segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

"Tempo, tempo, tempo, tempo não serei, nem terás sido..."




Toda palavra escrita me trouxe de volta para o fim.
Num dia de verão.
Quando por muito tempo se deseja o sol, e as cores se tornam vivas ao alcance dos olhos.
Uma lasca de pensamento me retorna à realidade. Sorrir me deixa vulnerável.
Choveu por tanto tempo que sinto agora o calor aos primeiros raios.
Tenho dúvidas e desejos. Sinto-me mortal e comum, limitada e inexorável.
No que mais quero prolongo o caminho. Distribuo martelos aos infernos.
Quanto tempo não terei mais? Me roubo de mim mesma e, sou menos a cada minuto; acumulando tempo em minhas entranhas.
Como passar despercebido pelo tempo?
Fotografo meus contornos novos mas, me vejo refletida antiga e bela.
Por alguns segundos me devolvo sem promissórias ou descontentamentos.
Me consumo em visões de mim ausente, onde estou na imagem que um dia, eu fui?
O calor do sol me deixam marcas transparentes.
Ao anoitecer já não serei eu aqui.
Só minhas marcas, meus sonhos, de mim mesma, uma vaga noção do que poderia ter sido.

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