Paul Bowles
Livro de cabeceira: histórias e outras conversas; nos mares, nos barcos, nas viagens, em todos os lugares. Tudo o que vi, conheci e vivi... ou ainda vou querer.
terça-feira, 28 de junho de 2011
A alma é a parte mais cansada do corpo
Paul Bowles
quarta-feira, 22 de junho de 2011
O céu que nos protege
“ Não preciso justificar minha existência por meios primitivos. Minha justificativa é o fato de eu respirar.
Se a humanidade não julga isso uma justificativa, pode fazer o que bem quiser comigo. Não preciso carregar um passaporte a vida toda para provar que tenho direito de estar aqui? Eu estou no mundo! Mas o mundo não é o mundo da humanidade. É o mundo tal como eu vejo.”
Paul Bowles
sábado, 11 de junho de 2011
Morte em Varanasi
O tempo passou
ou talvez não.
O tempo todo está aqui…
então Talvez o tempo não possa passar.
Às pessoas vêm e vão
mas o tempo fica.
O tempo não é hóspede.
Os dias porém eles passam.
Goeff Dyer
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Jeff em Veneza
O problema com o destino
é que ele pode chegar
muito perto de não acontecer
e, mesmo quando acontece,
raramente parece o que é.
Goeff Dyer
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Carta para Minha Mulher
Quero morrer antes de você.
Você acha que aquele que vai depois
encontra o que foi primeiro?
Eu acho que não.
O melhor seria me cremar
e me colocar num vaso
sobre o aparador de sua lareira.
E garanta que o vaso
seja cristalino,
assim você pode me ver lá dentro…
pode ver meu sacrifício:
desisti de ser terra,
desisti de ser uma flor,
para ficar somente junto a você.
E eu me tornei pó
para viver contigo.
Assim, quando você morrer,
você pode entrar aqui no meu vaso
e então viveremos juntos,
suas cinzas com as minhas,
até que uma noiva tonta
ou um neto rebelde
nos jogue fora…
Mas
a essa altura
já estaremos
de tal forma
misturados
que mesmo vertidos nossos átomos
cairão lado a lado.
Mergulharemos na terra juntos.
E se um dia uma flor selvagem
encontrar água e brotar desse pedaço de terra,
sua haste terá
por certo dois botões:
um será você,
o outro, eu.Não é que eu
esteja para morrer.
Quero criar ainda outro filho.
Estou cheio de vida.
Meu sangue é quente.
Viverei ainda muito, muito tempo -
ao teu lado.
A morte não me mete medo,
apenas não consigo sentir especial atração pelos preparativos
de nosso funeral.
Mas tudo isso pode mudar
antes que eu esteja morto.
Alguma chance de que você saia logo da prisão?
Algo dentro de mim me diz:
talvez.Nazim Hikmet
domingo, 5 de junho de 2011
Dia dos namorados
Lendo uma frase da minha sobrinha no twitter me lembrei desse caso a respeito do assunto do título do post.
Tenho uma amiga de infância que mora em outra cidade, ela ia se casar no dia 13/06 (faz muito tempo isso), na véspera do casamento não tinha nada programado, então resolvemos sair só nós duas mesmo, uma vez que moro longe e nos vemos pouco, pra comemorar a despedida de solteira dela, tomando uns ‘chopes’, até ai tudo bem comum.
Tentamos uns bares e pizzarias e nada de vaga, era uma sexta-feira, tudo lotado, depois de meia hora rodando de carro, conseguimos um barzinho, que só tinha lugar no balcão, ficamos lá conversando, rindo e colocando as fofocas em dia, tinha tempo que não nos víamos, lá pelo 3º chopp percebemos que estávamos sendo observadas com alguma insistência principalmente pelos garçons e o barman. Olhamos em volta e só tinham casais, nas mesas vela e pequenos arranjos de flores. Nessa hora caímos na gargalhada, nos lembramos que era dia dos namorados.. não é que nessa hora o barman que também era o proprietário do bar, colocou vela e flores pra gente, aproveitou a deixa e disse: Uma rodada free pra vocês porque são o primeiro casal gay que vem aqui comemorar o dia dos namorados desde a inauguração, vocês duas lindas demais pra serem namoradas, um desperdício, ( quanto preconceito ainda).
Continuamos a rir só que agora da cara “do crente que sabe tudo” barman, afinal festa de despedida de solteira é pra se divertir!!
Pra encerrar com a ditadura comercial de comportamento social do " ter que " encaixar no padrão, como disse minha sobrinha @gabiamarals:
“Porque eu tenho que passar o dia dos namorados com um namorado? Eu passo o dia do índio com um índio? NÃAAO
sábado, 4 de junho de 2011
Un Homme Et Une Femme
Imagino se saberei ainda ler
O segredo dos seus olhos que já não me vê
A ida sem volta de uma viagem,
Onde a tranquilidade existiu.
A contagem dos minutos que faltavam para o eterno.
“Qualquer coisa de triste,
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Porque..
É melhor ser alegre que ser triste
alegria é a melhor coisa que existe”
Tudo isso em um filme tão antigo quanto eu mesma.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Geléia de morango com pimenta
Não sei mais há quantos dias comprei morangos
para fazer um novo experiemento,
geléia de morangos com pimenta.
Também nem imagino como,
mas os morangos resolveram brincar
de esconde-esconde lá dentro da geladeira.
A minha geladeira para escalarecer a situação,
é pequena nos seus vinte centimetros quadrados.
E não é eles se escondiam o tempo todo,
num jogo frio e solitário,
Agora mesmo me lembrei deles,
demorei muito para entrar no jogo,
tanto que eles morreram
de ficar escondidos no frio, me esperando.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Ser feliz ou ter razão
Recebi um daqueles e-mail que dão lição de moral, e como não é a primeira vez, decidi que não quero e não vou deixar passar. É sobre não insistir no seu ponto de vista pra não discutir porque o outro interlocutor não está disposto a ceder.
Tem gente que acha que não discutir é ser feliz, isso sim é que é triste, porque nessa hora ou você desiste do que quer, ou vira as costas e vai fazer o que quer bem longe; isso em qualquer tipo de relação (trabalho, vizinho, família, amor) é indiferença, é um sintoma que tudo vai muito mal.
Eu me cansei do jeito que as pessoas tentam tratar a vida de modo simplório, nem é inteligente, nem saudável.
É importante discutir sim, é importante fazer conhecer sua opinião, discordar não quer dizer que é contra o outro, é só que tem outro modo de entender, de achar. Assim como também é importante saber mudar de ideia, aceitar mudar. Às vezes mudar, embora traga alguma dor, é bom, faz bem.
Senão, com o tempo, por não querer discutir um vai se anulando em detrimento ao outro e isso não é felicidade.
Se você já não se importa com o outro, a ponto de para ter paz, deixa-lo falar e fazer o que quiser, também já não justifica manter-se no mesmo lugar, por uma felicidade que, talvez nem tenha notado, mas não mais existe. Ser feliz é outra coisa.
Amor, felicidade tem que ter intensidade, tem que falar o que pensa, tem que respeitar as diferenças e tem que discutir porque se expressar é entrega, é conhecer um ao outro.
E finalmente sobre o título, o que posso dizer é que ser feliz e ter razão são coisas completamente diferentes, e que poucas vezes se encontram pela estrada.
domingo, 15 de maio de 2011
Se jogue do oitavo andar
Tem gente que para ser infeliz
deve incomodar todos a sua volta,
Não tenho mais paciência
para quem não tem inteligência emocional
Tá com problemas querida,
Vou te contar um segredo todos tem problemas
Não tem senso de humor, fique calada
Tá triste, chore, mas não use de desculpa
a opinão alheia para a impôr sua neurose
O drama só cai bem em novela mexicana.
Porque dizer o que pensa, vc pode,
mas ouvir o que os outros pensam, vc não quer.
Fragilidade não é doença
Chantagem emocional a gente trata com indiferença.
O sol, o mundo e todo o resto
Não gira em torno de vc.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Sexta-feira 13
Hoje foi dia de preparar a vassoura para voos rasantes..
Mandinga, feitiço ou praga, com tanta poesia deve funcionar.
*O ensinamento é de @anitadutra que vive, também no Posta Restante*
Rede de cipó
lata de sardinha
porta de alçapão
ova de tainha
bolha de sabão
sopa de letrinha
bucha de balão
papo de cozinha.
Medo de ladrão
noite de arrepio
boca de fogão
casco de navio
pipa de papel
bem-te-vi no cio
corda de relógio
bomba de pavio.
Sunga de lagarto
dente de galinha
sovaco de cobra
pena de rolinha
asa de tatu
jura de Maria
grito de menino
rabo de cotia.
Anita Dutra
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Resta
Eu já não sei respirar quando estou ao lado seu.
Juro que me falta o ar, a paixão bateu.
Você é aquela mulher escondida
nas letras de tantas canções.
Deste lado do rio eu posso ver tudo o que é seu
Delicadeza e mistério que nem você percebeu.
Quero chamar sua atenção
com as pausas do meu violão
Resta
nada resta
Leio o seu nome nas águas do amor
que correm a deslizar
Passa
tudo passa
Se eu não consigo dizer
eu só posso escrever
cartas com o olhar
Com o olhar
Se io non posso parlare ora che sei con me
è forse un modo di osare dimmi tu che cos'è
tu che raccogli il mio cuore senza far rumore
da questo lato del fiume ogni cosa è più facile
le mani scorrono libere su di te
tu che respiri le pause della mia canzone
resta, resta, resta
ora che scrivo il tuo nome sull'acqua del fiume
passa tutto passa
ma
tu non sei una primavera
tu non sei una sera
Se apro gli occhi e ti trovo ancora?
ti trovo ancora?
Resta
nada resta
Ora che scrivo il tuo nome nell'acqua del fiume
Leio o seu nome nas águas do amor que correm a deslizar
Ana Carolina
terça-feira, 10 de maio de 2011
Fukushima não é aqui
Todo dia 10 às 10 horas da manhã
E por 10 minutos toca o alarme da Usina Nuclear em Angra.
A título de treinamento.
Hoje dia 10/05, às 10h da manhã nao tocou.
E ai quanto não toca é pra ficar parado, ou sair correndo?
Passados 10 minutos ele começa a tocar, até às 10:20
Nova dúvida e agora qual o significado do atraso,
corre ou fica parado?
Lá no Japão teve acidente nuclear,
é um lugar hiper organizado.
e todos sabem o que tem que fazer.
Aqui é Brasil e não é assim, não.
Alguém quer fazer o favor de organizar a zona
e avisar nos meios de comunicação, que não são poucos,
como funciona isso do jeito certo.
Se o alarme tocar e for verdade?? Como é que faz?!!
sábado, 7 de maio de 2011
Dia de rever as histórias infantis…
Agora mesmo no Facebook, passando de mão em mão, digo perfil, todo mundo rindo e se divertindo, inclusive eu, li esse textro abaixo, sei lá quem é o autor, mas caiu na rede vira público, sabe com o é que é, assim também não me privei de acrescentar outros detalhes, divirta-se.
Tarde demais pra pedirem que eu me comporte!!
Quando eu era pequeno eu via o Tarzan andando pelado,
a Cinderela chegava correndo meia noite,
o Pinochio mentia como um desgraçado,
o Aladin era ladrão,
Batman dirigia a 320km por hora,
Branca de Neve morava com 7 machos,
Popeye fumava grama enlatada....
Chapéuzinho vermelho que ficava de conversa com o lobo na floresta
Bela adormecida que dormia até tarde...
Fada Sininho com aquele pozinho branco,
que faz gente sair voando
E ainda querem que eu me comporte?!
Ah, tá…
Vou morrer de saudades
Aiiaiiii semana que vem eu mudo tudo de novo,
se der tempo naturalmente,
ou vontade ou outra coisa..
Ele está dando sinais de senilidade,
às vezes grita que não aguenta mais,
outras se tranca e pronto e acabou.
Como sou teimosa insisto,
mas sei que seus dias estão contados.
Fico correndo de um lado para o outro,
tentando guardar tudo que está fora do lugar,
antes que seja tarde, antes que não sobre nada
mas ele não ajuda, fica imóvel.
Se não der tempo vou ficar sozinha,
perdida e sem saber onde sou, onde estou..
É certo que isso vai acontecer,
estou me preparando.
Mas não espere muito mais de mim,
depois de um tempo, pouco tempo, acredito.
Ponho a roupa de domingo e vou sair por ai
à procura de um SUPER,
assim tipo melhor que vc em tudo:
um bom e cobiçado MAC,
porque meu querido PC depois de vc
eu mereço um tudo de melhor para ocupar seu lugar.
Dorme com essa agora, meu queridinho Toshiba.
Continue de pirraça pra ver no que dá!
sexta-feira, 6 de maio de 2011
O dia por vir
Sem limites é a dor
Sem noção são os rumores
Sem querências é o agora
Cem são todas as coisas
que quero pra mim.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Desatando os nós
Vivo de dar nós.
Estou sempre dando nó e direito.
Porque nó ‘Direito’ é bonito de se ver.
Se é pra ficar bem preso, num porto seguro,
nada como nó a ‘Volta do Fiel’,
é rápido de fazer na urgência,
desfazer na emergência
e eficaz pra ficar parado.
Se precisa enforcar o dia, o trabalho,
nada como o nó de ‘Correr’, simples assim.
Nó tem que ser bem feito,
para ser desfeito rapidamente.
Mas para aborrecer, implicar
ou provocar um nó cego basta.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Lista de desejos para agora mesmo
Chocolate quente
Biscoito folheados Fortaleza
Geléia de Laranja
Cream Cheese
Trufas de chocolate amargo
Oblivion tocando
Cobertor de orelha
Preguiça na rede
Tá bom já vou deitar,
porque sonhando já estou!
P.S.
Vizinho continua insistindo em fazer barulho,
poeira, fumar e ser intragável,
isso já tem uma semana.
Já estou desejando que chova canivente!
terça-feira, 3 de maio de 2011
Nossa Senhora da Bahia Preguiçosa: Daí-me paciência, mas muita mesmo!
Tenho poucos vizinhos, para ser clara, parede de meia, não tenho vizinhos que vivam a bordo, na mesma “rua” (entenda-se aqui Cais) tem mais dois, um no fim da rua e outro na metade do caminho. Assim é muito bom, porque ninguém ouve ninguém nem incomanda com os barulhos diários da rotina de cada um.
Mas os vem de vez enquando esses sim atormentam, porque chegam muito cedo, fazem rumores estridentes com suas máquinas, falam o tempo todo; tudo bem, o pior mesmo é quando resolvem compartilhar seus lamentavéis gostos musicais em alto e ensurdecedor volume.
Confesso que vivo bem com todo mundo, nem me lembro de ser muito encrenquinha (será?), mas silêncio é tudo de bom principalmente quando se quer dormir, mesmo que seja às dez da manhã ou às três da tarde, ou ler ou trabalhar, afinal pra mim hoje também é domingo!
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Dias assim
Nem precisa se preocupar
Nem vou te buscar
As horas passam e eu aqui
de pijama ouvindo a chuva no convéns
Dani, Gabi e Tico
Receita para férias
Modo de preparar:
Junte três pré adolescente e adolescentes num barco de 22 pés e sem TV, num calor de 35 graus, mar, praia, muita comida (porque a fome nessa idade é absoluta), kilos de sorvetes, litros de águas, sucos e refris, centenas de pãezinhos, queijos e outras delícias, bolos, biscoitos, frutas, baralho, jogos, máquina fotográfica, muita risada, histórias mirabolantes inventadas, reais e misturadas, internet, adivinhações, gargalhadas, muitas caminhadas, velejadas, bicicleta, pastéis, mais sorvetes, banho de chuva e de mar, almoços deliciosos, festas, sorrisos, conversas sérias, música, passeios pela mata, nos rios, nas cidades históricas, amigos, papo furado, risos, sonhos, sapos.
Misture tudo em doses generosas e deixe fazer muito volume. Os dias passarão num minuto, e a saudade que vai ficar no lugar será inesquecível.
Então sobrinhos o convite está de pé quem tem coragem??
domingo, 1 de maio de 2011
Fazendo frio
Vou por ai caminhando na chuva, no frio
Sei que meu tempo chegou
O sol me espera acima do equador
Onde a vida tem agora mais calor
Vai cantar em Fernando de Noronha
Tinha um passarinho se esgoelando na minha “janela”, só podia estar achando que aqui é Fernando de Noronha. Tentei abstrair mas ele foi insistente, levantei para fazê-lo entender que não é hora de acordar ninguém, mas não é que me surpreedi com o presente..
Taí, já vi, fotografei, postei e vou voltar a dormir,
à essa hora é quase vespera.
sábado, 30 de abril de 2011
Decompositora
Hoje é um dia de música. Desde pequena fui influenciada pela música que ouvíamos em casa, geralmente clássica.
Ouvindo Águas de março, me lembrei que foi a segunda música que tenho lembrança de saber cantar decor aos 4 ou 5 anos de idade, a primeira foi Carinhoso, mas que eu inventava os versos em idiomas também inexistente.
Depois foi me lembro ainda primeiro LP, era dos Secos e molhados.
Ai veio o Chico, o Buarque de Holanda, um LP de capa em detalhes verde, como seus olhos mais verdes ainda. Foi uma paixão que durou anos.
Muito tempo e outra cidade depois vieram os mineiros, eram muitos e muito bons, Elis e bossa nova que já não era tão nova conheci na mesma época; mais meia década vieram as bandas roqueiras de Brasília.
Ai meu gosto foi tendo tendências diferentes da moda. Agora ouço música do mundo todo, de estilos diferentes.
Mas confesso que ainda não tolero funk, punk, pagode de quinta categoria e nem sertanojo.
Tentei eleger a minha música predileta, aquela.. a que me transporta para outro mundo, não consegui achar uma única, porque na minha vida a música nasceu para dançar, para viajar, para trilha sonora, para sonhar, para recordar e acompanhar.
Ontem estava ouvindo Oblivion- A. Piazzolla, agora to escutando Lanterna dos Afogados. Mas sei qual será minha última música, é a sinfonia de número 6 De Tchaikovsky.
A um outro detalhe nada muito alto porque mesmo ouvindo boa música gosta também de escutar meus pensamentos. E o melhor disso tudo é cantar inventando as frases de acordo com a memória ou a conveniência!!
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Comum simplesmente
As vezes acordo cedo
As vezes durmo tarde
As vezes eu escuto
Como nos dias em que
a alegria é hospede
da surpresa, do simples..
Príncipe virou um chato ou sapo
Essa semana foi uma overdose da história do casamento real,
vi de tudo, de piadas à demonstrações de emoções.
Cifras absurdas dos valores envolvidos,
estáticas neuróticas dos desejos plebeus..
Mas uma coisa eu pude ver nisso tudo,
que hoje depois de séculos,
de ter mudado até de milênio,
a humanidade ainda acredita em contos de fadas.
As mulheres ainda esperam por seus príncipes,
mesmo que eles virem sapos depois.
E os homens sonham com suas princesas,
bonecas perfeitas segundo sua vontade.
O que vejo é um monte de gente infeliz
com a sua própria realidade.
Transportam para a fantasia,
não seus sonhos de uma vida feliz
ou diferente ou comum ou louca,
mas as conquistas alheias como sendo suas,
vivendo a ilusão do pseudo mundo perfeito.
Acorda que o dia já raiou faz tempo!
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Aniversário
Fazer niver é assim demora muito pra chegar, dura pouco, vem precedido de um inferninho astral, e geralmente é um marco, um fim e início de ciclo.
O melhor de tudo que se pode comemorar quantas vezes quiser.
No meu esse ano, as felicitações começaram uma semana antes, por causa do FB que mandou o aviso adiantado.
No dia mesmo eu trabalhei, velejando naturalmente, recebi muitas mensagens e telefonemas que me emocionaram.
Na volta pra casa tomei banho de mar em Itanhangá, dois banho de chuva na hora de tirar a âncora e atracar.
Depois teve festa surpresa preparada pelos amigos que são tudo de bom nessa vida de verdade.
E agora já é o dia seguinte tem mais comemoração que mesmo atrasada tem gosto de quero mais, porque prolonga as homenagens por mais um pouco.
Se pensa que acabou que nada, na quarta tem mais festa!!
Estou muiiiitooo feliz!! Obrigada a todos meus amigos e familiares!!
sábado, 23 de abril de 2011
Jorge sentou praça na cavalaria
terça-feira, 19 de abril de 2011
Dia de índio
Dizem que a vida começa aos quarenta. Acredito mais que é a metade da estrada, daí por diante é morro a baixo. Cheguei até pensar em começar a contar de forma ao reverso. hoje eu estaria com uns trinta e quatro indo para os trinta e três.
Se me incomoda envelhecer, bom na maior parte do tempo nem me lembro, em alguns momentos até me irrrita, principalmente quando sinto a limitação que a idade, os calores e outras coisinhas mais.
Mas de resto adoro festa e comemorações de aniversário.
Tempo, os dias, meses tudo segue e não pará nunca. Faço o que gosto como trabalho na maior parte dos meus dias, nos outros viajo, navego ou tomo banho de mar.
A vida hoje está muito parecida como foi em 2005 /06, poucas diferenças.. me lembro particularmente desses anos porque me aconteceram surpresas que adorei, como um dia de dezembro quando volto para o barco e encontro um presente de Natal, sem bilhete.
Depois na Páscoa ganhei um ovo do coelhinho que deixou no meu barco, e que encontrei meio derretido quando voltei do charter.
Por duas vezes ganhei presente de niver, que encontrei quando cheguei a bordo. Foram fatos isolados de pessoas amigas diferentes.
Já trabalhei várias vezes no meu niver, sempre com algum tipo de comemoração. Esse ano tem páscoa, niver e trabalho tudo junto no mesmo dia. Podia vir acompanhado surpresas também.
É querer muito..
domingo, 17 de abril de 2011
Cheia a lua
A lua inteira de frente pra mim.
Seu multiplo reflexo no mar
Fico horas sentada no barco
Esperando uma brisa,
Um movimento definitivo.
Homenagem ao Tatuamunha
No charter que fiz semana passada,
com uma família muito legal israelense,
aprendi que sábado é domingo.
Meu amigo Hélio que está no Egito
acabou de contar que lá sexta é domingo.
E que nesses lugares hoje é segunda...
Aqui pra mim que vivo no paraíso,
hoje , ontem e anteontem foi e é domingo.
Mas amanhã... peraí.
Que Domingo é mesmo amanhã?
sábado, 16 de abril de 2011
Teus
Agora a pouco estava falando com meu filho que tá lá longe, do outro lado do oceano. Ele cheio de planos, de aventuras, contando-me sua próxima viagem, das compras dos roteiros, das logísticas, para o País Basco e a França.
Vão em três amigos de carro alugado, compras de mercado, foguareiro, couch surfing, caroneiro no meio do caminho de um site frances e cheios de novidades, expectativas.
Ai me lembrei da viagem que fizemos juntos por mais de dois meses.
Se tem um bom companheiro de viagem é ele. Nem vou dizer coisas como modéstia porque não gosto dessa palavra, gosto de intensidade, de qualidade e quando é bom é bom mesmo.
Me deu uma saudades !! Me deu uma vontade de viajar de novo com meu filho. Então Teus, boa viagem e divirta-se, seja feliz.
Logo, espero, estaremos mais pertinho pra nossa próxima viagem juntos.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Onde nascem as lembranças..
Do cheiro de terra molhada na hora da chuva
De uma música antiga que se ouve de repente
De conversas inesperadas
No banho de mar ao entardecer
As lembranças existem simplesmente.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Coisas que me acontecem
Perdi o barco que faz o transporte para Alcântara, ele sai muito cedo às 7h da madrugada, quem me conhece sabe o quanto eu amo acordar cedo, mas nesse dia corri ,cheguei lá às 6h55, mas já estava lotado. Tinha um catamarã que sairia uma hora depois. Fui conversar com o dono do barco para ver se iria a vela ou com o motor de popa de 25 HP.
Conversa vai e vem, me informou que ia velejando. Me convenci e embarquei, não antes de contar que também velejava e que morava num veleiro e patatipatata (mea culpa - falo muito mesmo).
Depois que saímos do porto e o barco pegou velocidade o comandante me chamou e me deu o leme e disse o rumo, ‘ali naquela ilha mais alta’.
A vantagem que na Baia de São Marcos sempre tem vento na mesma direção - través - e a correnteza forte da maré vazando seus 6m.
Quando o comandante sumiu pra dentro do barco, houve um silêncio e desconforto geral, uma passageira pegou a direção do barco. Todos se olhavam e havia um burburinho no ar.
Levei o barco por meia hora, que planava, e eu me divertia.
Então devolvi o leme para o dono do catamarã e ouvi um suspiro coletivo... morri de rir!
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Vida interessante ou feliz
“ Pessoas com vidas interessantes não têm fricote.
Elas trocam de cidade.
Investem em projetos sem garantia.
Interessam-se por gente que é o oposto delas.
Pedem demissão sem ter outro emprego em vista.
Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram.
Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes.
Não se assustam com a passagem do tempo.
Sobem no palco, tosam o cabelo,
fazem loucuras por amor,
compram passagens só de ida.
Para os rotuladores de plantão, um bando de inconseqüentes.”
Marta Medeiros
domingo, 10 de abril de 2011
Ex onze voltas
Refazendo meu colar de 11 voltas,
de sementes de capim navalha,
De repente cai o espelho,
do nada em cima de tudo,
pra salvar minha sorte,
dos 7 anos de azar
caso ele quebrasse, fiz um caos,
todas as 8 milhões de continhas
se espalharam pelo barco todo.
Agora que catei todas de novo,
descobri que consegui juntar
somente metade que deixei cair
o resto se perdeu nas profundezas dos porões.
Sigo a vida espalhando sementes de capim navalha !
sábado, 9 de abril de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
“Quando o segundo sol chegar para realinhar as órbitas dos planetas…”
Tem gente espalhada pelo mundo todo
Gente que fala o mesmo idioma que eu
E que navega, flutua ou circula pelo mundo
inclusive o virtual
Que lêem o que publico aqui,
as vezes comentam,
outras mesmo em silêncio
se manifestam nas entrelinhas,
e repetem o mesmo gesto
de se supreender, de se calar
lá do outro lado do indico, do pacífico, do atlântico
da serra, das montanhas, das curvas..
E se o segundo sol não chegar
e se as órbitas continuarem desalinhadas,
e se o nunca virar pra sempre
ainda assim existirão
as palavras escritas
as ditas palavras…
e que agradecem e agradeço eu também!
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Onde o céu toca o chão
Tão baixo era o céu
Tão alta eram as dunas
Tão longos eram os ventos
Que se misturavam
e se tocavam lá perto, no infinito.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Novo Rio
Ontem na rodovária quando voltava pra casa, me acontece algo no mínimo inusitado, estava lendo esperando a hora do bus, tinha do meu lado um rapaz com uma mala pequena e um pacote que podia ser um presente. Do outro lado dele uma senhora.
O rapaz se levanta e diz pra mim dá uma olhada nas minhas coisas que só vou ali buscar uma coisa pra beber, eu devo ter feito uma cara, porque ele imediatamente disse é rápido, e não tem uma bomba na mala, juro que não demoro.
E desapareceu, passado uns cinco minutos a mulher me olhou e disse que tinha pegar seu ônbus, me contou uma historia confusa que não entendi direito, me distrai por um segundo e ela também desapareceu, assim como rapaz, no ar!
Olhei para todos os lados tentando reconhecê-lo, mas já não me lembrava nada da sua fisionomia, nem se quer da sua roupa a não ser uma vaga lembrança de algo bege.
O tempo foi passando cheguei a ler um capítulo inteiro, e comecei a ficar incomodada com a situação, tudo bem que bomba não é coisa pra Brasil, mas e se for algo assim ilícito que qualquer outra pessoa venha pegar, deixo pegar? e se.. Ou ainda for aquela pegadinhas ridiículas que passam domingo a tarde na TV? Nóia de quem acabou de voltar de férias do interior do inteiror do Brasil e caiu de paraquedas na rodoviária da cidade grande. Desconforto!
Aiiiaaaa estava tão tranquila e quietinha, entretida com meu livro.. comecei a não prestar a atenção nas palavras que lia, buscava um plano B, se desse a hora do meu ônibus sair.. procuro um guarda, um segurança? Vou embora e deixo a mala ali? Olho de novo no relógio gigante perdi a noção do tempo, tem quinze minutos ou meia hora que o cara saiu?
Tem gente que é assim tranquilo com a vida, com suas coisas, com os códigos de ética afinal tinha dado minha palavra. Deixa seus pertences com um estranho olhando para não serem roubados.. coisas e atitudes que só encontro no meu Brasil.
Acabei relaxando e continuei lendo meu livro.
Ahh quer sabe se o rapaz voltou?
Sim, demorou mas apareceu, sorrindo, bebendo guaravita, falando sem parar no seu telefone/rádio e sua blusa era listrada de preto e branco e a bermuda amarelo claro, quase bege.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Maluquinha do Mar
Pra quem conhece a minha história, entenderá minha simpátia por esse barquinho, e não vou dizer mais nada. Quer saber porque… leia no link.
sábado, 2 de abril de 2011
Voltando
A viagem de Barreirinhas até Paulino Neves foi uma boa aventura,
com trilhas que desapareciam, dunas e lagoas, foram quase 4 horas para percorrer 72km, de uma beleza que nos faz esquecer todo o resto do desconforto.
Mas a volta de Tutóia direto para São Luis foi um caos, gente passando mal, pneu furado, um zilhão de paradas e 10h de viagem.
Ninguém merece. Quer uma dica?
Vá e volte pela mesma trilha, é mais bonita e divertida.
quinta-feira, 31 de março de 2011
No ritmo dos caranguejos
Perdi a noção do tempo,
hoje pra mim era amanhã.
Ao me dar conta de que dia é hoje,
constatei que tive dois ontem no anteontem,
o tempo parou em algum lugar
ou fui eu que perdi o trem..
Agora corro atrás do tempo perdido
minha partida esta bem perto.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Cavalo Marinho
Um dia inteiro pelo Delta do Parnaíba: Dunas, praias desertas, lagoas de água doce e transparente, guarás azuis, caranguejos vermelhos e
Josias - o guia e piloto do barco - mostrando as belezas, delicadezas e surpesas dos manguezais.
Delta do Parnaíba
Navego por entre os manguezais, caminho por dunas e lagoas, e mergulho no mar quente para matar a saudade de casa.
terça-feira, 29 de março de 2011
Clareia manhã
Sobre as águas prateadas do Delta,
caminho pela praia, sem destino
ainda é muito cedo, ou talvez tarde demais.
domingo, 27 de março de 2011
Quando em viagem
Uma realidade paralela
Uma impressão dispersa
Uma vontade esquecida
Um retorno que aguarda
para uma vida cotidiana
que ficou no mesmo lugar.
sábado, 26 de março de 2011
No meio do nada
Muito fina a areia que o vento levava,
nas dunas os contornos
desenhavam as curvas
em pensamentos perdidos.
E eu me distraía
com a imensidão branca
em busca do horizonte salgado.
sexta-feira, 25 de março de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
Pensando bem
Tentei não pensar
Tentei não lembrar
Tentei por fim,
não esquecer
Mas tem um céu azul do lado de fora
Tem a música nos meus ouvidos
Tem nossa história diante dos meus olhos.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Até o fim do mundo
“Oh! tristeza me desculpe,estou de malas prontas
Hoje a poesia veio ao meu encontro
Já raiou o dia, vamos viajar
Vamos indo de carona
Na garupa leve do vento macio
Que vem caminhando,
desde muito longe
Lá do fim do mar ”
As fotos e o relato, tudo junto na viagem do deserto até o fim do mar, pelo Chile e Argentina, está tudo la no site do Aquarela. http://www.veleiro.net/aquarela/Textos/Até%20o%20fim%20do%20mundo.htm
domingo, 13 de março de 2011
De tanto avesso virou tudo do direito
Teve pássaros de manhã
se esgoelando até me acordar.
Teve sol até esquentar
Teve chuva sem molhar
Tem coisas que não cabem
na mala ou na bolsa
quando vou aprender a não carregar meio mundo.
Sublimar e invejar a vida de tartaruga.
sábado, 12 de março de 2011
Memória
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
O fim da linha
Lógico que não será a última vez
Lógico que não cancelarei as palavras
Mas também é lógico que aqui
pensamentos, emoções e outras verdades
não serão mais ditas ou repetidas.
O ponto mudou de lugar
A pimenta, o limão vão temperar outros olhares.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Toda sexta-feira
Toda sexta-feira toda roupa é branca
Toda pele é preta
Todo mundo canta
Todo céu magenta
Toda sexta-feira todo canto é santo
E toda conta
Toda gota
Toda onda
Toda moça
Toda renda
Toda sexta-feira
Todo o mundo é baiano junto
Adriana Calcanhoto
Busco fechar os olhos para não ver
Busco as palavras certas
Mas talvez errada seja a hora
A situação, o lugar
Ou não,
Tudo o que tem que ser o que é
E ponto
quarta-feira, 9 de março de 2011
Tempo consumido
Cada palavra é um lamento.
Um gemido transparente.
Um desejo que se dilui na distância.
é preciso escolher,
mas não há mais nenhum parâmetro.
Me encontrar em mim mesma,
para doar alma aos ventos.
Deixar de agradar as vontades sem eco.
Busco uma janela sem sol,
um horizonte mais próximo.
Onde provocar esse silêncio velado,
refletido, tão repleto de metáforas?
domingo, 6 de março de 2011
Para que?
Minhas revoluções já começaram há muito tempo
E você continua pensando em que armas vai usar.
Para que?
A nossa revolução não precisa de armas,
ela é justamente para acabar com todas elas.
É para que as pessoas vivam os seus sonhos
Para se livrarem dos limites que se auto impuseram,
não posso esperar você se decidir pela milésima vez
e na hora H, outra vez adiar a partida,
você não merece perder
você tem tudo para ganhar
essa derrota eu não quero - eu não vou assistir.
O único limite que eu tinha era eu mesma.
E esse já não existe mais.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Ou tem uma eternidade ou foi ontem mesmo
No dia 3 de março de 2003 – num sábado de carnaval -, à 15h30, há quase 40 milhas da costa do Espírito Santo, já no través de Barra do Riacho, numa viagem em solitário, meu veleiro Aquarela perdeu o leme, não foi uma avaria, quer dizer não quebrou, simplesmente ele desembarcou, afundou no mar de Iemanjá, fiquei a deriva por quase uma hora, até que ancorei no meio do nada.
Daí a história continua no diário de bordo no site do Aquarela, se tiver curiosidade pode clicar aqui para ler esse relato.
Isso aconteceu há oito anos e por acaso hoje me lembrei, na memória parece que foi ontem, na rotina que a vida me leva parece uma eternidade.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Com o sol na bagagem
Estou sempre fazendo
e desfazendo malas
Sempre no movimento
Seguindo a rota do Sol
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Brincando com metáforas
De repente
de frente
desnudo a emoção
de olhar
a descoberta...
te encobre
recobre de desejo
beijo...
a rua – nua
tua .. tão tua
entardece a noite
A lua ...
te veste
despe a fantasia.
A pele - repele, arrepia
no toque...
vasculho
e me entorno
transbordo.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Das coisas que gosto
Não abro mão:
de viajar
de dormir
de me divertir
de conhecer gente
de descobrir lugares.
E das que não gosto nem me preocupo.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
O discurso
Outro dia, naqueles dias que são perfeitos
porque não esperamos nada, nem planejamos nada
mas que no fim o acaso cuida de fazer as coisas acontecerem,
então foi num dia assim que vi O Discurso do Rei,
depois de uma viagem agradabilissima e
um almoço maravilhoso com uma amiga,
porque essas coisas so acontecem
com pessoas que tem a mesma sintonia da gente.
Vi o filme, que tem a sutileza da angustia,
a cumplicidade da solidariedade, a força do carater.
Vi antes do Oscar por indicação de uma amiga,
e quer saber eu gostei muito, quase sofri com Bertie,
embora contos de fadas reais não são bem a minha praia.
Revi os dramas e os esforços de superação,
de uma pessoa que não era comum por que era um prïncipe,
mas porque superou o medo
e conheceu a fronteira dos seus limites e a ultrapassou.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Noite a dentro
Daqui a pouco é amanhã
e eu ainda nem sonhei
nem adormeci
Me esqueci de mim mesma do lado de fora!
És tão profundamente..
…Vazia a casa
Raios, no entanto, desse olhar sobejo
Oblíquos cristalizam tua ausência.
Vejo-te em cada prisma, refletindo
Diagonalmente a múltipla esperança
(…)
Numa perplexidade de criança.
Conjugação do Ausente - Vinicius de Moraes.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Espaço de encontros e desencontros
Lanterna dos Afogados”, velha sala negra de um sobrado colonial, que acolhia os negros que trabalhavam no cais, marinheiros, mulheres, todos o frequentavam para ouvir músicas, modas tocadas ao violão, histórias de arrepiar.
O botequim pertencia à viúva de um marinheiro que o montara havia muitos anos, ela era uma mulata escura que fazia arroz-doce para os fregueses e “bóia” para os marinheiros..
Lá em cima do morro via a fila de luzes que era a cidade em baixo. Sons de violão se arrastavam pelo morro mal a Lua aparecia..
árvores que se fecham, o silêncio do mato, sem fim se estende na sua frente.
Ficava no Cais do porto, onde as mulheres esperavam seus maridos voltarem do mar, naquela angústia de não saber se voltariam, os aguardavam à noite, no porto, com suas lanternas acesas a fim de ajudá-los a encontrar mais facilmente o caminho de volta pra casa.
Outros encontraram o caminho do mar, que era a única solução para a vida de solidão que levavam. O espaço condicionou as ações das pessoas, que era marca da liberdade e da tristeza, da vida e da morte.
Jibiabá – Jorge Amado -1935
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Dia perfeito
Começa assim, uma noite quente te põe pra fora da cama cedo.
Então ponho o pé na estrada e vou de encontro à minha grande amiga .
E o dia fica assim perfeito, com horas de conversas sem fim,
risadas, planos, sombra e mais risadas.
Horas. horas e horas a fio da mais absoluta tranquilidade e felicidade.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Naquele dia
Resumir as emoções em palavras
Resumir o passado em partidas
Resumir o futuro em desejos
Resumir a vida, vivendo.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Por inteiro
eu em vivo em pedaços
não sei ficar de abraços cruzados
as repostas ficam arquivadas no passado
entendo pouco de outras coisas
mas gosto mesmo é de palavras
qualquer pensamento escrito
é a solução do silêncio falado.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Enquanto estiver muda
Se eu pudesse pensar sem palavras
Se fosse ontem o meu entardecer perfeito
Uma lasca de pensamento me retornaria à realidade
Mas agora distribuio martelos ao inferno ou
pelo menos esse é o desejo que transpiro.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
José Saramago
O amor não resolve nada.
O amor é uma coisa pessoal, e
alimenta-se do respeito mútuo.
Mas isto não transcende o colectivo.
Levamos já dois mil anos
dizendo-nos isso de amar-nos uns aos outros.
E serviu de alguma coisa?
Poderíamos mudá-lo por respeitar-nos uns aos outros,
para ver se assim tem mais eficácia.
Porque o amor não é suficiente.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Aquarela
Depois de muitas horas de trabalho
meu barco agora está funcional.
E o calor para rimar está infernal.
Estou quase desejando o frio outonal
para não desejar sair do meu corpo,
que derrete, nesses 42 graus.
Ao autor o mérito
Como na internet o proprietário de palavras, imagens e tudo mais se dilui no movimento entre as pessoas, não faço idéia de quem é o texto realmente, afinal já o recebi com diversos autores, ele reflete hoje a maturidade dos sentimentos, as conversas pela noite a dentro, a vontade que a felicidade seja para qualquer um e que o adeus não é pra sempre e nem nunca mais, ai vai:
Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade. Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso: se iludindo menos e vivendo mais! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Corro pra rua e vejo a tempestade
Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado,
quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
haja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio vento na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
Chico Buarque – Bom Conselho
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Na filosofia Hindu
A Primeira Lei da espiritualidade indiana diz:
“ A pessoa que chega é a pessoa certa .“
A Segunda Lei diz:
” O que aconteceu é a únca coisa que poderia ter acontecido.”
A Terceira Lei diz:
“ Qualquer momento que algo se inicia, é o momento certo.”
A Quarta e última Lei diz:
” Quando algo termina, termina! “
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Sala de embarque
se jogou no sofá ao meu lado disse bem alto:
- EU AMO MUITO, VIU?
O 'viu' tinha tanta ênfase que todos viraram para vê-la.
Depois que fez todos sorrirem,
ela desapareceu correndo pela sala..
Mais tarde, a Mariana, esse é seu nome,
voltou a sentar-se do meu lado, e me contou
que na sua camiseta estava escrito ' sorria pra mim'
e que não sabia ler mas que tinha um amigo no rio
que lhe contava tudo o que estava escrito.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
As últimas palavras
Nessa última carta.
Podia não ser, talvez nem a receba,
mas a minha intenção, é essa mesma,
te dizer mais alguma coisa,
um último detalhe que pode ter passado despercebido.
Já não sei se sinto falta de você ou de mim mesma feliz,
lógico que ainda pranteo o rompimento, as perdas,
mas consigo ser feliz na maior parte do tempo.
É isso, então sinto saudades dos momentos que passamos juntos, melhor,
da cumplicidade, da intimidade que perdemos e
da capacidade de se comunicar com o olhar, com gestos.
Nada mais carrego comigo, não tenho mais peso na bagagem.
Vou partir em breve, outra despedida sem adeus.
Ver lugares e pessoas é coisa que não faremos mais juntos.
Nunca mais ficou muito próximo.
Nas cartas que te escrevi houve uma história,
que amei tão intensamente que não sobrou mais nada.
Nem o frio das cinzas desse amor, sob meus pés descalços.
Levo na memória as marcas das viagens, das músicas, das palavras que tivemos e agora não mais.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
De pés no chão
Também as longas viagens terminam.
Ao voltar pra casa é que se tem a verdadeira medida
de tempo, distância e emoções da viagem.
Pequenos detalhes que guardamos na pele,
nas memórias ficam vivos dentro da gente.
Há momentos de ricas lembranças,
e outros melhores ainda que aparecem
de relance como recordações deliciosas.
Não carrego comigo roteiros.
Volto descalça pela praia, sem mais nada nas mãos.
Os detalhes do que vi estão aqui no Memórias Vivas
domingo, 16 de janeiro de 2011
Vida perfeita
As pessoas deviam poder fazer
somente o que gostam,
o que sonham, o que querem,
nem que seja quando a contagem
já for regressiva.
Poder viajar pra qualquer lugar
Porque a vida é perfeita
quando se está viajando.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Coisas de vizinhos
Ao acordar, antes mesmo de tomar café,
tive uma surpresa gostosa,
ganhei dos meu vizinho IvanTaaifung,
um presente vermelho, quase vinho,
de um doce delicado e sutilmente ácido.
Marquei meus dedos, a língua e todo o resto
que toquei de intenso vermelho.
Um gosto que me levou até ao paraíso
que era a casa do meu avô
com todas aquelas árvores
das minhas frutas prediletas,
e naturalmente ao carinho que
separava as melhores
ROMÃS só pra mim.
Sexta-feira da cor de romã é tudo que podia desejar hoje!!
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Nas linhas que escrevo
Traduzir em palavras as imagens que tenho na lembrança
e nos aromas que me fazem retornar.
Conto tudo isso sem recorrer aos antigos arquivos ,
começo a lembrar do tempo dos acontecimentos,
e que hoje só alcanço de relance.
Coleciono as frases na memória,
que por ser randomica me falha quando estou em paz,
mas vomita quando fervo de irritação e tristeza.
Nessas horas como um cão fico remoendo os acontecimentos,
as palavras caladas e o silêncio repetido.
Despejo no mundo toda minha vontade de gritar,
correr e fugir , de dizer que não tô nem ai!
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Reconhecer
A independência e junto com ela,
a liberdade tem um preço
é preciso coragem para pagá-lo.
A indecisão dilacera às raias da loucura
não esquece, nem supera..
A espera é dolorosa.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Sobre cotidiano e rotina
Os dias passarão todos iguais,
sem noção do que é viver!
Arrastando dia após dia,
numa mesmice interminável.
Está irremediavelmente encalhado no mangue.
E na previsão do tempo
chovia e ventava,
mas errou na dose e ficou tudo diferente.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Do início
Nas memórias que escreverei vou encontrar com a jovem que fui,
a criança que trouxe até hoje em mim.
Poucas vezes a reencontro sem surpresas,
mas quando isso acontece me reconheço feliz
e hoje sou muito daquela menina.
A auto-confiança que existe nas minhas entranhas,
vieram de muitas fontes e valores,
foram das coisas que vivi e das pessoas que conheci e amo.
Das amizades que vivenciei.
Esbarro nessa menina-jovem, assim de repente, é uma alegria sutil, me faz encantar com os pequenos detalhes do cotidiano.
Na maioria dos dias nem me lembro dela, nem penso nisso.
O tempo, eu sei, continua passando independente do meu pensamento ou da minha vontade,
mas também não me importo com ele na maior parte do tempo.
domingo, 2 de janeiro de 2011
De Martha Medeiros
“Quando fazemos uma escolha,
qualquer escolha,
estamos dizendo sim para um lado
e dizendo não para o outro.
Então, algum sofrimento sempre vai haver."
sábado, 1 de janeiro de 2011
Ano de novo
Agora já passou
Não houve mágicas
Nem grande relevações
Nem precisa mais fazer promessas
Nem correr atras do atrazo
enfim a vida depois do almoço voltou ao eixo comum
Ano de novo, novo
Sempre, desde pequena, tinha a impressão do inesperado,
alimentava uma esperança, que com os anos se mostrou vã,
de que algo de perfeito iria acontecer,
meus desejos secretos iriam se materializar.
Hoje, melhor há anos, não espero mais nada
nem coisa nenhuma de ninguém,
para uma sobrevivência pacífica.
Mas esse ano eu tive uma coisa nova, uma revelação,
minha intuição berrou no meu ouvido: s
eja feliz com suas escolhas.
Você não entendeu nada
Nem quando parti
Nem agora que voltei.
Tua palavra e gestos,
tem intenções vagas,
foi o adeus que faltava!
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Até o fim
Me espere ou não
Me lembre ou não
Me queira ou não
Vou até a terra do fogo
Vou banhar meus pés no Pacífico
Fui até o fim do mundo e ponto final
Flores ao mar
Se eu soubesse rezar faria uma prece louca,
pra Iemanjá, pra Afroditte, pra Safo.
Para o próximo ser assim perfeito como o anterior.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Desejo
Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.
Carlos Drummond de Andrade
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Lista de presente
Coisas que podem dar certo já vem prontas.
As que tem risco de dar tudo errado vem com manual.
Todas as outras tem pra comprar no made in China.