segunda-feira, 24 de abril de 2006

Niver

Como é difícil perder,
quando é tão grande o que se perde!

O amor é um, cada um!

segunda-feira, 17 de abril de 2006

Metáforas


Não se brinca com metáforas,
o amor pode nascer de uma simples metáfora.
Ao me apaixonar por um sonho, senti todas as emoções,
a vontade de sorrir, sair caminhando,
com a impressão de todo um mundo entardecendo.
No mesmo sonho, mesmo instante, num momento de prazer e cumplicidade;
te escolher... ao colher uma flor,desmanchar-se ao aroma da noite e dos amores, das pessoas...
Depois vem a chuva e a cada gota inunda um sentimento
que já nem posso senti-lo, senão ao te ver partir.
E quero tudo, todas as emoções;
porque não te amo no momento em que me adoras.
Depois vou te sorrir, te envolver, mais nada; tanto nada...
que nem sei amar, senão a quem me odeia
e por um único segundo me esqueci da angústia;
dessa solidão que me devora.
Me desfaz , maltrata e ama; num amor exclusivo
de delírios e sombras, tão frio que nem sinto o ardor do seu corpo aquecido ao sol.
Como uma dor pungente que não dói,
goteja de loucura e fantasia.
Entrego a cada palavra, aos pedaços, o meu corpo,
aos punhados, como terra antes da chuva,
antes de se tornar barro, para me transformar,
tornar à unidade expressa por mãos,
que ocultam os segredos dos sonhos, da verdade, do óbvio.
Tenho ainda uma vontade de sair correndo,
percorrendo esta estrada,
a gruta... a água,
os pássaros negros povoam meus pensamentos.
Há momentos que me deixa...perplexa, louca... só;
pois ainda existe essa nossa forma de sobrevivência,
que se debate, grita e de súbito explode em lágrimas,
me alimenta e sufoca, não de prazer,
mas de insanidade e medo... paixão.
O que há entre essas mentes que só não resistem ao encontro
dos corpos nesses desvarios.
Te vejo refletido em cada gesto e desejo,
e sei que vou te amar, em algum lugar...
e neste instante estaremos totalmente entregues à paixão, ao infinito.
E te amo.. como jamais supus te amar,
mas nem isso te basta, queres menos... tão pouco,
que ainda guardo de toda nossa imensa brasa,
a sensação de inexistência, da impossibilidade
e me desfaço diante de qualquer emoção.
E te ameaço, nessa transparência que te intimida,
enlouquece e desvanece tuas emoções.
E te empurra... te descobre no momento da escolha...
de ser capaz de te fazer feliz.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Minha praia


Hoy mi playa se viste de amargura
Porque tu barca tiene que partir
A cruzar otros mares de locura
Cuida que no naufrague em tu vivir

Cuando la luz del sol se esté apagando
Y te sientas cansada de vagar
Piensa que yo por ti estaré esperando
Hasta que tú decidas regresar
(Roberto Cantoral)

terça-feira, 4 de abril de 2006

Mudaram-se as estações

 

Um romance de férias é o que deve ser
Tem hora  marcada para o inicio meio e fim.
Alias já começa terminado,
embora todas as promessas dizem ao contrario.
A vida, a intensidade e o amor eterno
existe em sua plenitude e razão.
Até a véspera da partida,
que é quando a mala para ser feita
te avisa que esta lotada
que não cabe seu amor.
O grande amor de verão,
que na despedida ficou no outono da minha vida.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

"Tempo, tempo, tempo, tempo não serei, nem terás sido..."




Toda palavra escrita me trouxe de volta para o fim.
Num dia de verão.
Quando por muito tempo se deseja o sol, e as cores se tornam vivas ao alcance dos olhos.
Uma lasca de pensamento me retorna à realidade. Sorrir me deixa vulnerável.
Choveu por tanto tempo que sinto agora o calor aos primeiros raios.
Tenho dúvidas e desejos. Sinto-me mortal e comum, limitada e inexorável.
No que mais quero prolongo o caminho. Distribuo martelos aos infernos.
Quanto tempo não terei mais? Me roubo de mim mesma e, sou menos a cada minuto; acumulando tempo em minhas entranhas.
Como passar despercebido pelo tempo?
Fotografo meus contornos novos mas, me vejo refletida antiga e bela.
Por alguns segundos me devolvo sem promissórias ou descontentamentos.
Me consumo em visões de mim ausente, onde estou na imagem que um dia, eu fui?
O calor do sol me deixam marcas transparentes.
Ao anoitecer já não serei eu aqui.
Só minhas marcas, meus sonhos, de mim mesma, uma vaga noção do que poderia ter sido.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Despedidas







Parem todos os relógios, calem o telefone,
Impeçam o cão de latir com um osso ,
Silenciem os pianos e ao som abafado dos tambores
anunciem a vinda do caixão com seu cortejo .
Deixem os aviões, em círculos, a gemer no céu
e escreverem a mensagem, Ele Morreu,
Que as pombas guardem luto com um laço cor-de-breu.
Ele era o meu Norte, meu Sul, meu leste e Oeste,
enquanto viveu, meus dias úteis, meu fim de semana
Meu meio-dia, meia-noite, minha fala, e canção;
Meu porto seguro nas tempestades;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz, se engana.
Apaguem as estrelas uma a uma, elas não são necessárias;
Desmantelem o sol e guardem a lua;
Despejem o oceano e destruam a floresta;
pois nada mais será como antes,
a dor agora é inevitável.

(adaptação de um poema de W H Auden)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Anjo

O silêncio me trás confussões
Nem quero o que desejo
Só não realizei um sonho,
Agora é tarde!
Não dá mais tempo!
Esbarrei na morte,
e ela nem ligou!
Mas levou a parte melhor do meu sonho...

sábado, 31 de dezembro de 2005

dove sei?

 

Te busco por todas as partes,
Em todos os cantos do mundo.
Voce está dentro do meu coração
E em cada batimento,
Em cada palavra,
Em cada respiro te sentindo dentro de mim.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

Despir

 

Um dia eu fui embora
Deixei o peso, os restos
Levei comigo somente eu mesma
Era leve, a vida ficou pra trás.
Um dia eu fui embora
ou ainda irei?

terça-feira, 20 de dezembro de 2005

Despir


Um dia eu fui embora
Deixei o peso, os restos
Levei comigo somente eu mesma
Era leve, a vida ficou pra trás.
Um dia eu fui embora
ou ainda irei?

terça-feira, 13 de dezembro de 2005

Sumir

 

Pensamentos que gostaria de ter, mas já não posso!

quarta-feira, 30 de novembro de 2005

O porque

Começou assim...
escrever era só uma forma de voltar a respirar.
Depois foram mensagens em garrafas lançadas ao mar..
Cartas e mails sem respostas...
Agora são palavras públicas, explícitas...

sábado, 19 de novembro de 2005

Buscar

 

Viajo para me encontrar
numa esquina, numa praça
mas não me acho aqui.

Estarei eu num outro mar,
num outro lugar, num outro país
num outro coração?

Nós dois

é uma vida perdida entre os amores,
num espaço mesclado de união e separação
qualquer coisa que se perde,
entre nós dois e os ardores...

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

Distância

 

A vida é assim,
dias de sol
noite de lua
chuva, vento
frio e calor,
qualquer coisa é pouco
quando se esta a longe.

quinta-feira, 17 de novembro de 2005

"Pra sempre, sempre acaba"


Mas qual de nós não carrega no peito um segredo escondido.
Mas quem nunca acordou de noite querendo de volta o perdido!

Queria que chovesse muito...
tanto quanto bastasse para inundar
esse velho sentimento.

Quis te dar um beijo que ficasse,
uma marca de amor que não saísse da sua pele...
te marcar, te suar... virar você.

Canto essa bela noite,

em que você se foi de madrugada,
e toda a cidade adormecia...
entre sonhos e delírios...
marcando todo o tempo que ja não temos mais.


Do sonho de eterno ficou esse gosto acre na boca
ou na mente, sei lá, talvez esteja no ar.

Me assusto com a vida renovada
dentro de mim e procuro retê-la.
Minha alma descalça meu corpo,
que se despe dos sonhos ...

terça-feira, 15 de novembro de 2005

Mi manchi

 

Partiste sem dizer adeus
Sei que sofres tanto quanto eu
Mas é o destino ou
somos nós responsáveis
por essa dor?

Ainda não acredito

 

O vento frio não me trouxe seus beijos.
A noite escura destroçou meu coração.
De mim mesma só tenho os cacos,
guardados numa caixa de madeira.
Do meu amor guardo o gosto,
o desgosto de nunca mais.

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Secret world

 

Quando a distância se larga
Quando o frio é dentro do coração
É hora de ouvir a intuição

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Os Mortos

Só sabes me arrancar lágrimas,
outra apunhalada!
Como ainda consigo me surpreender?
Me entristece o dia a tua lembrança.
Hoje tenho todas as certezas.
Te enterrei no dia dos Mortos.
Vou chorar sua morte em mim.
Mas sobrevivo à você,
sou feita de pedra dura!
Sempre sobrevivo às minhas emoções.

Rio

Quero partir... o problema são sempre as malas.
Sem alças, sem rodas, sem fim, sem destino.
E é tarde... levo só minhas asas!!!!

terça-feira, 1 de novembro de 2005

vou , não vou

Se fizer bom tempo amanhã eu vou, eu vou...

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Sonho com a distância

 

A espera sempre demora,
é longa e interminável.
Mas a chegada vem plena de emoção,
de histórias, de lágrimas, sorrisos.
Voltar é a próxima estação.

terça-feira, 18 de outubro de 2005

Oggi

 

Aguardo uma surpresa,
uma visão, uma voz
um encontro com o destino!

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Para Domingo

 

Encomendei um sonho,
um dia de sol e vento
tanto vento que leve até seus lábios
todos os meus beijos.

sábado, 15 de outubro de 2005

De volta pra realidade

 

Vejo dias pra frente
Vejo ou imagino um futuro
mas meu desejo se lança
do passado para um presente urgente.
Mergulho meus olhos na única cor
vermelha que encontro na minha taça.
Busco, ou desisto que é melhor,
da vida que continua igual,
mesmo eu indo pra longe.
Não quero a rotina antiga,
não quero a mesma dor,
não quero a mesma indiferença.
Benvinda a morte secreta de uma vida que não quero mais.

sábado, 8 de outubro de 2005

A morte e o funeral

 

Ontem de noite, antes de dormir
meu coração foi destruído,
por palavras de medo e razão:
Com mãos fortes!
O céu chorou minha dor e perda.
Para continuar a vida hoje de manhã,
carrego os cacos que sobraram do meu amor.
Um amor que não sobreviveu  a vinte dias de mar aberto.
A lua solidária, em luto, não se deixa ver!

terça-feira, 4 de outubro de 2005

Mezzo

 

Nostra storia che non é ancora nata
gia era finita nel cuore della notte di mia partenza
Pero mio cuore piange …

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

Posta restante

 

Receber cartas podem mudar a vida,
no mínimo mandar tudo para o ar
e deixar o mundo sem chão.
Declarações em pequenas frases
que não dá para ignorar e
muito menos ser como era antes.

domingo, 12 de junho de 2005

Separação


É estranho, ter que separar as coisas,
nossas bandeiras comuns...
nossas roupas comuns,
separar o sonho, os momentos... a dor,
a loucura... e mais que isto,
é ter que começar de outro jeito.
Arrancar do peito o projeto de feliz cidade..
E aliviar a dor...e depois de tudo...ainda sentir uma frustação,
uma vontade de compreender e acabar não entendendo nada,
e se sentir só completamente só...
ainda restam lágrimas, tantas lágrimas;
um vazio, uma solidão todas as solidões
O melhor a fazer é pensar no prático,
no real, na vida daqui pra frente.
Parece que no meio, no mais profundo do coração a certeza da única coisa que na vida
que se apresentou de forma definitiva, a separação!
Remexendo nas memórias escritas me redescobri,
hora alegre, hora profundamente triste.

sábado, 14 de maio de 2005

Eternamente

 

Hoje lendo o que nos escrevemos não consigo imaginar diferente nada, é como se as coisas estivessem no lugar, do jeito que tinha que ser e depois de 31 anos tenho a impressão que ainda há muito o que acontecer.
E logo que li sua proposta meus pensamentos foram inundados por idéias e imagens sem fim, nos imaginei o dia todo juntos num lugar tranqüilo, e nós dois conversando, conversando e escrevendo e rindo.
As cartas queimadas, as horas de telefonemas e mails, muitos mails.
Onde, em que lugar eu e você jovens? Viajamos uma única vez juntos.
Como serão as lembranças as histórias particulares que se cruzaram de alguma forma. Você foi o porto seguro e eu a tempestade em mar aberto, mas muitas vezes invertíamos os papéis, as vezes eu era o forte outras não.
Escrever será como num dialogo.
Uma curiosidade, não me recordo de nenhuma “nossa música”, e tínhamos?
Quer saber de uma coisa, você me devolveu um sonho que eu não pensava há muito tempo então te agradeço de novo pela sua constância.
E no início será como… Talvez
Todos estavam incomodados com nós dois que conversávamos por horas:
"Você, eu conheci numa festa de aniversário (mês de outubro, acho) de 1979…
Se lembra de quando me conheceu? Naquela mesma festa que falei acima? Ficamos conversando a noite toda. Falamos de tudo que nossa inexperiência (e nossa vontade de abraçar o mundo) de 15 anos poderia falar. Chega de nostalgia…
"As vezes também me lembro da época que éramos jovens e a única coisa que sinto é não ter aproveitado minha juventude,não o bastante, aos extremos como cabe à juventudde mas saudades também, ainda não tenho, acho que não deixei muita coisa para trás, vivi com certa intensidade e posso te dizer que depois dos 30 minha vida ficou cada dia melhor!!
Ler seu mail me emocionou muito, bastante mesmo! Naquela época eu já queria abraçar um mundo e não enxergava a um palmo do meu umbigo. Mas suas palavras me trouxeram de volta, foi como um filme…
Me devolveua alma, a esperança, e as lembranças de jovem, como éramos jovens!! Talvez não tenha levado  por todos esses mares, as lembranças e recordações, a amizade levei por que não precisa de nada em troca, sei que seremos assim por toda a vida…  agora pensei na vida, nas pessoas que conheci. Somos todos diferentes e loucos pela mesma coisa. Nem sei te dizer nada sobre o que é amar.
No fim terão letreiros e cartazes, como no cinema..
Não, não, melhor assim:
Somos cúmplices na loucura e lucidez à distância um do outro.
E você diz: – ‘eternamente’
Peraí isso é outra história. Acho que assim já está bom.
Agora é a sua vez de escrever … o proximo capítulo.

quinta-feira, 5 de maio de 2005

O que sei de silêncios

 
Mas importante do que se fala é o que não se falou.
O que é amor senão estar frágil em meio a um tiroteio,
no momento de se reconhecer comum e dispensável...
e o incomensurável torna-se alimento
imprescindível da contuinuidade
... e ceder ao fascínio de me expor
e, me supor mortal, nua e fulgás.
Os desejos se satisfazem dos acasos,
senão ao te ver partir e querer tudo, todas as emoções
porque não te amo ao momento em que me adoras.
Te sorrir. Te envolver, mas nada
tanto nada... que nem sei amar
senão a quem me odeia e assim por um único segundo
me esqueci da angústia,
dessa solidão que me devora de prazer.
Me desfaz, maltrata e ama
Num amor exclusivo, de delírios e sombras
tão frio que nem sinto o ardor do seu corpo aquecido ao sol.
Como uma dor pungente,que não dói,  goteja, de loucura e fantasia.
Entrego a cada palavra, pedaços do meu corpo, aos punhados,
como terra antes da chuva, pouco antes de se tornar barro,
para me transformar, tornar à unidade
expressa por mãos, que ocultam os segredos dos sonhos,
da verdade, do óbvio.
Nesta vontade de sair correndo, percorrendo a outra estrada,
a gruta... a água
os pássaros negros povoam que meus pensamentos.

domingo, 3 de abril de 2005

Devaneios


Que tristeza quando os dias passam e me vem à sensação de nunca mais. E o espírito ainda sonha longe. Melhor seria se tive aproveitado quando era jovem, que arrependimento das loucuras que não cometi. Dos amores que não me permiti viver. Dos silêncios! Onde meu sonho de amor... Se soubesse o que sei agora, hoje Teria ficado nua mais vezes. Teria beijado mais. Teria mais fotos minhas. Teria feito amor todos os dias e noites. Não teria desperdiçado um só momento. Teria comido mais jabuticabas, chocolates ao por do sol. Falado com estranhos... Embriagado-me de Prosecco com morangos. Teria sido menos ligth com a vida, menos econômica com o coração. Ficaria transparente nas emoções. Viajaria por terra, por ar e por mar, sempre em lugares diferentes. Seria inconseqüente, incoerente. Gritaria que amo mais vezes ou ao menos uma vez. Permitiria-me ser frágil, mimada. De que adianta estar viva senão para fazer o que se gosta? Permitiria-me o inesperado. Brincaria com o acaso. Seguiria a intuição... Caminharia de mãos dadas ao entardecer. Se soubesse o que sei hoje não teria permitido passar tanto tempo... Deixa pra lá isso são só devaneios.

quinta-feira, 12 de junho de 2003

O presente do primeiro dia dos namorados

 

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.
Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em par. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.
Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.

Arthur da Távola

quarta-feira, 13 de novembro de 2002

Four Years

Se a poesia do amor
desfaz toda a paz
É que sua fala é de dor
E a alegria nunca mais.

Beijo Partido

Sabe eu não faço fé nessa minha loucura
e digo, eu não gosto de quem
me arruina em pedaços
e deus é quem sabe de ti
e eu não mereço um beijo partido
hoje não passa de um dia perdido no tempo
E fico, longe de tudo que sei
e não se fala mais nisso, eu sei
eu serei pra você o que não me importa saber
hoje não passa de um vaso quebrado no peito
e grito...Olha o beijo partido
onde estará a rainha que a lucidez
escondeu,escondeu

"Toninho Horta"

Faz tempo

Tuas sutilezas seduziram minha alma cansada
Tuas palavras conquistaram minha idéias
Tua voz acordou meu coração
Tua boca macia beijou meus sonhos
e te abracei de corpo inteiro.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999

Alma

 

Se quiser namorar-me,
Tenha calma.
Traga na alma a lembrança de que sou sonho
E de que não posso ser tocada do nada
Ou beijada como se mortal eu fosse.

Faça de mim algo doce,
Enfeitado de estrelas,
Enfeitiçado de ausências
E para sempre presente nos intervalos da sua respiração.

Ouça o coração
Mas o faça pulsar baixinho
Para não ofuscar o brilho do meu silêncio.
Saiba que o meu coração é cristal de crepúsculo
Poeira de astros longínquos e puros;
Não é barro que se possa moldar,
Por mais perfeito que seja o artífice.

Se quiser namorar-me,
Que seja sem pressa e sem dores,
Já verti sangue e suor
E vi desfalecerem mil flores.
Quero apenas o beijo insano,
A proposta instantânea
e a mais errônea vontade
De ser sempre sua,
Mas não hoje,
De ser sempre sua mais tarde.

segunda-feira, 10 de setembro de 1990

Escolhas

... E entre o dia e a noite,
prefiro o luar.
aprecio a primavera,
porém adoro o outono.
Entre o verão e o inverno,
prefiro o frio.
Entre o sol e a chuva,
quero as lágrimas.
Companhias, até que gosto,
mas não despenso minha solidão.