tristeza no olhar.
Mesmo convivendo comigo há décadas,
não reconheço os lapsos de memória,
nem o olhar perdido diante
do meu reflexo no espelho.