Tudo pronto para partir
Só a espera que se prolonga
Um detalhes que se atrasa
Tem um mar azul que espera
e um vento que sopra segredos
é hora de soltar as amaras
e nos deixar levar ao sabor dos deuses gregos.
Livro de cabeceira: histórias e outras conversas; nos mares, nos barcos, nas viagens, em todos os lugares. Tudo o que vi, conheci e vivi... ou ainda vou querer.
Tudo pronto para partir
Só a espera que se prolonga
Um detalhes que se atrasa
Tem um mar azul que espera
e um vento que sopra segredos
é hora de soltar as amaras
e nos deixar levar ao sabor dos deuses gregos.
Que brincaram no mar de bunda-lele,
de andar na linha do trem escondido dos pais,
de brincar de guerra de travesseiros a noite,
de chutar macumba de manhã na areia da praia,
de esconde-esconde,
de caçar ouro de cavalo para as plantas,
de ir pegar rã de noite no brejo,
de caminhadas quilométricas
de brigas e choros, de risadas e histórias.
Para dizer que foi divertido!
Visitar a Itália é mergulhar em aromas e sabores que nos proporcionam verdadeiras viagens sensoriais, esse país oferece centenas de pequenas cidades fora do circuito turístico tradicional, escolhi conhecer Matera, pela sua arquitetura original e harmoniosa, pela sua gente simpática e seus hábitos saudáveis. A cozinha italiana é um capítulo a parte, que escreverei em outra oportunidade.
No dia que fui pra Matera, acordei muito cedo, pois seria um passeio de um único dia, em Bari peguei o trem que tinha um aparada na parte nova da cidade, fazia um tempo nublado e um pouco frio quando desci na estação e caminhei pela cidade até os Sassis (que em português que dizer pedras), as casas - quase cavernas – são escavadas nas montanhas, igrejas rupestres e museus, tudo isso num labirinto de pedras, de estreitas ruelas, becos e escadas, num sobe e desce interminável, que mesmo sem mapas, se perdendo ou se deixando levar ao acaso, em cada ângulo encontra-se detalhes de uma beleza envolvente.
É uma cidade muito antiga, sua origem é na pré-história, com casas que datam mais de nove séculos de existência e ainda hoje são habitadas, Patrimônio Cultural de Humanidade, localizada na Região da Basilicata, sul da Itália.
Fiquei impressionada com a visão do vale divido por um rio, das centenas cavernas/casas, uma cidade incrivelmente exótica. O turismo e artesanato local apresentam bonitos trabalhos de esculturas e pinturas rupestres.
No ar se sente um odor verde de mofo e musgos depois da chuva nas escadarias. As habitações, antigamente, eram em grutas, cavadas nas rochas vulcânicas, o que fez Matera ser conhecida como a “ cidade subterrânea ”, onde o ritmo do tempo é outro, segue a lentidão da tranqüilidade e da vida simples dos seus habitantes. Todos se conhecem, estão sempre do lado de fora de suas casas-cavernas, porque elas não tem janelas.
Quase na hora do almoço começou a chover muito, as ruelas e escadarias viraram cascatas de água da enxurrada, me abriguei num atelier de um velho artesão ficamos conversando sobre a chuva, sobre a arte e o tempo que segundo ele: “ em Matera o tempo parou para sempre “. Depois pra começar a contar casos sobre o presépio vivo, personalidades da cidade e lendas locais foi num instante, rimos muito, principalmente por causa do dialeto local que era difícil de falar, ele ainda dividiu comigo seu almoço, uma focaccia e vinho.
Contou-me sobre as guerras e lutas que o povo de Matera vivenciou ao longos de 900 anos de história, uma cidade tão bonita e perfeita que parece cenário de cinema, falou ainda dos personagens, atores, diretores e dos mais de 30 filmes que foram rodados nos Sassi , sendo o último, o mais famoso, A Paixão de Cristo do Mel Gibson.
E o tempo que segundo a lenda aqui pára, passou muito rápido. A eternidade aqui caminha pelas ruas, passeia pelas casas incrustadas nas rochas, pelas vidas dos seus moradores. Tudo em Matera vive num tempo quase atemporal, porque nessa cidade não se contam os dias, mas as festas, os acontecimentos, as estações do ano, as colheitas.
Se puder passe a noite na cidade, quando for visitá-la, procure uma pousada ou albergue nos Sassi, na parte antiga e aproveite essa pequena viagem no tempo. Afinal viajar é nosso maior patrimônio e transporta a alma para além do nosso pequeno universo.
Como chegar: Até Bari capital da Puglia, pode ser de trem ou avião, de lá para Matera existe uma linha de trem e ônibus.
Dica: Vá com sapatos confortáveis, para poder andar bastante, na região chove quase sempre por isso é bom levar um agasalho impermeável ou guarda-chuva, alias quase todas as lojas de souvenir vendem esse acessório.
Texto publicado no site http://osorioshopping.com.br/matera/
Foi fazendo o Circuito da Estrada Real, que no caminho encontrei uma pequena vila no interior de Minas Gerais. O lugarejo chamava-se originalmente Cabeça de Boi, hoje atende pelo nome de Santana do Rio Preto, fica no meio das montanhas da Serra do Espinhaço, no município de Itambé do Mato Dentro, a 100 km de Belo Horizonte / MG.
Se já localizou vou apresentar esse cantinho delicioso. Da estrada de asfalto tem uma saída de terra de 10 km, a chegada na vila já impressiona porque tem uma única rua de calçamento de pedras, uma praça, uma igrejinha, um telefone público, poucas casas e todos os morados se conhecem, embora pequeno o lugar tem boas pousadas, dizem que no verão e feriados fica lotado, a vila esta no alto de um morro e praticamente todo mundo têm vista para o vale, a charmosa pousada que fiquei tinha enorme banheiro com uma vista para o mar de montanhas da Serra do Espinhaço.
A região é repleta de rios de águas transparentes e cachoeiras, trilhas para todos os gostos e níveis de dificuldade, um lugar perfeito para trekking, cavalgadas, montainbike, montanhismo ou simplesmente ficar de preguiça nas sombras das árvores e tomar banho de cachoeira. A mais bonita é a Cachoeira do Intancado, para chegar lá de carro saindo da vila, logo na primeira descida tem um ribeirão para atravessar, depois umas oito ou nove porteiras para abrir (cuidado para não deixar os bois fugirem), vai seguindo contornando os morros, acompanhando o rio, depois é só estacionar e seguir a pé uma trilha muito fácil e agradável por 10 minutos. E se encantar com as águas do Intancado, principalmente quando todo esse paraíso está lá só pra você.
Uma outra característica das Minas Gerais é que toda pousada, hotel ou outra forma qualquer de hospedagem, nas diárias além do café da manhã tem o tradicional ‘passa lá’.
No interior a gente tá sempre encontrando com amigos. Alias todo mundo conhece todo mundo. Na rua, no banco da praça, no mercadinho, na padaria. E conversa vai, conversa vem, na hora de despedir, um diz: - "Vai lá em casa. Passa lá”!!
Então o ‘passa lá’ não é convite para o almoço, nem para o jantar nem para um lanche, não tem hora certa, é só chegar pra tomar um café. Enquanto vai mantendo um dedo de prosa com a visita, côa um cafezinho, faz um chá. E pra não ficar café com língua, se coloca o bolo na mesa, ou outros quitutes, não pode faltar também o queijo mineiro. E queijo nessa terra é coisa séria! Tem ainda os doces de leite e goiabada. As gostosuras em Cabeça de Boi são, pão caseiro com erva doce feito em forno de lenha e o melhor pão de queijo do planeta, receita da Bá, a chef de mãos de fada da Pousada Vila Ventura.
Acabou não: tem ainda uma gente hospitaleira, que sempre tem tempo pra um dedo de prosa, pra contar casos e perguntar de onde veio, só por gentileza porque bom mesmo é ficar de papo pro ar.
Dica: Leve roupas e sapatos confortáveis para caminhadas, agasalhos para as noites e se prepare para as muitas conversas e delícias da terra.
Texto publicado no site http://osorioshopping.com.br/estrada-real/
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar
E quanto mais remo mais rezo
Pra nunca mais se acabar
Essa viagem que faz
O mar em torno do mar
Meu velho um dia falou
Com seu jeito de avisar:
- Olha, o mar não tem cabelos
Que a gente possa agarrar
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar
Timoneiro nunca fui
Que eu não sou de velejar
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar
E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar
Explico que eu não navego
Quem me navega é o mar
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar
A rede do meu destino
Parece a de um pescador
Quando retorna vazia
Vem carregada de dor
Vivo num redemoinho
Deus bem sabe o que ele faz
A onda que me carrega
Ela mesma é quem me traz
Paulinho da Viola
“A morte está sempre no caminho, porém o fato de nunca se saber quando ela chegará, parece amenizar o caráter finito da vida. É aquela precisão terrível que odiamos tanto. E como não sabemos, temos a tendência a encarar a vida como um poço inesgotável…
tudo parece tão sem limites.”
Paul Bowles
“ Não preciso justificar minha existência por meios primitivos. Minha justificativa é o fato de eu respirar.
Se a humanidade não julga isso uma justificativa, pode fazer o que bem quiser comigo. Não preciso carregar um passaporte a vida toda para provar que tenho direito de estar aqui? Eu estou no mundo! Mas o mundo não é o mundo da humanidade. É o mundo tal como eu vejo.”
Paul Bowles
O tempo passou
ou talvez não.
O tempo todo está aqui…
então Talvez o tempo não possa passar.
Às pessoas vêm e vão
mas o tempo fica.
O tempo não é hóspede.
Os dias porém eles passam.
Goeff Dyer
O problema com o destino
é que ele pode chegar
muito perto de não acontecer
e, mesmo quando acontece,
raramente parece o que é.
Goeff Dyer
Quero morrer antes de você.
Você acha que aquele que vai depois
encontra o que foi primeiro?
Eu acho que não.
O melhor seria me cremar
e me colocar num vaso
sobre o aparador de sua lareira.
E garanta que o vaso
seja cristalino,
assim você pode me ver lá dentro…
pode ver meu sacrifício:
desisti de ser terra,
desisti de ser uma flor,
para ficar somente junto a você.
E eu me tornei pó
para viver contigo.
Assim, quando você morrer,
você pode entrar aqui no meu vaso
e então viveremos juntos,
suas cinzas com as minhas,
até que uma noiva tonta
ou um neto rebelde
nos jogue fora…
Mas
a essa altura
já estaremos
de tal forma
misturados
que mesmo vertidos nossos átomos
cairão lado a lado.
Mergulharemos na terra juntos.
E se um dia uma flor selvagem
encontrar água e brotar desse pedaço de terra,
sua haste terá
por certo dois botões:
um será você,
o outro, eu.Não é que eu
esteja para morrer.
Quero criar ainda outro filho.
Estou cheio de vida.
Meu sangue é quente.
Viverei ainda muito, muito tempo -
ao teu lado.
A morte não me mete medo,
apenas não consigo sentir especial atração pelos preparativos
de nosso funeral.
Mas tudo isso pode mudar
antes que eu esteja morto.
Alguma chance de que você saia logo da prisão?
Algo dentro de mim me diz:
talvez.Nazim Hikmet
Lendo uma frase da minha sobrinha no twitter me lembrei desse caso a respeito do assunto do título do post.
Tenho uma amiga de infância que mora em outra cidade, ela ia se casar no dia 13/06 (faz muito tempo isso), na véspera do casamento não tinha nada programado, então resolvemos sair só nós duas mesmo, uma vez que moro longe e nos vemos pouco, pra comemorar a despedida de solteira dela, tomando uns ‘chopes’, até ai tudo bem comum.
Tentamos uns bares e pizzarias e nada de vaga, era uma sexta-feira, tudo lotado, depois de meia hora rodando de carro, conseguimos um barzinho, que só tinha lugar no balcão, ficamos lá conversando, rindo e colocando as fofocas em dia, tinha tempo que não nos víamos, lá pelo 3º chopp percebemos que estávamos sendo observadas com alguma insistência principalmente pelos garçons e o barman. Olhamos em volta e só tinham casais, nas mesas vela e pequenos arranjos de flores. Nessa hora caímos na gargalhada, nos lembramos que era dia dos namorados.. não é que nessa hora o barman que também era o proprietário do bar, colocou vela e flores pra gente, aproveitou a deixa e disse: Uma rodada free pra vocês porque são o primeiro casal gay que vem aqui comemorar o dia dos namorados desde a inauguração, vocês duas lindas demais pra serem namoradas, um desperdício, ( quanto preconceito ainda).
Continuamos a rir só que agora da cara “do crente que sabe tudo” barman, afinal festa de despedida de solteira é pra se divertir!!
Pra encerrar com a ditadura comercial de comportamento social do " ter que " encaixar no padrão, como disse minha sobrinha @gabiamarals:
“Porque eu tenho que passar o dia dos namorados com um namorado? Eu passo o dia do índio com um índio? NÃAAO
Imagino se saberei ainda ler
O segredo dos seus olhos que já não me vê
A ida sem volta de uma viagem,
Onde a tranquilidade existiu.
A contagem dos minutos que faltavam para o eterno.
“Qualquer coisa de triste,
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Porque..
É melhor ser alegre que ser triste
alegria é a melhor coisa que existe”
Tudo isso em um filme tão antigo quanto eu mesma.
Não sei mais há quantos dias comprei morangos
para fazer um novo experiemento,
geléia de morangos com pimenta.
Também nem imagino como,
mas os morangos resolveram brincar
de esconde-esconde lá dentro da geladeira.
A minha geladeira para escalarecer a situação,
é pequena nos seus vinte centimetros quadrados.
E não é eles se escondiam o tempo todo,
num jogo frio e solitário,
Agora mesmo me lembrei deles,
demorei muito para entrar no jogo,
tanto que eles morreram
de ficar escondidos no frio, me esperando.
Recebi um daqueles e-mail que dão lição de moral, e como não é a primeira vez, decidi que não quero e não vou deixar passar. É sobre não insistir no seu ponto de vista pra não discutir porque o outro interlocutor não está disposto a ceder.
Tem gente que acha que não discutir é ser feliz, isso sim é que é triste, porque nessa hora ou você desiste do que quer, ou vira as costas e vai fazer o que quer bem longe; isso em qualquer tipo de relação (trabalho, vizinho, família, amor) é indiferença, é um sintoma que tudo vai muito mal.
Eu me cansei do jeito que as pessoas tentam tratar a vida de modo simplório, nem é inteligente, nem saudável.
É importante discutir sim, é importante fazer conhecer sua opinião, discordar não quer dizer que é contra o outro, é só que tem outro modo de entender, de achar. Assim como também é importante saber mudar de ideia, aceitar mudar. Às vezes mudar, embora traga alguma dor, é bom, faz bem.
Senão, com o tempo, por não querer discutir um vai se anulando em detrimento ao outro e isso não é felicidade.
Se você já não se importa com o outro, a ponto de para ter paz, deixa-lo falar e fazer o que quiser, também já não justifica manter-se no mesmo lugar, por uma felicidade que, talvez nem tenha notado, mas não mais existe. Ser feliz é outra coisa.
Amor, felicidade tem que ter intensidade, tem que falar o que pensa, tem que respeitar as diferenças e tem que discutir porque se expressar é entrega, é conhecer um ao outro.
E finalmente sobre o título, o que posso dizer é que ser feliz e ter razão são coisas completamente diferentes, e que poucas vezes se encontram pela estrada.
Tem gente que para ser infeliz
deve incomodar todos a sua volta,
Não tenho mais paciência
para quem não tem inteligência emocional
Tá com problemas querida,
Vou te contar um segredo todos tem problemas
Não tem senso de humor, fique calada
Tá triste, chore, mas não use de desculpa
a opinão alheia para a impôr sua neurose
O drama só cai bem em novela mexicana.
Porque dizer o que pensa, vc pode,
mas ouvir o que os outros pensam, vc não quer.
Fragilidade não é doença
Chantagem emocional a gente trata com indiferença.
O sol, o mundo e todo o resto
Não gira em torno de vc.
Hoje foi dia de preparar a vassoura para voos rasantes..
Mandinga, feitiço ou praga, com tanta poesia deve funcionar.
*O ensinamento é de @anitadutra que vive, também no Posta Restante*
Rede de cipó
lata de sardinha
porta de alçapão
ova de tainha
bolha de sabão
sopa de letrinha
bucha de balão
papo de cozinha.
Medo de ladrão
noite de arrepio
boca de fogão
casco de navio
pipa de papel
bem-te-vi no cio
corda de relógio
bomba de pavio.
Sunga de lagarto
dente de galinha
sovaco de cobra
pena de rolinha
asa de tatu
jura de Maria
grito de menino
rabo de cotia.
Anita Dutra
Eu já não sei respirar quando estou ao lado seu.
Juro que me falta o ar, a paixão bateu.
Você é aquela mulher escondida
nas letras de tantas canções.
Deste lado do rio eu posso ver tudo o que é seu
Delicadeza e mistério que nem você percebeu.
Quero chamar sua atenção
com as pausas do meu violão
Resta
nada resta
Leio o seu nome nas águas do amor
que correm a deslizar
Passa
tudo passa
Se eu não consigo dizer
eu só posso escrever
cartas com o olhar
Com o olhar
Se io non posso parlare ora che sei con me
è forse un modo di osare dimmi tu che cos'è
tu che raccogli il mio cuore senza far rumore
da questo lato del fiume ogni cosa è più facile
le mani scorrono libere su di te
tu che respiri le pause della mia canzone
resta, resta, resta
ora che scrivo il tuo nome sull'acqua del fiume
passa tutto passa
ma
tu non sei una primavera
tu non sei una sera
Se apro gli occhi e ti trovo ancora?
ti trovo ancora?
Resta
nada resta
Ora che scrivo il tuo nome nell'acqua del fiume
Leio o seu nome nas águas do amor que correm a deslizar
Ana Carolina
Todo dia 10 às 10 horas da manhã
E por 10 minutos toca o alarme da Usina Nuclear em Angra.
A título de treinamento.
Hoje dia 10/05, às 10h da manhã nao tocou.
E ai quanto não toca é pra ficar parado, ou sair correndo?
Passados 10 minutos ele começa a tocar, até às 10:20
Nova dúvida e agora qual o significado do atraso,
corre ou fica parado?
Lá no Japão teve acidente nuclear,
é um lugar hiper organizado.
e todos sabem o que tem que fazer.
Aqui é Brasil e não é assim, não.
Alguém quer fazer o favor de organizar a zona
e avisar nos meios de comunicação, que não são poucos,
como funciona isso do jeito certo.
Se o alarme tocar e for verdade?? Como é que faz?!!
Agora mesmo no Facebook, passando de mão em mão, digo perfil, todo mundo rindo e se divertindo, inclusive eu, li esse textro abaixo, sei lá quem é o autor, mas caiu na rede vira público, sabe com o é que é, assim também não me privei de acrescentar outros detalhes, divirta-se.
Tarde demais pra pedirem que eu me comporte!!
Quando eu era pequeno eu via o Tarzan andando pelado,
a Cinderela chegava correndo meia noite,
o Pinochio mentia como um desgraçado,
o Aladin era ladrão,
Batman dirigia a 320km por hora,
Branca de Neve morava com 7 machos,
Popeye fumava grama enlatada....
Chapéuzinho vermelho que ficava de conversa com o lobo na floresta
Bela adormecida que dormia até tarde...
Fada Sininho com aquele pozinho branco,
que faz gente sair voando
E ainda querem que eu me comporte?!
Ah, tá…
Aiiaiiii semana que vem eu mudo tudo de novo,
se der tempo naturalmente,
ou vontade ou outra coisa..
Ele está dando sinais de senilidade,
às vezes grita que não aguenta mais,
outras se tranca e pronto e acabou.
Como sou teimosa insisto,
mas sei que seus dias estão contados.
Fico correndo de um lado para o outro,
tentando guardar tudo que está fora do lugar,
antes que seja tarde, antes que não sobre nada
mas ele não ajuda, fica imóvel.
Se não der tempo vou ficar sozinha,
perdida e sem saber onde sou, onde estou..
É certo que isso vai acontecer,
estou me preparando.
Mas não espere muito mais de mim,
depois de um tempo, pouco tempo, acredito.
Ponho a roupa de domingo e vou sair por ai
à procura de um SUPER,
assim tipo melhor que vc em tudo:
um bom e cobiçado MAC,
porque meu querido PC depois de vc
eu mereço um tudo de melhor para ocupar seu lugar.
Dorme com essa agora, meu queridinho Toshiba.
Continue de pirraça pra ver no que dá!
Sem limites é a dor
Sem noção são os rumores
Sem querências é o agora
Cem são todas as coisas
que quero pra mim.
Vivo de dar nós.
Estou sempre dando nó e direito.
Porque nó ‘Direito’ é bonito de se ver.
Se é pra ficar bem preso, num porto seguro,
nada como nó a ‘Volta do Fiel’,
é rápido de fazer na urgência,
desfazer na emergência
e eficaz pra ficar parado.
Se precisa enforcar o dia, o trabalho,
nada como o nó de ‘Correr’, simples assim.
Nó tem que ser bem feito,
para ser desfeito rapidamente.
Mas para aborrecer, implicar
ou provocar um nó cego basta.
Chocolate quente
Biscoito folheados Fortaleza
Geléia de Laranja
Cream Cheese
Trufas de chocolate amargo
Oblivion tocando
Cobertor de orelha
Preguiça na rede
Tá bom já vou deitar,
porque sonhando já estou!
Vizinho continua insistindo em fazer barulho,
poeira, fumar e ser intragável,
isso já tem uma semana.
Já estou desejando que chova canivente!
Tenho poucos vizinhos, para ser clara, parede de meia, não tenho vizinhos que vivam a bordo, na mesma “rua” (entenda-se aqui Cais) tem mais dois, um no fim da rua e outro na metade do caminho. Assim é muito bom, porque ninguém ouve ninguém nem incomanda com os barulhos diários da rotina de cada um.
Mas os vem de vez enquando esses sim atormentam, porque chegam muito cedo, fazem rumores estridentes com suas máquinas, falam o tempo todo; tudo bem, o pior mesmo é quando resolvem compartilhar seus lamentavéis gostos musicais em alto e ensurdecedor volume.
Confesso que vivo bem com todo mundo, nem me lembro de ser muito encrenquinha (será?), mas silêncio é tudo de bom principalmente quando se quer dormir, mesmo que seja às dez da manhã ou às três da tarde, ou ler ou trabalhar, afinal pra mim hoje também é domingo!
Nem precisa se preocupar
Nem vou te buscar
As horas passam e eu aqui
de pijama ouvindo a chuva no convéns
Receita para férias
Modo de preparar:
Junte três pré adolescente e adolescentes num barco de 22 pés e sem TV, num calor de 35 graus, mar, praia, muita comida (porque a fome nessa idade é absoluta), kilos de sorvetes, litros de águas, sucos e refris, centenas de pãezinhos, queijos e outras delícias, bolos, biscoitos, frutas, baralho, jogos, máquina fotográfica, muita risada, histórias mirabolantes inventadas, reais e misturadas, internet, adivinhações, gargalhadas, muitas caminhadas, velejadas, bicicleta, pastéis, mais sorvetes, banho de chuva e de mar, almoços deliciosos, festas, sorrisos, conversas sérias, música, passeios pela mata, nos rios, nas cidades históricas, amigos, papo furado, risos, sonhos, sapos.
Misture tudo em doses generosas e deixe fazer muito volume. Os dias passarão num minuto, e a saudade que vai ficar no lugar será inesquecível.
Então sobrinhos o convite está de pé quem tem coragem??
Vou por ai caminhando na chuva, no frio
Sei que meu tempo chegou
O sol me espera acima do equador
Onde a vida tem agora mais calor
Tinha um passarinho se esgoelando na minha “janela”, só podia estar achando que aqui é Fernando de Noronha. Tentei abstrair mas ele foi insistente, levantei para fazê-lo entender que não é hora de acordar ninguém, mas não é que me surpreedi com o presente..
Taí, já vi, fotografei, postei e vou voltar a dormir,
à essa hora é quase vespera.
Hoje é um dia de música. Desde pequena fui influenciada pela música que ouvíamos em casa, geralmente clássica.
Ouvindo Águas de março, me lembrei que foi a segunda música que tenho lembrança de saber cantar decor aos 4 ou 5 anos de idade, a primeira foi Carinhoso, mas que eu inventava os versos em idiomas também inexistente.
Depois foi me lembro ainda primeiro LP, era dos Secos e molhados.
Ai veio o Chico, o Buarque de Holanda, um LP de capa em detalhes verde, como seus olhos mais verdes ainda. Foi uma paixão que durou anos.
Muito tempo e outra cidade depois vieram os mineiros, eram muitos e muito bons, Elis e bossa nova que já não era tão nova conheci na mesma época; mais meia década vieram as bandas roqueiras de Brasília.
Ai meu gosto foi tendo tendências diferentes da moda. Agora ouço música do mundo todo, de estilos diferentes.
Mas confesso que ainda não tolero funk, punk, pagode de quinta categoria e nem sertanojo.
Tentei eleger a minha música predileta, aquela.. a que me transporta para outro mundo, não consegui achar uma única, porque na minha vida a música nasceu para dançar, para viajar, para trilha sonora, para sonhar, para recordar e acompanhar.
Ontem estava ouvindo Oblivion- A. Piazzolla, agora to escutando Lanterna dos Afogados. Mas sei qual será minha última música, é a sinfonia de número 6 De Tchaikovsky.
A um outro detalhe nada muito alto porque mesmo ouvindo boa música gosta também de escutar meus pensamentos. E o melhor disso tudo é cantar inventando as frases de acordo com a memória ou a conveniência!!
As vezes acordo cedo
As vezes durmo tarde
As vezes eu escuto
Como nos dias em que
a alegria é hospede
da surpresa, do simples..
Fazer niver é assim demora muito pra chegar, dura pouco, vem precedido de um inferninho astral, e geralmente é um marco, um fim e início de ciclo.
O melhor de tudo que se pode comemorar quantas vezes quiser.
No meu esse ano, as felicitações começaram uma semana antes, por causa do FB que mandou o aviso adiantado.
No dia mesmo eu trabalhei, velejando naturalmente, recebi muitas mensagens e telefonemas que me emocionaram.
Na volta pra casa tomei banho de mar em Itanhangá, dois banho de chuva na hora de tirar a âncora e atracar.
Depois teve festa surpresa preparada pelos amigos que são tudo de bom nessa vida de verdade.
E agora já é o dia seguinte tem mais comemoração que mesmo atrasada tem gosto de quero mais, porque prolonga as homenagens por mais um pouco.
Se pensa que acabou que nada, na quarta tem mais festa!!
Estou muiiiitooo feliz!! Obrigada a todos meus amigos e familiares!!
Dizem que a vida começa aos quarenta. Acredito mais que é a metade da estrada, daí por diante é morro a baixo. Cheguei até pensar em começar a contar de forma ao reverso. hoje eu estaria com uns trinta e quatro indo para os trinta e três.
Se me incomoda envelhecer, bom na maior parte do tempo nem me lembro, em alguns momentos até me irrrita, principalmente quando sinto a limitação que a idade, os calores e outras coisinhas mais.
Mas de resto adoro festa e comemorações de aniversário.
Tempo, os dias, meses tudo segue e não pará nunca. Faço o que gosto como trabalho na maior parte dos meus dias, nos outros viajo, navego ou tomo banho de mar.
A vida hoje está muito parecida como foi em 2005 /06, poucas diferenças.. me lembro particularmente desses anos porque me aconteceram surpresas que adorei, como um dia de dezembro quando volto para o barco e encontro um presente de Natal, sem bilhete.
Depois na Páscoa ganhei um ovo do coelhinho que deixou no meu barco, e que encontrei meio derretido quando voltei do charter.
Por duas vezes ganhei presente de niver, que encontrei quando cheguei a bordo. Foram fatos isolados de pessoas amigas diferentes.
Já trabalhei várias vezes no meu niver, sempre com algum tipo de comemoração. Esse ano tem páscoa, niver e trabalho tudo junto no mesmo dia. Podia vir acompanhado surpresas também.
É querer muito..
A lua inteira de frente pra mim.
Seu multiplo reflexo no mar
Fico horas sentada no barco
Esperando uma brisa,
Um movimento definitivo.
Agora a pouco estava falando com meu filho que tá lá longe, do outro lado do oceano. Ele cheio de planos, de aventuras, contando-me sua próxima viagem, das compras dos roteiros, das logísticas, para o País Basco e a França.
Vão em três amigos de carro alugado, compras de mercado, foguareiro, couch surfing, caroneiro no meio do caminho de um site frances e cheios de novidades, expectativas.
Ai me lembrei da viagem que fizemos juntos por mais de dois meses.
Se tem um bom companheiro de viagem é ele. Nem vou dizer coisas como modéstia porque não gosto dessa palavra, gosto de intensidade, de qualidade e quando é bom é bom mesmo.
Me deu uma saudades !! Me deu uma vontade de viajar de novo com meu filho. Então Teus, boa viagem e divirta-se, seja feliz.
Logo, espero, estaremos mais pertinho pra nossa próxima viagem juntos.
Do cheiro de terra molhada na hora da chuva
De uma música antiga que se ouve de repente
De conversas inesperadas
No banho de mar ao entardecer
As lembranças existem simplesmente.
Perdi o barco que faz o transporte para Alcântara, ele sai muito cedo às 7h da madrugada, quem me conhece sabe o quanto eu amo acordar cedo, mas nesse dia corri ,cheguei lá às 6h55, mas já estava lotado. Tinha um catamarã que sairia uma hora depois. Fui conversar com o dono do barco para ver se iria a vela ou com o motor de popa de 25 HP.
Conversa vai e vem, me informou que ia velejando. Me convenci e embarquei, não antes de contar que também velejava e que morava num veleiro e patatipatata (mea culpa - falo muito mesmo).
Depois que saímos do porto e o barco pegou velocidade o comandante me chamou e me deu o leme e disse o rumo, ‘ali naquela ilha mais alta’.
A vantagem que na Baia de São Marcos sempre tem vento na mesma direção - través - e a correnteza forte da maré vazando seus 6m.
Quando o comandante sumiu pra dentro do barco, houve um silêncio e desconforto geral, uma passageira pegou a direção do barco. Todos se olhavam e havia um burburinho no ar.
Levei o barco por meia hora, que planava, e eu me divertia.
Então devolvi o leme para o dono do catamarã e ouvi um suspiro coletivo... morri de rir!
“ Pessoas com vidas interessantes não têm fricote.
Elas trocam de cidade.
Investem em projetos sem garantia.
Interessam-se por gente que é o oposto delas.
Pedem demissão sem ter outro emprego em vista.
Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram.
Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes.
Não se assustam com a passagem do tempo.
Sobem no palco, tosam o cabelo,
fazem loucuras por amor,
compram passagens só de ida.
Para os rotuladores de plantão, um bando de inconseqüentes.”
Marta Medeiros
Refazendo meu colar de 11 voltas,
de sementes de capim navalha,
De repente cai o espelho,
do nada em cima de tudo,
pra salvar minha sorte,
dos 7 anos de azar
caso ele quebrasse, fiz um caos,
todas as 8 milhões de continhas
se espalharam pelo barco todo.
Agora que catei todas de novo,
descobri que consegui juntar
somente metade que deixei cair
o resto se perdeu nas profundezas dos porões.
Sigo a vida espalhando sementes de capim navalha !
Tem gente espalhada pelo mundo todo
Gente que fala o mesmo idioma que eu
E que navega, flutua ou circula pelo mundo
inclusive o virtual
Que lêem o que publico aqui,
as vezes comentam,
outras mesmo em silêncio
se manifestam nas entrelinhas,
e repetem o mesmo gesto
de se supreender, de se calar
lá do outro lado do indico, do pacífico, do atlântico
da serra, das montanhas, das curvas..
E se o segundo sol não chegar
e se as órbitas continuarem desalinhadas,
e se o nunca virar pra sempre
ainda assim existirão
as palavras escritas
as ditas palavras…
e que agradecem e agradeço eu também!
Tão baixo era o céu
Tão alta eram as dunas
Tão longos eram os ventos
Que se misturavam
e se tocavam lá perto, no infinito.
Ontem na rodovária quando voltava pra casa, me acontece algo no mínimo inusitado, estava lendo esperando a hora do bus, tinha do meu lado um rapaz com uma mala pequena e um pacote que podia ser um presente. Do outro lado dele uma senhora.
O rapaz se levanta e diz pra mim dá uma olhada nas minhas coisas que só vou ali buscar uma coisa pra beber, eu devo ter feito uma cara, porque ele imediatamente disse é rápido, e não tem uma bomba na mala, juro que não demoro.
E desapareceu, passado uns cinco minutos a mulher me olhou e disse que tinha pegar seu ônbus, me contou uma historia confusa que não entendi direito, me distrai por um segundo e ela também desapareceu, assim como rapaz, no ar!
Olhei para todos os lados tentando reconhecê-lo, mas já não me lembrava nada da sua fisionomia, nem se quer da sua roupa a não ser uma vaga lembrança de algo bege.
O tempo foi passando cheguei a ler um capítulo inteiro, e comecei a ficar incomodada com a situação, tudo bem que bomba não é coisa pra Brasil, mas e se for algo assim ilícito que qualquer outra pessoa venha pegar, deixo pegar? e se.. Ou ainda for aquela pegadinhas ridiículas que passam domingo a tarde na TV? Nóia de quem acabou de voltar de férias do interior do inteiror do Brasil e caiu de paraquedas na rodoviária da cidade grande. Desconforto!
Aiiiaaaa estava tão tranquila e quietinha, entretida com meu livro.. comecei a não prestar a atenção nas palavras que lia, buscava um plano B, se desse a hora do meu ônibus sair.. procuro um guarda, um segurança? Vou embora e deixo a mala ali? Olho de novo no relógio gigante perdi a noção do tempo, tem quinze minutos ou meia hora que o cara saiu?
Tem gente que é assim tranquilo com a vida, com suas coisas, com os códigos de ética afinal tinha dado minha palavra. Deixa seus pertences com um estranho olhando para não serem roubados.. coisas e atitudes que só encontro no meu Brasil.
Acabei relaxando e continuei lendo meu livro.
Ahh quer sabe se o rapaz voltou?
Sim, demorou mas apareceu, sorrindo, bebendo guaravita, falando sem parar no seu telefone/rádio e sua blusa era listrada de preto e branco e a bermuda amarelo claro, quase bege.
Pra quem conhece a minha história, entenderá minha simpátia por esse barquinho, e não vou dizer mais nada. Quer saber porque… leia no link.
A viagem de Barreirinhas até Paulino Neves foi uma boa aventura,
com trilhas que desapareciam, dunas e lagoas, foram quase 4 horas para percorrer 72km, de uma beleza que nos faz esquecer todo o resto do desconforto.
Mas a volta de Tutóia direto para São Luis foi um caos, gente passando mal, pneu furado, um zilhão de paradas e 10h de viagem.
Ninguém merece. Quer uma dica?
Vá e volte pela mesma trilha, é mais bonita e divertida.
Perdi a noção do tempo,
hoje pra mim era amanhã.
Ao me dar conta de que dia é hoje,
constatei que tive dois ontem no anteontem,
o tempo parou em algum lugar
ou fui eu que perdi o trem..
Agora corro atrás do tempo perdido
minha partida esta bem perto.
Um dia inteiro pelo Delta do Parnaíba: Dunas, praias desertas, lagoas de água doce e transparente, guarás azuis, caranguejos vermelhos e
Josias - o guia e piloto do barco - mostrando as belezas, delicadezas e surpesas dos manguezais.
Navego por entre os manguezais, caminho por dunas e lagoas, e mergulho no mar quente para matar a saudade de casa.
Sobre as águas prateadas do Delta,
caminho pela praia, sem destino
ainda é muito cedo, ou talvez tarde demais.
Uma realidade paralela
Uma impressão dispersa
Uma vontade esquecida
Um retorno que aguarda
para uma vida cotidiana
que ficou no mesmo lugar.
Muito fina a areia que o vento levava,
nas dunas os contornos
desenhavam as curvas
em pensamentos perdidos.
E eu me distraía
com a imensidão branca
em busca do horizonte salgado.
Tentei não pensar
Tentei não lembrar
Tentei por fim,
não esquecer
Mas tem um céu azul do lado de fora
Tem a música nos meus ouvidos
Tem nossa história diante dos meus olhos.
“Oh! tristeza me desculpe,estou de malas prontas
Hoje a poesia veio ao meu encontro
Já raiou o dia, vamos viajar
Vamos indo de carona
Na garupa leve do vento macio
Que vem caminhando,
desde muito longe
Lá do fim do mar ”
As fotos e o relato, tudo junto na viagem do deserto até o fim do mar, pelo Chile e Argentina, está tudo la no site do Aquarela. http://www.veleiro.net/aquarela/Textos/Até%20o%20fim%20do%20mundo.htm
Teve pássaros de manhã
se esgoelando até me acordar.
Teve sol até esquentar
Teve chuva sem molhar
Tem coisas que não cabem
na mala ou na bolsa
quando vou aprender a não carregar meio mundo.
Sublimar e invejar a vida de tartaruga.
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
Toda sexta-feira toda roupa é branca
Toda pele é preta
Todo mundo canta
Todo céu magenta
Toda sexta-feira todo canto é santo
E toda conta
Toda gota
Toda onda
Toda moça
Toda renda
Toda sexta-feira
Todo o mundo é baiano junto
Adriana Calcanhoto
Busco as palavras certas
Mas talvez errada seja a hora
A situação, o lugar
Ou não,
Tudo o que tem que ser o que é
E ponto
No dia 3 de março de 2003 – num sábado de carnaval -, à 15h30, há quase 40 milhas da costa do Espírito Santo, já no través de Barra do Riacho, numa viagem em solitário, meu veleiro Aquarela perdeu o leme, não foi uma avaria, quer dizer não quebrou, simplesmente ele desembarcou, afundou no mar de Iemanjá, fiquei a deriva por quase uma hora, até que ancorei no meio do nada.
Daí a história continua no diário de bordo no site do Aquarela, se tiver curiosidade pode clicar aqui para ler esse relato.
Isso aconteceu há oito anos e por acaso hoje me lembrei, na memória parece que foi ontem, na rotina que a vida me leva parece uma eternidade.
Estou sempre fazendo
e desfazendo malas
Sempre no movimento
Seguindo a rota do Sol
De repente
de frente
desnudo a emoção
de olhar
a descoberta...
te encobre
recobre de desejo
beijo...
a rua – nua
tua .. tão tua
entardece a noite
A lua ...
te veste
despe a fantasia.
A pele - repele, arrepia
no toque...
vasculho
e me entorno
transbordo.
Não abro mão:
de viajar
de dormir
de me divertir
de conhecer gente
de descobrir lugares.
E das que não gosto nem me preocupo.
Outro dia, naqueles dias que são perfeitos
porque não esperamos nada, nem planejamos nada
mas que no fim o acaso cuida de fazer as coisas acontecerem,
então foi num dia assim que vi O Discurso do Rei,
depois de uma viagem agradabilissima e
um almoço maravilhoso com uma amiga,
porque essas coisas so acontecem
com pessoas que tem a mesma sintonia da gente.
Vi o filme, que tem a sutileza da angustia,
a cumplicidade da solidariedade, a força do carater.
Vi antes do Oscar por indicação de uma amiga,
e quer saber eu gostei muito, quase sofri com Bertie,
embora contos de fadas reais não são bem a minha praia.
Revi os dramas e os esforços de superação,
de uma pessoa que não era comum por que era um prïncipe,
mas porque superou o medo
e conheceu a fronteira dos seus limites e a ultrapassou.
Daqui a pouco é amanhã
e eu ainda nem sonhei
nem adormeci
Me esqueci de mim mesma do lado de fora!
…Vazia a casa
Raios, no entanto, desse olhar sobejo
Oblíquos cristalizam tua ausência.
Vejo-te em cada prisma, refletindo
Diagonalmente a múltipla esperança
(…)
Numa perplexidade de criança.
Conjugação do Ausente - Vinicius de Moraes.
Lanterna dos Afogados”, velha sala negra de um sobrado colonial, que acolhia os negros que trabalhavam no cais, marinheiros, mulheres, todos o frequentavam para ouvir músicas, modas tocadas ao violão, histórias de arrepiar.
O botequim pertencia à viúva de um marinheiro que o montara havia muitos anos, ela era uma mulata escura que fazia arroz-doce para os fregueses e “bóia” para os marinheiros..
Lá em cima do morro via a fila de luzes que era a cidade em baixo. Sons de violão se arrastavam pelo morro mal a Lua aparecia..
árvores que se fecham, o silêncio do mato, sem fim se estende na sua frente.
Ficava no Cais do porto, onde as mulheres esperavam seus maridos voltarem do mar, naquela angústia de não saber se voltariam, os aguardavam à noite, no porto, com suas lanternas acesas a fim de ajudá-los a encontrar mais facilmente o caminho de volta pra casa.
Outros encontraram o caminho do mar, que era a única solução para a vida de solidão que levavam. O espaço condicionou as ações das pessoas, que era marca da liberdade e da tristeza, da vida e da morte.
Jibiabá – Jorge Amado -1935
Começa assim, uma noite quente te põe pra fora da cama cedo.
Então ponho o pé na estrada e vou de encontro à minha grande amiga .
E o dia fica assim perfeito, com horas de conversas sem fim,
risadas, planos, sombra e mais risadas.
Horas. horas e horas a fio da mais absoluta tranquilidade e felicidade.
Resumir as emoções em palavras
Resumir o passado em partidas
Resumir o futuro em desejos
Resumir a vida, vivendo.
eu em vivo em pedaços
não sei ficar de abraços cruzados
as repostas ficam arquivadas no passado
entendo pouco de outras coisas
mas gosto mesmo é de palavras
qualquer pensamento escrito
é a solução do silêncio falado.
Se eu pudesse pensar sem palavras
Se fosse ontem o meu entardecer perfeito
Uma lasca de pensamento me retornaria à realidade
Mas agora distribuio martelos ao inferno ou
pelo menos esse é o desejo que transpiro.
O amor não resolve nada.
O amor é uma coisa pessoal, e
alimenta-se do respeito mútuo.
Mas isto não transcende o colectivo.
Levamos já dois mil anos
dizendo-nos isso de amar-nos uns aos outros.
E serviu de alguma coisa?
Poderíamos mudá-lo por respeitar-nos uns aos outros,
para ver se assim tem mais eficácia.
Porque o amor não é suficiente.
Depois de muitas horas de trabalho
meu barco agora está funcional.
E o calor para rimar está infernal.
Estou quase desejando o frio outonal
para não desejar sair do meu corpo,
que derrete, nesses 42 graus.
Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado,
quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
haja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio vento na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
Chico Buarque – Bom Conselho
A Primeira Lei da espiritualidade indiana diz:
“ A pessoa que chega é a pessoa certa .“
A Segunda Lei diz:
” O que aconteceu é a únca coisa que poderia ter acontecido.”
A Terceira Lei diz:
“ Qualquer momento que algo se inicia, é o momento certo.”
A Quarta e última Lei diz:
” Quando algo termina, termina! “
Nessa última carta.
Podia não ser, talvez nem a receba,
mas a minha intenção, é essa mesma,
te dizer mais alguma coisa,
um último detalhe que pode ter passado despercebido.
Já não sei se sinto falta de você ou de mim mesma feliz,
lógico que ainda pranteo o rompimento, as perdas,
mas consigo ser feliz na maior parte do tempo.
É isso, então sinto saudades dos momentos que passamos juntos, melhor,
da cumplicidade, da intimidade que perdemos e
da capacidade de se comunicar com o olhar, com gestos.
Nada mais carrego comigo, não tenho mais peso na bagagem.
Vou partir em breve, outra despedida sem adeus.
Ver lugares e pessoas é coisa que não faremos mais juntos.
Nunca mais ficou muito próximo.
Nas cartas que te escrevi houve uma história,
que amei tão intensamente que não sobrou mais nada.
Nem o frio das cinzas desse amor, sob meus pés descalços.
Levo na memória as marcas das viagens, das músicas, das palavras que tivemos e agora não mais.
As pessoas deviam poder fazer
somente o que gostam,
o que sonham, o que querem,
nem que seja quando a contagem
já for regressiva.
Poder viajar pra qualquer lugar
Porque a vida é perfeita
quando se está viajando.
Ao acordar, antes mesmo de tomar café,
tive uma surpresa gostosa,
ganhei dos meu vizinho IvanTaaifung,
um presente vermelho, quase vinho,
de um doce delicado e sutilmente ácido.
Marquei meus dedos, a língua e todo o resto
que toquei de intenso vermelho.
Um gosto que me levou até ao paraíso
que era a casa do meu avô
com todas aquelas árvores
das minhas frutas prediletas,
e naturalmente ao carinho que
separava as melhores
ROMÃS só pra mim.
Sexta-feira da cor de romã é tudo que podia desejar hoje!!
Traduzir em palavras as imagens que tenho na lembrança
e nos aromas que me fazem retornar.
Conto tudo isso sem recorrer aos antigos arquivos ,
começo a lembrar do tempo dos acontecimentos,
e que hoje só alcanço de relance.
Coleciono as frases na memória,
que por ser randomica me falha quando estou em paz,
mas vomita quando fervo de irritação e tristeza.
Nessas horas como um cão fico remoendo os acontecimentos,
as palavras caladas e o silêncio repetido.
Despejo no mundo toda minha vontade de gritar,
correr e fugir , de dizer que não tô nem ai!
A independência e junto com ela,
a liberdade tem um preço
é preciso coragem para pagá-lo.
A indecisão dilacera às raias da loucura
não esquece, nem supera..
A espera é dolorosa.
Os dias passarão todos iguais,
sem noção do que é viver!
Arrastando dia após dia,
numa mesmice interminável.
Está irremediavelmente encalhado no mangue.
E na previsão do tempo
chovia e ventava,
mas errou na dose e ficou tudo diferente.
Nas memórias que escreverei vou encontrar com a jovem que fui,
a criança que trouxe até hoje em mim.
Poucas vezes a reencontro sem surpresas,
mas quando isso acontece me reconheço feliz
e hoje sou muito daquela menina.
A auto-confiança que existe nas minhas entranhas,
vieram de muitas fontes e valores,
foram das coisas que vivi e das pessoas que conheci e amo.
Das amizades que vivenciei.
Esbarro nessa menina-jovem, assim de repente, é uma alegria sutil, me faz encantar com os pequenos detalhes do cotidiano.
Na maioria dos dias nem me lembro dela, nem penso nisso.
O tempo, eu sei, continua passando independente do meu pensamento ou da minha vontade,
mas também não me importo com ele na maior parte do tempo.
“Quando fazemos uma escolha,
qualquer escolha,
estamos dizendo sim para um lado
e dizendo não para o outro.
Então, algum sofrimento sempre vai haver."
Agora já passou
Não houve mágicas
Nem grande relevações
Nem precisa mais fazer promessas
Nem correr atras do atrazo
enfim a vida depois do almoço voltou ao eixo comum
Sempre, desde pequena, tinha a impressão do inesperado,
alimentava uma esperança, que com os anos se mostrou vã,
de que algo de perfeito iria acontecer,
meus desejos secretos iriam se materializar.
Hoje, melhor há anos, não espero mais nada
nem coisa nenhuma de ninguém,
para uma sobrevivência pacífica.
Mas esse ano eu tive uma coisa nova, uma revelação,
minha intuição berrou no meu ouvido: s
eja feliz com suas escolhas.
Nem quando parti
Nem agora que voltei.
Tua palavra e gestos,
tem intenções vagas,
foi o adeus que faltava!