domingo, 25 de dezembro de 2011

E porque a vida não é curta, é breve

 

Desejo um ano de 2012 emoções e realizações

Escolhi esse farol em homenagem ao meu amigo Zé e nossas longas conversas .

Desejo

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconsequentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o João-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

 Sergio Jockymann

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O Charme de Fiskardo

 

fiskardho L (6)

Sempre demoro a escrever sobre a Grécia porque é quase uma paixão, e fico achando que falo demais sobre esse pais azul! Azuis nas bandeiras, no céu, no mar e nos telhados das casas branquinhas das encostas das três mil ilhas gregas.
Hoje vou apresentar uma vila muito pequena que fica na ilha Cefalônia, Grécia: Fiskardho.
Conheço essa vila desde 2004 e, embora a visite anualmente, sempre quero voltar, porque além de ser um point de moda, é agradável, com muitas praias de águas azuis e suas pedrinhas brancas .
A pequena cidade está entre as montanhas e o mar, espremida numa estreita faixa de terra plana, com casas muito antigas de no máximo três andares e seus bares, lojinhas, bistrôs, cafés e restaurantes, iates e veleiros que circulam a orla.
Ao entardecer, fique de preguiça numa mesinha à beira mar, distraindo o olhar com os movimentos dos barcos nas águas tão transparentes que se pode ver peixes coloridos. Enquanto isso, prove um Frappe – uma bebida tipicamente grega de café gelado, com bailey’s, sorvete de creme, ou leite e gelo, muito gostosa.
A comida é outra atração, peixes frescos e frutos do mar, iogurte grego, que é o melhor do mundo. Atende a todos os gostos, inclusive vegetarianos, nas saladas gregas, no saganaki – queijo de cabra frito servido com limão siciliano. E, naturalmente, a tradicional Pitagyrros, servido num pão(pita) redondo frito no azeite grego, com carnes de porco, carneiro, frango – assadas como churrasco(gyrros) – tomate, cebola, batata frita e tzatzik (molho a base de iogurte, pepino grego, alho), tudo isso enrolado em formato de cone.
Nessa ilha existem ainda produtos muito característicos, de produção única, como o Vinho Robola. Visitar a vinícola é um ótimo passeio para as tardes nubladas. O mel da Cefalônia é muito particular, de gosto especial com um suave sabor de tomilho selvagem – vegetação nativa da ilha, encontrada em todas as encostas.
Pra quem gosta de ousar, conheça o Ouzo (a pronúncia é Uzo), uma bebida grega feita através da fermentação das cascas das uvas e aromatizada com anis – de alta graduação alcoólica, 37 a 50 graus –, licorosa e transparente, que fica com aspeto leitoso quando adicionado água fria e gelo, muito refrescante, servida sempre com aperitivos deliciosos gregos – Meze.
Caminhadas pela vila ao anoitecer antes do jantar são um charme, não só pelas lojas de artesanato local, como também para andar pela pequena floresta que leva ao farol, de cuja ponta se tem uma visão privilegiada das montanhas e do canal, que separa Cefalônia e Itaka – a ilha de Ulisses.
Fora da temporada de verão, a cidade e praticamente toda a ilha reduzem sua população para 30%, apenas os serviços básicos continuam funcionando. Nos meses de inverno, a ilha é completamente deserta, alguns hotéis fecham nessa época.
Mesmo estando em Fiskardo na ponta norte da ilha, existem muitos lugares para conhecer além das praias, onde a cidade oferece aluguéis de carros, motos, quadriciclos e bikes, a preços razoáveis. Aproveite para visitar o lado oeste da ilha, virado para o mar aberto, onde encontrará enormes penhascos, onde as ondas se jogam com força nas pedras e se vaporizam em milhares de gotas salgadas. O pôr do sol ali é mais um espetáculo, existem bares com decks sobre os penhascos, com bela música grega, ambientes alegres que combinam com férias.
Para comunicar-se na Grécia é preciso um pouco de inglês, os cardápios nos restaurantes costumam trazer fotos dos pratos. Quanto mais para o interior da ilha e fora da alta temporada, mais difícil se torna encontrar alguém que fale inglês fluente, mas isso não é nenhum problema, os gregos são muito educados e sabem agradar os turistas.
Aventure-se em cumprimentar os gregos na língua local quando estiver na ilha, você receberá de volta uma entusiasta e calorosa resposta. Agora umas dicas para receber um sorriso em troca:
Iasus – oi e tchau ( se diz ao entrar num lugar ou quando se vai embora)
Kalimera – bom dia
Kalispera – se diz depois do almoço, vale como boa tarde e boa noite
Kalinikita – é um boa noite para despedidas, quando não verá mais a pessoa.
Parakalo – essa palavra abre portas, significa: por favor, às ordens
Efikaristo – obrigado
Para os ousados, depois de alguns ousos – Ego se agapó / Eu te amo – se ouvir isso, provavelmente você está arrasando corações, mas se é você quem diz, talvez seja melhor parar com o ouso, pedir a conta e voltar para o hotel…
Festas gregas, daquelas em que se quebram pratos, você não vai encontrar em cidades turísticas, mas somente onde os gregos passam suas férias, longe dos lugares comuns para turistas. É possível que num restaurante simples, com mesas debaixo de árvores, aconteça de ter música ao vivo e de as pessoas se animaram um pouco mais e começarem a dançar. Nessa hora, peça outra bebida ou um café e aguarde, vai rolar grandes emoções e pratos quebrando no chão. É contagiante a alegria grega.

Pra chegar: Cefalônia tem um aeroporto internacional com voos de muitos países europeus e alguns do oriente médio e norte da África. Ou você ainda pode chegar até lá de Ferryboat , a partir de Atenas ou da Itália – várias cidades italianas.

Dica: Em Fiskardo existem pequenas pousadas, hotéis e casas para aluguel de temporada. Ou ainda, se gosta de mar e sabe velejar, há muitos barcos confortáveis para charter, que são uma boa pedida, porque, além de dormir a bordo e economizar as diárias do hotel, você ainda pode ir para a praia ou a ilha que quiser, além de fazer algumas das suas refeições a bordo – restaurantes nem sempre são baratos. Para quem não sabe velejar, é possível contratar o barco com um comandante, profissionais que normalmente falam vários idiomas, conhecem muito bem a região e são pessoas divertidas e de fácil convívio.

Artigo publicado na Revista on line Vitrine RS

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Bibiela


Hoje, pelo menos hoje,
aproveite muito seu dia,
seja feliz nos detalhes,
se deixe abraçar,
beije muito,
ria bastante,
dê gargalhadas,
emocione-se!!!
Porque  quinze anos pode não parecer,
pois demora  muito pra chegar,
mas vai durar pouco e passa muito rápido,
sinta-se plena com a idade que vc tem agora
pois vc  terá sempre uma única vez,
cada uma das idades que completar.
Seja intensa na sua vida,
 escolhas,
 caminhos,
sonhos.
gabi
PS: super, apertado abraço, beijocas e tudo de melhor pra vc

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Sobre os lençóis

 

lenis-150   

Às vezes sou resistente a visitar um lugar clichê, esses cujas fotos já vimos centenas de vezes, em reportagens sobre o paraíso. Se você também é assim, esqueça tudo o que viu ou ouviu até hoje sobre as areias e lagoas dos Lençóis Maranhenses.
Como estava em Recife, fui de avião até São Luiz, depois tomei o ônibus que faz a linha São Luiz – Barreirinhas. A estrada é asfaltada e está em bom estado, e a viagem dura umas quatro horas, com direito a uma parada na beira da estrada para saborear o tradicional e típico refrigerante rosa local, “Jesus”.
Sem uma estação rodoviária, os ônibus que chegam à cidade fazem parada em frente a uma quadra esportiva. Muitos guias chegam querendo te conquistar, num delicioso jogo de delicadezas e gentilezas, oferecendo passeios, pousadas e promessas de paraísos inesquecíveis… Se estou exagerando? Nem um pouco, é assim mesmo que acontece. E não se preocupe, todos os guias são cadastrados na prefeitura e no IBAMA, pois só empresas oficialmente cadastradas podem entrar no Parque dos Lençóis.
Escolhida a pousada, parti para um bom e refrescante banho de rio. Já estava anoitecendo quando resolvi caminhar, explorando as ruas e o comércio de Barreirinhas. A cidade tem bons restaurantes, e a cozinha local agrada aos variados paladares. Outra atração são os sucos, caipirinhas – pra quem curte – e os saborosos sorvetes de frutas nativas.
Passei pela agência de turismo – cujas portas ficam abertas até a chegada do último ônibus – indicada por uma amiga e escolhi o passeio para o dia seguinte. O dia amanheceu preguiçoso e, embora já fosse outono, fazia calor e sol desde muito cedo. Fiquei a manhã toda na rede de frente para o Rio Preguiça.
O caminho que a Toyota fez para nos levar às lagoas Azul, Esmeralda e Dos peixes já era uma aventura, a estrada de areia fofa com trechos com água que, combinados, tornam-se uma perigosa areia movediça. É preciso muita experiência para rodar por ali.
Ao chegar, via somente um mar de areias sem fim. Depois de uma pequena subida, pude ver inúmeras lagoas circundadas pelas dunas, de areias brancas e muito finas. Escorrego do alto das areias e vou mergulhando nas águas transparentes e mornas, tão agradáveis quanto um abraço. Caminho por horas nesses oásis.
Ao entardecer, o sol modifica toda a paisagem, as areias brancas ficam de um vermelho alaranjado, e as lagoas refletem as nuvens coradas no seu silencioso espelho d’água.
O segundo passeio, no outro dia, foi pelas águas do rio Preguiça, passando por mangues, dunas de areias vermelhas, longas lagoas rasas, e o Farol de Mandacaru e Caburé, uma faixa estreita de areia que separa o mar do rio Preguiça. Imagine só tomar banho de mar e de rio, separados por poucos passos, quase ao mesmo tempo.
Dependendo da época do ano, pode-se visitar a lagoa Bonita, que é mais longe da cidade e exige que caminhemos um pouco mais. Ao chegar lá em cima, fiquei sem palavras, nem tanto pela subida íngreme, mas porque se tem a exata dimensão da extensão do parque, dezenas de quilômetros de dunas e lagunas de água doce até chegar ao mar.
O que mais me impressionou foi o vento constante, apagando qualquer marca que deixássemos nas areias, o que torna muito fácil se perder por lá.
Outro passeio que vale a pena é Cardosa, onde se desce o rio de boia, simples assim. O rio tem uma temperatura agradável, águas transparentes, muitas árvores margeando e fazendo sombra. O rio é raso, de fundo de areia branca e correnteza muito fraca, o que nos permite descer lentamente, curtindo a experiência e se divertindo. Não se preocupe, no fim do rio não tem uma cachoeira, o passeio acaba numa espécie de praia.
Depois de cinco dias em Barreirinhas segui viagem, debaixo de chuva, numa Toyota com três bancos na carroceria para Paulino Neves, que foi outra boa aventura. As trilhas (que os nativos chamam de estrada) que nos levam à primeira parada, Paulino Neves, desapareciam em meio às dunas e lagoas, sem quaisquer vestígios que pudessem sinalizar uma estrada. Por ali, vi todo tipo de animais, vivendo livres nos Lençóis Pequenos. Foram quase 4 horas para percorrer 72 km, de uma beleza que me fez esquecer de todo o resto do desconforto.
De lá segui para Tutóia, onde pernoitei durante os dias em que fiquei pela região, nos canais do Delta do Parnaíba, ilhas, dunas, praias desertas, lagoas de água doce e transparente. Vi cavalos selvagens vivendo livremente pelas ilhas, raros guarás azuis, caranguejos vermelhos, a beleza, a delicadeza e as surpresas dos manguezais, onde visitei o berçário de cavalos marinhos nos mangues.
Tutóia é a última cidade do Maranhão, quase na fronteira com o Piauí, pequena, simples e bem organizada, tem até faculdade. A vida cotidiana gira em torno das águas, das marés, da pesca de peixes, do caranguejo transportado aos milhares para todo o mundo, dos barcos e do turismo.
Perdi a noção do tempo andando pelas dunas nas ilhas, nadando no mar e nas lagoas. O tempo parou em algum lugar, talvez sobre as águas prateadas do Delta, caminhei pela praia, sem destino, ainda é muito cedo para partir.

Como chegar:
De avião: até o aeroporto de São Luiz e, de lá, há uma linha de ônibus três vezes por dia para Barreirinhas, ou, ainda, até o aeroporto de Teresina, que fica bem mais perto de Barreirinhas. Outra opção para quem está de carro 4×4, é percorrer o litoral desde Jeriquaquara. Várias agências de turismo oferecem esse tour com veículos apropriados.

Dicas:
Sempre faz calor no nordeste, o que diferencia as estações é que de maio a novembro não chove e, de dezembro a abril, tem pancadas de chuva todos os dias. Portanto, coloque na sua bagagem roupas leves, algumas blusas claras de manga comprida para proteger do sol nas caminhadas, muito protetor solar, boné ou chapéu, óculos de sol, chinelos para andar nas dunas, repelente, máquina fotográfica.
Nos passeios, leve água e algum lanche, porque eles costumam durar muitas horas. Na cidade, há uma agência do Banco do Brasil, um posto do Bradesco que funciona nos Correios, e agências lotéricas para os clientes da CEF.
Para mais informações de passeios, agências ou outras dicas, escrevam para a coluna Prazer em Conhecer.

Artigo publicado na Revista VitrineRS

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Ushuaia –

 

O início é logo ali no fim do Continente

Acordando mto cedo para ver neviscar

 

Dizem que fica no fim do mundo. Mas é ainda tão isolada e selvagem que parece mais o começo do mundo, mas é logo ali na pontinha da nossa América do Sul, demora para chegar, mas vale à pena ir, conhecer, visitar e ficar por lá.
Escolha a época do ano que quiser, será sempre frio ou muito frio.
Para chegar atravessamos o Estreito de Magalhães de ferryboat e percorremos de carro toda a ilha da Terra do Fogo, poucos quilômetros de estrada de ripio do lado chileno e asfalto na maior parte argentina da ilha.
Paisagens patagônicas onde predominam a vegetação rasteira, muitos carneiros, lagos, florestas e o Oceano Atlântico completamente enlouquecido, pelo o vento forte, que arrebentava violentamente suas ondas nos penhascos e praias.
É uma cidade pequena que não tem para onde crescer, cercada por montanhas nevadas, da Cordilheira dos Andes e o mar no Canal de Beagle, numa baia calma de água abrigadas para quem se arrisca a vir pelo mar.
Que afinal pode ser uma boa experiência, porque Ushuaia, na antiga língua indígena local, significa baia protegida.
A temperatura média da região é de 4,7 graus. Oscilando de julho a janeiro de 0,5 a 10 graus. Também espere chuva/neve em pleno verão.
Muito bem agasalhado você pode sair para caminhar pelas ruas e ladeiras da cidade. O vento constante uiva, querendo descobrir seus segredos, e a neve nas montanhas bem próximas, nos dá a impressão de que realmente aqui é o fim do mundo.
Mas que nada, a cidade é colorida, movimentada, gente de todas as idades, dias longos e com algum sol no verão, embora sempre seja frio.
Lembro-me de ter visto uma noite da janela do meu quarto o sol se pondo, tingindo as montanhas brancas de amarelo e vermelho. E já era passava da meia noite.
O que fazer na cidade? Museus para visitar, um Parque Nacional que possui uma linha de trem que percorre as montanhas nevadas dos Andes, com direito a um carimbo no passaporte escrito ‘ Fim do Mundo’.
Praticar atividades como: ciclismo, trekking, canoísmo, pesca, esquiar na neve, passeios de barcos, em ilhas no Canal de Beagle e no Farol do Fim do mundo. E para os mais corajosos até o Cabo Horn ou mesmo na Antártica.
Muitas lojas especializadas em roupas de esportes de inverno, agasalhos em couros, souvenir, eletrônicos. Seu povo é hospitaleiro e gosta de conversar, mesmo que você não fale o espanhol com desenvoltura.
A gastronomia no Ushuaia é outro atrativo, prove as centollas, uma espécie de caranguejo gigante delicioso, mariscos de todas as cores, sabores e tamanhos, o famoso cordeiro assado da Patagônia e naturalmente um vinho argentino de boa qualidade para acompanhar tudo isso.
Cafés e bares, chocolates e sorvetes são outras delicias que vai encontrar, e sim lá mesmo fazendo 5 graus todos tomam sorvetes.
Vir para esse destino é sair do lugar comum dos guias de viagens, tudo bem que não é fácil de chegar nem se adaptar ao frio nas ruas, mas é inesquecível.
É uma cidade e um mar que vai ficar em cada poro do seu corpo, guardado no cantinho mais quente da sua alma. Comigo aconteceu isso. A minha partida foi assim:
No dia anterior à partida, a baia era um espelho, o vento diminuiu tanto que estava quase quente. O entardecer que durou horas. De madrugada vi pela janela um céu ainda claro no horizonte a oeste.
Na manhã seguinte, foi a despedida fria do Ushuaia, fortes ventos, frio de 4°C e um céu ameaçadoramente negro, depois de poucos quilômetros, o céu desabou em lágrimas de flocos de neve, as árvores e o acostamento ficaram brancos, cobertos da neve fria, na triste despedida da Terra del Fuego.
Quanto estiver para ir embora você já terá vontade de voltar e antes da primeira curva, nas montanhas nevadas, logo quando a cidade desaparecerá da sua vista, fará uma promessa ,em voz baixa, dizendo que voltará numa outra estação para viver as outras cores e sabores do Fin del Mundo.

Como chegar: De avião vôos somente de dentro da Argentina, não tem vôos internacionais, já pelo mar tem várias empresas de navios de cruzeiro que fazem paradas no porto de Ushuaia.
De ônibus: têm linhas que vem de muitas cidades da Argentina, no inverno algumas estradas costumam ficarem interditadas por longos períodos.
De moto ou carro é tranquilo, as estradas estão em bons estados, tem ainda pedágios e boa sinalização, poucos postos de combustíveis, lembrando sempre que, é bom se informar do horário do Ferryboat para fazer a travessia do Estreito de Magalhães e entrar na Ilha Terra do Fogo.
De bicicleta, e vi vários ciclistas pedalando pela Patagônia, é preciso muita força nessa hora, porque o vento é cruel e incansável.

Dicas: Bom humor e muita força de vontade para sair da cama de manhã, luvas, meias, gorros, cachecol, casacos, sapatos confortáveis, de preferência tudo impermeável e mais todos os agasalhos de casa, amigos e vizinhos.
Embora por causa do MERCOSUL nós brasileiros não precisamos de passaporte para entrar e circular pela Argentina - basta à carteira de identidade com menos de 10 anos - existe a burocracia das alfândegas chilena e argentina para quem viaja por via terrestre.
Viajando pela Patagônia até ao Ushuaia na Argentina, deve-se passar antes pelo Chile. Então para entrar na Argentina e Chile o passaporte (se tiver naturalmente) e todos os documentos e seguro do veículo em ordem, facilitam e agilizam essa formalidade nas fronteiras.
O bom do frio é que consumimos grandes quantidades chocolates sem dor na consciência.
Bons ventos sempre e aproveitem a viagem.

Artigo publicado na Revista on line Osorio Shopping

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Quanto demora?

 

Demora o tanto que custa, o tempo suspenso da vida alheia.

ENTENDA O ESCORAMENTO  ( fonte Jornal Estado de Minas)

Carga total
O Vale dos Buritis tem 22 pilares, sendo que cinco deles suportam maior parte da carga. O mais sobrecarregado sustenta 70 toneladas. Para o escoramento, toras de madeira são colocadas em torno dos pilares e funcionam como uma espécie de muleta, para agir em caso de colapso da estrutura de concreto. Ao todo, devem ser usadas 424 toras de eucalipto.
Base
Do solo à garagem, serão empregadas toras com 15cm de diâmetro. Cada peça suporta quatro toneladas. Elas serão posicionadas a cada 30cm. A previsão é de que o trabalho termine no domingo.
Moradias
Nos apartamentos, serão usadas escoras de 10cm de diâmetro, posicionadas paralelamente às paredes, onde estão os pilares. Essa etapa será cumprida a partir de segunda-feira, com previsão de terminar até o fim da próxima semana.

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Leia mais aqui no Jornal o Tempo e aqui no Jornal Estado de Minas

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Dias assim

 

 

calvin

Como ontem ou  hoje…

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Empurra- Empurra

 
 
Jornal Estado de Minas - 03/11/2011
"A situação doa imóveis interditados no Bairro Buritis parece longe de uma solução e tal fato só comprova o abandono em que se encontram os moradores dos prédios.
Retirados de seus apartamentos, obrigados a pagar hospedagem em hotéis ou alojados em casas de amigos, eles estão no meio de um jogo de empurra entre órgãos oficiais e as construtora, o que só agrava o problema. O pior é que, a julgar pelo o que ocorreu no caso do Edifício Ágata, no Anchieta, em abril de 2010, os proprietários dos apartamentos serão os únicos prejudicados.
É no mínimo injusto e preocupante ver a repetição desse drama."
Álvaro Fraga

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Golfinhos

 

Um dia muito cedo,
mas cedo de verdade
quase madrugada,
fui acordada muito delicadamente,
só pra ver que estava nevando,
minha primeira neve.
É mais ou menos igual
quando navegamos
e acordamos todos  a bordo
só para ver os golfinhos que apareceram no nosso turno!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Os danos só aumentam


Na reportagem clic aqui o que vemos são imagens do lar da minha irmã e dos meus sobrinhos, de amigos e suas famílias, não dá pra ficar calada, temos que denunciar esse tipo de empresa, compartilhando todas essas reportagens para que outras pessoas  também não tenham que passar por essa perda e dor.As famílias desalojadas do Prédio interditado pela Defesa Civil, Vale dos Buritis, continuam sem abrigo, sem um teto, por causa da omissão da empresa irresponsável
 Estrutura Engenharia e Construção LTDA.
Gostaria de saber como estão conseguindo dormir os proprietários da construtora, com o conhecimento de que todas essas 19 pessoas estão sem casa, e perderam tudo o que conquistaram ao longo dos anos, com seus trabalhos e esforços.
E não estou falando só os bens matérias, esses tem números e medidas o prejuízo é matemático. Porque  o que tem dentro de seus lares são suas histórias e seu passado, nas fotos das crianças crescendo felizes, nos seus objetos pessoais que representam cada momentos de suas vidas.

Durmam em paz construtores, se as suas consciências assim permitirem.

 

Prédio interditado em Belo Horizonte

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Da serie: a vida não é curta, é breve

 

“‎Lembrar que estarei morto em breve
é a ferramenta mais importante que já encontrei
para me ajudar a tomar grandes decisões.
Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar -
caem diante da morte,
deixando apenas o que é mais importante.
Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira,
que eu conheço, para evitar a armadilha
de pensar que você tem algo a perder.
Você já está nu.
Não há razão para não seguir seu coração.”
Steve Jobs

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Compromisso em Denunciar e Informar

 

Sobre o prédio do Buritis e a empresa que o construiu
ESTRUTURA ENGENHARIA CONSTRUÇÃO LTDA

Jornal Estado de Minas

 

Construtora terá de começar obras de reestruturação em prédio interditado em 24h Moradores do edifício localizado no Bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte, foram retirados de casa por causa do risco de desabamento.

João Henrique do Vale -

Publicação: 24/10/2011 19:29
Atualização: 24/10/2011 19:55

 (Jair Amaral/EM/D.A.Press)

A Justiça deu prazo de 24h para a empresa Estrutura Engenharia e Construção Limitada fazer obras de reestruturação no edifício interditado pela Defesa Civil nesse sábado, no Bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte.  Todos os moradores tiveram que deixar o local devido ao risco de desmoronamento. A medida foi determinada pelo juiz Alexandre Quintino Santiago, da 16ª Vara Cível de Belo Horizonte, como antecipação de tutela requerida por moradores do edifício, devido ao aumento das rachaduras na estrutura do imóvel, causado pela chuva que atingiu a capital mineira na última semana.

Construtora terá de começar obras de reestruturação em prédio interditado em 24h

O prédio, construído em 1995, já havia apresentado trincas e rachaduras um ano após ficar pronto. Os moradores procuraram a construtora, que afirmou que elas eram resultado de acomodação natural de terreno, fato considerado normal pela empresa. A construtora se comprometeu a fazer intervenções que resolveriam o problema.
De acordo com a Defesa Civil, o prédio foi vistoriado no ano passado e as famílias haviam sido notificadas sobre os problemas estruturais. Depois da fiscalização de 2010, moradores informaram que foi feito um reforço na fundação do prédio, mas a empresa abandonou as obras. Por causa disso, os moradores resolveram entrar com uma ação requerendo indenização por danos materiais e morais e antecipação de tutela para continuidade das obras. Na ocasião, o pedido foi indeferido “momentaneamente”.
Ao analisar o novo pedido do condomínio, o juiz Alexandre Quintino considerou “fatos novos” ocorridos no fim de semana, que causaram o aumento das trincas na estrutura e, consequentemente, o risco para os moradores, uma vez que o prédio tornou-se “impróprio para habitação”, segundo laudo da Defesa Civil. O magistrado também determinou que o perito, já indicado para avaliar os danos ao imóvel, dê continuidade aos trabalhos de verificação, bem como fiscalize e auxilie a obra de reestruturação do prédio.

O sonho da casa própria


Todo mundo que eu conheço tem esse sonho,
esse desejo de segurança para um futuro tranquilo.
Então antes de realizar esse sonho,
procure  conhecer todos os prédios construídos pela construtora escolhida e converse com os moradores,
saiba o nível de satisfação e indignação dos proprietários.
Senão pode acontecer com você o mesmo que aconteceu com minha irmã, depois de uma vida inteira trabalhada para realizar o seu sonho…
Ah! A referida construtora responsável pela obra, não se dignou a dar esclarecimentos, então ai vai o nome dela (clica no link para visitar o site) pra ficar na sua lista de empresas que não são confiáveis.
ESTRUTURA ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO LTDA
RUA MARECHAL FOCH, 41,
BAIRRO NOVA GRANADA,
BELO HORIZONTE – MINAS GERAIS
FONE: (31) 3371-0777

 
estruturaengenharia e construção ltda

e.m

Veja a reportagem a abaixo:
http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2011/10/defesa-civil-interdita-dois-edificios-na-zona-sul-de-belo-horizonte.html
Isso já aconteceu no Rio de Janeiro, Florianópolis, Recife.
Tá na hora de denunciar nos meios de comunicação, e não só na nossa lenta justiça brasileira.
É preciso criar uma lista pública desse tipo de empresas .

COMUNICADO URGENTE:


Queridos amigos, no último sábado dia 22/10, eu, meus filhos e todos os moradores do Edifício Vale dos Buritis, situado à Rua Laura Soares Carneiro, 211, Bairro Buritis, fomos obrigados a deixar nossos lares portanto somente objetos pessoais, por ordem da Defesa Civil, sob risco de desabamento. Já há algum tempo observamos rachaduras e problemas estruturais em nosso prédio, prontamente acionamos a construtora: ESTRUTURA ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO LTDA., situada à MARECHAL FOCH, 41, BAIRRO NOVA GRANADA, FONE: (031) 3371-0777, que infelizmente se eximiu de qualquer responsabilidade, alegando já ter passado os anos de garantia, diante disso , nós moradores, tomamos todas as providências cabíveis, acionamos a Defesa Civil, Copasa e peritos, decidimos então há mais ou menos 2 anos, entrar na justiça contra a ESTRUTURA ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO LTDA., e esse processo tem vindo como a justiça brasileira permite...Os problemas se agravaram com a construção de vários prédios na rua e adjacências e com as chuvas das últimas semanas a situação se agravou assustadoramente.
As reportagens sobre esse fato foi veiculada em diversos meios de comunicação, onde vocês podem pesquisar.
Desejo, através desta mensagem, que o maior número de pessoas possíveis, tomem conhecimento do mau caratismo e indiferença com que os proprietários da referida construtora, tem agido.
Amigos, estamos bem fisicamente graças à Deus! Agora as cabecinhas e os corações...não sei!
Gostaria de agradecer à Defesa Civil que prontamente nos atendeu quando resolvi ligar e providenciou nossa remoção com segurança, queria agradecer também aos parentes e amigos que nos receberam em seus lares.
Esperamos em breve retomar nossas vidas e retornar com as nossas atividades!
POR FAVOR COMPARTILHEM!!!

Essas são as palavras da minha irmã.

e.m     

o tempo

hoje em dia

http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=133122

http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2011/10/22/interna_gerais,257567/predio-e-interditado-por-risco-de-desabamento-no-buritis.shtml
http://www.hojeemdia.com.br/minas/chuva-ameaca-mais-um-predio-residencial-do-bairro-buritis-1.359021

http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/10/predio-com-risco-de-desabamento-e-interditado-em-bh.html

 

eu estou sem palavras

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

‘É com esse que eu vou’

 

 

1- ( )

uma brincadeira

 

2 - ( )

 

3- ( X )

um italiano

 

4 - ( )


um frances

 

5- ( )

outro  italiano

 

6 - ( )

velho italiano

 

7- ( )

um alemão

 

8- ( )

um carrinho



Numa viagem pela Itália, Mateus e eu alugamos um carrinho bem pequeno para as nossas andanças.
Copiando a ideia do meu amigo Hélio Viana, quem acertar ganha um passeio de dingue sob as chuvas de primavera..
Agora é só escolher o carro certo, e deixar sua resposta nos comentários!!

* 13/12/11
Chegou ao fim! a resposta certa é o numero 3 e já tem um vencedor, ops, vencedora!!

domingo, 9 de outubro de 2011

BAHIA ECO CHARTER

 

Eu sempre disse e ainda acredito nisso, que o que esta na internet é público, mas por delicadeza quando repassamos informações é de bom tom citar a fonte ou quando copiamos fotos dar os devidos créditos, não custa nada !!!
Até agora eu fui educada, escrevi  um e-mail, pedi para colocar os créditos das minhas fotos, fiz brincadeira  e levei na boa, mas chegou no limite.
O site
www.bahiaecocharter.com.br  e o perfil do Facebook BAHIA ECO CHARTER tem  fotos roubadas descaradamente, todas da mesma página, do meu site
www.veleiro.net/aquarela/Textos/fotosbahia.htm
sem os devidos créditos de autoria.
Vamos lá não quero direitos autorais nem vender fotos, quero só respeito com o meu trabalho e minha arte. Acredito que a empresa que
" pega", sem pedir ou informar das intenções, fotos de autorias conhecidas para fazer publicidade do seu " trabalho", é pouco confiável, nada profissional, e de idoneidade suspeitável. Se faz isso para divulgar seu serviços.
Se fosse para um blog de pessoa física, para ilustrar uma história, eu nem ia me importar, mas uma empresa que visa ter LUCROS e não se digna a avisar o proprietário das fotos – que sabe muito bem quem é -  que rouba, é na minha opinião e da minha advogada mais que má fé; então comunico publicamente que a partir desse momento a minha advogada, tomara as devidas providências legais.
” Vamos tomar as devidas providências...Até hoje recebi da minha prima que a UFSC vai organizar um congresso sobre Direito Autoral, e me lembrei desta historia. Tira print das tuas fotos no site deles, primeiro de tudo. E vou escrever uma notificação extrajudicial para eles, para começarmos a historia.” – Dra. Ângela Humeres.

Prova anexada!


BECharter

Demorei para escrever esse post, porque no fundo eu esperava sinceramente que a empresa que roubou minhas fotos, para colocar no seu site – www.bahiaecocharter.com.br
e perfil do Facebook – BAHIA ECO CHARTER -
teria a coragem de responder o meu email se desculpando e dando crédito às minhas fotos.
Mas que nada, a proprietária Sra. Cristina Pedrosa, não só não respondeu meu email, como só retirou  uma das  minhas fotos do seu perfil, que aliás era devia considerar muito bonita porque a usava como avatar.
Concordo que a minha  foto é bonita!
sfranciscoparag (39)

E provavelmente, depois de ver as minhas muitas reclamações no Facebook retirou mais 3 fotos minhas do seu perfil, mas como quem rouba se esquece de quem roubou ou oque e quanto roubou, no site da empresa BAHIAECOCHARTER continuam minhas fotos por lá.
Estou mais que indignada, estou decepcionada com a falta de caráter, honestidade e educação.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Encontre Venezia

 

 

venezia (48)

 

Por tantos anos estive tão perto dessa cidade e tão longe, ao mesmo tempo. Somente agora depois de nove anos cheguei a Veneza. Depois de todas as fotos que vi, guias que li, de gente falando bem e mal, quando desembarquei em Veneza foi amor a primeira vista.
Férias é assim nos deixa com vontade de não voltar mais pra casa, de viver aquele momento pra sempre.
É uma cidade (ilhas) sem carros, de casas dividindo suas paredes com o mar, um leve abandono, devido à idade avançada, nas casas da gente comum.
As flores e as roupas penduradas do lado de fora das janelas, os entregadores, carteiros, prestadores de serviço, lixeiros, tudo funciona e caminha sobre as águas.
Aqui os nativos não são obesos, para ir a qualquer lugar, fazer compras, escola ou ir trabalhar, tem que caminhar muito, subir e descer pontes, a vida é a pé.
Ruas, becos, sottopasso, vielas, todos tem nomes e histórias. Um bom mapa ajuda a achar o caminho de volta. Existem muitos roteiros: o das pontes, dos castelos, das igrejas, dos museus pra conhecer, reserve pra isso o tempo proporcional à importância que você dá a essas atividades, e não porque os guias dizem que é visita obrigatória.
Depois o resto do seu tempo que dispõe aqui, caminhe sem rumo, sem mapa, sem destino, encontre uma ponte, escolha um banco de praça e viva seus momentos de tranquilidade ao entardecer, saboreie um tiramisù - um doce de café cujo nome quer dizer “me levanta”- às margens do grande canal, ande por onde vivem os nativos, vá às restaurantes dos locais, você comerá bem e num preço bem honesto.
Em Veneza o sorriso é coisa fácil, todos parecem felizes, se vê casais enamorados por todos os lados, deve ser a cidade mais procurada para lua de mel.
Mas se estiver só, não se preocupe a cidade tem muito para oferecer . Eu por exemplo, fico horas observando as pessoas passarem, seus sotaques, a dança dos gondoleiros equilibrando-se ao remar de um lado só.
E por falar em gôndolas naturalmente, o passeio de gôndolas é o ápice, se é pagar mico de turista, pague (não é barato), a cidade de dentro d’água é ainda mais linda e romântica, e ir a Veneza e não andar de gôndola é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa.
A vida aqui pode ser tranquila, não tem roubo (esqueci meu guia num comércio, voltei pra buscar depois de horas e estava no mesmo lugar que deixei ), nem violência.
Para a costumar com tanto turista, é só fazer como os venezianos criar uma vida paralela, com seu dialeto, com seus segredos e particularidades, como as crianças de patinetes, os jovens com ares de proprietários do pedaço, protegendo-se de tanta gente.
Mas não se ofenda, turista, a cidade vive do turismo e tem plena consciência disso, farão você se sentir muito bem acolhido. Para pedir informação, se você falar italiano, é um momento de diversão, principalmente se tiverem mais de dois nativos, eles vão ficar dissertando qual o melhor caminho e como chegar lá, um tentará convencer o outro que do seu jeito é melhor.
Nisso já está pensando que esqueceram de você, mas não se preocupe chegarão a um acordo e depois com um sorriso explicarão como chegar aonde quer ir. Mas não diga o que planeja fazer, senão a conversa não terá fim.
De um modo geral no comércio encontrará gente bem informada e que falam muitas línguas, menos o português é claro. Mas sabem muitas coisas sobre o Brasil, além do futebol é claro.
Se é caro? Não mais caro que Roma ou Florença. Se é turística?  Sim tem centenas deles caminhando pelas ruas, nas gôndolas e nos pontos turísticos. Mas saindo do lugar comum pode encontrar cantinhos agradáveis, ângulos perfeitos como num cartão postal.
Se chove, não mais que o lugar onde moro (Angra dos Reis) na primavera, se tem mal cheiro para ser sincera não senti nada mais que o odor das algas na maré baixa.
Os passeios pelas ilhas vizinhas como Murano, famosa pelos trabalhos em vidros, Burano uma ilha de pescadores e ainda Lido de Venezia que são as praias e onde acontece o Festival de Cinema e a Bienal, valem à pena fazer todos se tiver tempo, e basta meia jornada, pra cada um, para conhecê-lo.
Minha máscara já esta reservada para uma próxima viagem que será no inverno para o carnaval veneziano.
Veneza é um lugar para se perder e assim descobrir suas belezas, no labirinto dos seus canais, no charme do seu passado.

Como chegar: De avião tem um aeroporto perto, no continente, que oferece um serviço de transporte marítimo a um preço de 6,50 euros até Veneza – se tiver mais que uma mala por pessoa costumam cobrar o dobro.
De trem: tem linhas de todas as grandes cidades italianas, a Estação Santa Lucia de Venezia é dentro da ilha é só caminhar para onde quiser ir. Os serviços de transporte marítimos, são eficientes, tem muitas paradas com as informações do horário e as rotas. De carro pode deixar no estacionamento depois da ponte, já na primeira ilha, também com preço mais alto do que se deixar no continente e pegar um ônibus (1,30 euros) para ir até Veneza que são 20 minutos no máximo. Todos os bilhetes, de barco ou ônibus podem ser comprados nas bilheterias da Piazza Roma ou nas tabacarias.
Se organize e compre antes, lembre-se de validar antes de entrar, se deixar pra comprar já dentro do veículo custa mais caro. Taxiboat para o aeroporto custa em torno de 50 euros por pessoa.

Dica: Leve pouca bagagem, mala de rodinhas de preferência; lembre-se que não existe carro nas ilhas, você terá que carregar sua bagagem pra cima e pra baixo (existe um serviço de carregador – negocie o preço antes, mas será sempre caro - mínimo de 30 euros dependendo da distância).
Leve sapatos confortáveis para as horas de caminhadas e roupa adequada para a época do ano que for viajar.
Lembre-se que de novembro a abril parte da cidade fica inundada por poucas horas alguns dias por causa das grandes marés de lua. Assim como também acontece em Paraty no Brasil.
Se couber no seu bolso, fique hospedado em Veneza para não ter o limite dos horários dos transportes para a volta; senão têm outras centenas de opções, no continente, Mestre, Fusina, Padova, Vicenza. Todos esses lugares tem acesso fácil, diariamente e perto para as ilhas.
Existem muitos guias bons sobre Veneza, estude os mapas e site da cidade. Qualquer outra dica pode escrever para a coluna Prazer em conhecer.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Noronha para os íntimos


Sancho004
Em homenagem à REFENO escrevi sobre Noronha, na revista de turismo Shopping Osorio.


Eis um lugar que nos faz sonhar... Mesmo antes de visitar essa ilha, ela já fazia parte do meu imaginário. Sabe aquele lugar que nos faz querer largar tudo e fugir para o paraíso? Esse lugar, pra mim, é Fernando de Noronha.
Pude realizar esse sonho de um jeito especial, quando cheguei a Noronha, pela primeira vez, foi pelo mar, depois de navegar trezentas milhas náuticas, num veloz trimarã, em 22 horas com o vento certo, num mar azul e quente. Foi na famosa Regata Internacional Recife – Noronha.
Desde a chegada, na Baia de Santo Antônio, onde ancoramos, pude perceber que Noronha era muito mais do que eu imaginava: já ali no porto, mesmo com todo trânsito de barcos, a água era transparente, com peixes e golfinhos fazendo a festa de boas vindas.
A melhor forma de conhecer a ilha é caminhando, apesar de alguns morros e do sol dessa latitude, que não tornam muita convidativa a atividade.
Já sabendo disso, a administração da ilha oferece serviço de ônibus, com acesso a quase todas as praias; também é possível o aluguel de um buggy. Com essa mão na roda, é mais fácil descobrir cada cantinho desse paraíso.
A minha praia predileta é a do Sancho, cuja vista, lá do alto, é um cartão postal, e quando se pisa na areia, a surpresa é ainda melhor, há sempre golfinhos nadando muito próximos da gente.
Dali, sempre a pé (pra quem gosta de caminhar, naturalmente), pode-se passar de uma praia a outra com os pés nas águas claras e refrescantes do mar de Noronha, até chegar ao vilarejo.
Outra praia que exige destaque é a Cacimba do Padre, de onde se pode seguir andando até  Boldró, e também mergulhando no mar, até encontrar a praia do Cachorro, onde há uma bica de água doce pra quem quiser tirar o sal. Ali costuma ter luau nas areias e, um pouco mais acima,  pode colocar o esqueleto pra dançar no forró do Cachorro, que acontece praticamente todas as noites.
Outro programa imperdível é o famoso pôr do sol. Todo mundo para pra arrumar um lugarzinho e admirar o instante em que o sol toca o mar com delicadeza, uma experiência não só de tirar o fôlego e fotos, mas de colocar todos os outros entardeceres num lugar comum, porque aqui, de verdade, acontece o pôr do sol mais lindo que já vi.
Não vou ficar aqui repetindo o nome das praias, porque são lindas e vale a pena conhecê-las todas. Se eu conheço todas elas? Não, claro que não! Sempre deixo uma para a próxima visita à ilha.
Setembro é a época de seca, a vegetação não estará muito verde; já em dezembro e janeiro o vento muda, e as praias calmas do lado do continente transformam-se nas ondas perfeitas para o surf e seus campeonatos. Noronha tem ótima estrutura para mergulho, passeios de barcos e afins.
Mas, lembre-se: é uma ilha longe do continente e, por isso, há restrições de abastecimento, o que torna o preço um pouco mais alto. Ainda assim vale gastar um pouco mais para conhecer o lugar.
Ainda não perdi a conta de quantas vezes fui a Fernando de Noronha – tenho-as todas contabilizadas como viagens inesquecíveis – e quero voltar lá muitas outras vezes.
Como chegar: de avião, rápido e prático, vindo de Recife ou Natal; pelo mar, acontece todos os anos, em setembro, a REFENO - Regata Recife- Noronha. Procure no site do Cabanga Iate Club como se inscrever ou, ainda, como arrumar uma carona, ou um charter, para Noronha. Informações práticas podem ser encontradas na internet, no site oficial da ilha. Como é um parque ecológico, exige-se do visitante o pagamento de uma taxa de estadia, que, nos 4 primeiros dias, é razoável e, depois, tem seu valor aumentado em progressão geométrica.
Para ficar: há pousadas e hotéis para todos os gostos e bolsos, de zero a cinco estrelas.
Dicas: Leve repelente, protetor solar aos quilos, óculos escuros, bonés, blusas claras de manga comprida, chinelos, um tênis confortável para andar, maquina fotográfica, máscara, snorkel e nadadeiras.
Beba somente água mineral ou refrigerante sem gelo ou cerveja. A água da ilha não é de muito boa qualidade. Peixe assado na folha de bananeira é uma especialidade do lugar. Leve algum dinheiro, em notas pequenas, por favor, pois lá só existe uma agência bancária do Grupo Santander (Vai que é preciso pagar uma conta e você está em Fernando de Noronha!).

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

senza voglia di adio

 

venezia (192)


No último dia em Veneza, sai sem mapas,
sem planos, sem fotos.
O último passeio teve a impressão de eterno
O último sorvete de café  não era mais adocicado
O último spritz não refletiu os contornos do entardecer
A última música na praça era apenas triste
Despedir é tão ruim
que amarga a saudade previamente.
E a gôndola não me levou pra passear nas águas venezianas

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Existe

 

 

venezia (158)

Amor à primeira vista..
Claro, foi assim comigo,
quando cheguei em Venezia.
Há anos tento achar meu lugar no mundo
Existem vários paraísos que adoraria morar por um tempo
Mas  Venezia, quero morar já, sempre.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

In bocca al lupo



2011-09-16 13.14.28

A porta enfrente é da prefeitura de Lucca, onde realizam os casamentos, a porta aberta é de um lindo jardim  público.
O curioso é que havia uma velhinha (de verdade) numa bicicleta que parou aqui e começou a raspar seu bilhete da loteria, desejei boa sorte e ela me respondeu:
Venho aqui porque é um lugar que porta fortuna, as pessoas apaixonadas se casam aqui é isso traz sorte.
Sorrindo me disse que não ganhou nada, e saiu pedalando..

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

É pra lá que eu vou

 

filettino

 

Outro dia Mateus leu no G1 que na Itália uma pequena cidade de 598 habitantes se declarou Principato di Filettino, para obter sua independência do estado italiano, devidas as medidas de cortes de orçamentos tomadas pelo governo federal.
Já criaram e imprimiram sua própria moeda. O prefeito com isso conseguiu chamar a atenção da mídia internacional para sua pequena cidade, que fica a 100km de Roma.
Nós que estamos começando nossas férias não podíamos deixar passar essa oportunidade histórica!
Quem disse que é só no Brasil que tudo acaba em pizza?!
Se que saber mais sobre Filettino, leia o artigo do The New York Times via UOL e visite o site do Principado http://www.principatodifilettino.com/

 
Contrária a medidas do governo, cidade italiana quer virar principado independente

Elisabetta Povoledo
Filettino (Itália)
The New York Times

Quando o governo italiano anunciou, em meados de agosto, que obrigaria as cidades com menos de mil habitantes a se fundir com as cidades vizinhas como parte de um plano emergencial para cortar o orçamento, houve protestos estridentes por todo o país.

Evocando a história da Itália, uma nação forjada a partir de incontáveis cidades-Estado que protegem suas tradições locais, dialetos e diversidade, alguns dos prefeitos das 1.963 cidades afetadas pela medida “trancaram” as portas de suas cidades. Outras disseram que receberiam imigrantes da Líbia afetada pela guerra para aumentar sua população acima do marco dos mil habitantes.

O prefeito de Filettino tem aspirações maiores: ele quer que sua cidade nas colinas a leste de Roma – com 598 habitantes – se transforme num principado independente.

“Se é isso que é necessário para manter a autonomia da cidade e proteger seus recursos naturais”, disse o prefeito Luca Sellari, que foi eleito em maio. Além disso, acrescenta ele: “todos sonham em ser príncipes”.

Como é apropriado a um monarca, Sellari não perdeu tempo para correr atrás de seu sonho. O pretenso principado tem um brasão que agora aparece em tudo, desde camisetas (“que vendem muito”, disse Sellari) até um licor, o Amaro do Principado, que uma bartender local, Maria Cerrocchi, disse ser apenas uma garrafa de outro licor “com um rótulo fotocopiado colado em cima”.

Filettino até imprimiu sua própria moeda, o fiorito, que significa “florido” (“como a cidade irá florescer com sua nova natureza”, explicou o prefeito) e que remete ao florin, a moeda cunhada no século 13 em Florença. Se os fioritos se tornarem uma moeda legal (até agora eles são apenas souvenires), a taxa de câmbio deverá ser estabelecida em 2 para cada euro.

“Veja só, resolvemos o problema do debate público”, disse Enio Marfoli, que é conselheiro de cultura e oboísta em tempo integral e planeja escrever o hino nacional. Marfoli disse que já estava fazendo sua parte para ajudar o estado italiano a cortar as despesas administrativas: como conselheiro, ele trabalha de graça. “É basicamente trabalho voluntário”, disse.

Por toda a Itália, prefeitos de cidades pequenas estão irritados com o fato de o governo nacional ter escolhido cortar seus orçamentos relativamente insignificantes em vez de atacar temas grandes e politicamente delicados como aumentar a idade de aposentadoria do país.

“Você sabe quanto os prefeitos e conselheiros das cidades pequenas da Itália custam ao Estado?”, perguntou Franca Biglia, presidente da Associação Nacional de Cidades Pequenas, conhecida como ANPCI. A resposta: 5,8 milhões de euros, disse ela, quase o mesmo que o Parlamento baixo “paga por seus serviços de restaurante”.

Ela acrescentou: “nós trabalhamos como loucos, e eles querem cortar uma coisa que custa o mesmo que a cozinha do Parlamento. O que eles estão esperando? Que uma revolução estoure?”

O governo, ao que parece, pode estar alimentando ideias parecidas. Depois que os prefeitos da ANPCI protestaram em frente à câmara baixa na sexta-feira (26 de agosto), eles garantiram que suas preocupações seriam levadas em conta quando o Senado votasse sobre as medidas contra a crise no começo da semana.

Também há sinais de que o governo está amolecendo em outras frentes, como os cortes propostos a institutos de pesquisa com menos de 70 funcionários ou às províncias com menos de 300 mil habitantes. Notícias sugerem que essas duas medidas podem ter surgido do orçamento de emergência que foi adotado às pressas em 12 de agosto num esforço para acalmar os mercados financeiros e satisfazer o Banco Central Europeu, que estava pressionando a Itália para acelerar o trabalho de equilibrar seu orçamento.

(…)

Mas mesmo que a medida que obriga as pequenas cidades a se fundirem seja retirada, Sellari, o pretenso príncipe de Filettino, disse que levará adiante seus planos monárquicos. Ele deve se encontrar na segunda-feira com um dos advogados mais famosos da Itália para examinar o aspecto legal da secessão – os detalhes constitucionais que ele tem certeza que serão superados.

“Faz parte do lema do principado”, disse ele. “'Nec flector, nec frangor' – não vamos nos curvar nem quebrar no que diz respeito aos nossos planos.”

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Estou de malas prontas

 


Para outra viagem
Nos caminhos antigos
Nas velhas cidades,
Pela história e seus museus.
Pelo odores e sabores
da poética gastronomia italiana.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Quando setembro chegar

 

kalami  (2)

 

Já chegouuuuu!!
Vou arrumar as malas de novo
E partir  para a férias com Teus.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Mítica Ithaca

 

Sou muito suspeita para escrever sobre a Grécia, desde sempre fui apaixonada pela sua mitologia e sua história. Na Grécia a comunicação é fácil, em quase todo lugar se fala inglês, os gregos são divertido e sabe receber bem os turistas.

Um detalhe, as viúvas vestem preto pelo resto da vida, são muito bravas e pela tradição não podem falar com estranhos, por isso não estranhe se cumprimentá-las e receber um silêncio de volta. Mas a maioria dos gregos não é assim, ao contrário são um povo alegre e musical.

Tive uma experiência muito diferente na Grécia: uma noite na ilha de Kálamo, esperando na fila do telefone público, tinha uma senhora falando e um senhor grego antes de mim, que me perguntou de onde eu era. Quando respondi Brasil ele começou a falar as poucas palavras que ele lembrava em português, me contou emocionado meio em italiano e inglês, que tinha estado no Brasil há 40 anos por 6 vezes e  disse a tal palavra em português que quer dizer tudo: saudades.

Ele me puxou de lado pois era sua esposa ao telefone, para me contar que tinha deixado o melhor da vida dele no Brasil, o seu amor, uma garota que conheceu em Santos que trocaram correspondência por um tempo, depois a família da moça era contra o amor deles e não a deixou embarcar com ele para viver na Grécia. Pediu que eu falasse um pouco em português.

E com lágrimas nos olhos beijou minha mão, me deu seu amuleto, um pequeno cordão de contas que eles dizem que é anti-stress e um passatempo. Não tive como recusar. Agradeci: efikasristo, em grego por delicadeza. Me ainda disse que era ele que agradecia porque eu que tinha lhe devolvido a lembrança de uma fase bonita de sua vida.

Não sei seu nome, estive nessa ilha somente 10 horas. Nos folhetos turísticos dizem que é uma reserva florestal e a chamam de ilha do amor. Naquela noite, conversando na fila do telefone, fiz alguém se recordar que está vivo, que o que vivemos é o que vale a pena, nosso tesouro são as lembranças. Fui embora sem conseguir falar ao telefone com o Brasil e também com saudades.

A Grécia tem milhares de ilhas, escolhi vou falar sobre Ithaca, minha ilha predileta, já visitei umas cinco vezes sempre de barco e não me canso dela, é umas das três mil ilhas gregas e fica no Mar Iônico.

A capital e o porto principal, onde chega o ferryboat - única forma se locomover entre a maioria das ilhas é pelo mar - é  Vathi  uma baia muito abrigada, onde não se vê mar aberto, a noite costuma soprar um vento agradável e a ancoragem é tranquila e sem ondas. A cidade é toda montanha acima, as casas tem lareiras, mas na primavera e verão Ithaca tem um clima agradável. Na montanha mais alta, bem lá em cima tem um mosteiro, com uma vista de tirar o fôlego, onde se pode ver os dois lados da ilha.

Vivem em Ithaca 3000 habitantes o ano todo lá, na alta estação a população aumenta, os jovens voltam pra casa por causa do trabalho com o turismo. E no outono/inverno voltam todos para Atenas pra trabalhar ou estudar na cidade grande.

Existem diversas baias onde se pode trocar de lugar todo dia sem repetir. Kioni é um lugarejo de duas ruas, com casas construídas nas encostas, cheia de oliveiras, artesanato em ouro e vidro, restaurantes especializados em peixes e frutos do mar. E naturalmente praias de água transparente, muito limpa, sem ondas e desertas.

A praia que mais gosto é Pera Pigadhi, tem uma ilhota enfrente com o mesmo nome, o mar é azul turquesa. É uma praia típica do mediterrâneo, de pedrinhas redondas e brancas, de extensão pequena, as montanhas descem verticalmente até a faixa de pedras, não tem acesso por terra por isso está quase sempre vazia.

Ali perto, caminhando por mais de uma hora, morro acima, tem a nascente d’água, que dizem é a fonte da juventude.

A outra praia legal e cheia de histórias é a praia de Ulisses onde vivia Penélope que tecia uma peça no seu tear de dia e o desmanchava durante a noite a espera de seu Ulisses, segundo reza a lenda.

Ok, vou parar de falar de Ithaca para deixar o prazer de conhecê-la à quem quiser viajar pelos mares azuis gregos.

Como chegar: De avião para a Itália e em Bari ou Brindisi pegar o Ferryboat para Ithaca, geralmente faz várias escalas, a nave saí a noite e demora umas 9h de navegação por isso é bom comprar uma cabine para ir dormindo. Ou então de avião de Atenas (e outras cidades da Europa) para Corfu ou Zante e de lá pegar o transporte marítimo por poucas horas.

Dica: Experimente de tudo da cozinha grega, que é muito boa, o destaque fica para os maravilhosos iogurtes grego, Saganaki que é queijo feta frito, e a mais popular de todas a Pitagiros uma espécie de pão redondo frito no azeite grego, com carnes de porco, carneiro, frango, tomate, cebola, batata frita e tzazik (molho a base de iogurte) tudo isso enrolado em formato de cone. E bom apetite!

 

Texto publicado no site http://osorioshopping.com.br/category/colunas/prazer-em-conhecer/

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Ouvi ontem

 

Ele acordava muito cedo para ir surfar, mas tinha uma mania de trancar o carro, travando a porta aberta e segurando a maçaneta  para travar sem precisar da chave.
O amigo dizia vc vai acabar trancando o carro com a chave dentro. Claro que no dia que tinha mais pressa isso aconteceu, teve que chamar um chaveiro pra abrir, e que fez o serviço em cinco minutos.
Mas esse é só o fato, legal mesmo foi o que aconteceu depois:
- e ai amigo quanto foi?
- 50
- o que 50 pratas? Nem pensar que pago isso tudo.
Então ele pegou a chave e trancou o carro de volta com ela dentro.

sábado, 27 de agosto de 2011

Domenico Modugno


poglianno M (4)
Viagens de um único dia, reservam surpresas as vezes engraçadas. Para entender o que quero contar: esse ano a música tema foi Volare de D. Modugno, que se transformou na música predileta do Mateus.
Ele foi passear em  Polignanno a Mare a cidade do  cantor, havia uma excursão de idosos italianos, quando chegaram na estátua do cantor, um deles contando a história  do cantor começou a cantar e em segundos dezenas de velhinhos cantavam, alegres , com braços levantados:
Penso che un sogno così non ritorni mai più:
mi dipingevo le mani e la faccia di blu,
poi d’improvviso venivo dal vento rapito
e incominciavo a volare nel cielo infinito…
Volare… oh, oh!…
cantare… oh, oh, oh, oh!
nel blu, dipinto di blu, felice di stare lassù
Depois do espetáculo só um entardecer com a famosa especialidade da cidade: Gelato al café!!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Immagine Originaria


“Tutti dobbiamo imparare
che la nostra autenticità
se trova nel buio del nostro essere,
non riposa nel nostro lato visibile.
E quindi pìu raggioniamo,
pìu pensiamo su di noi,
e pìu ce ne allontaniamo.
Nessuno assomiglia minimamente
a quello che crede di essere..
L’attaccamento a un’idea di se stessi fa ammalare pìu di qualsiasi altra cosa al mondo.
Il credere di sapere chi siamo e dove dobiamo andare soffocala nostra autenticità.”
Raffaele Morelli

Versão em português by me:

Todos devemos aprender que a nossa
autenticidade
se encontra no lado escuro do nosso ser,
não descansa no nosso lado visível.
Logo  mais racionalizamos,
mais pensamos sobre nós mesmo,
mais nos distanciamos.
Ninguém se assemelha minimamente
aquilo que acredita ser...
O apego a uma ideia de si mesmo faz adoecer mais do que qualquer outra coisa no mundo.
A certeza de se saber quem é e onde deve andar
sufoca nossa autenticidade.
Raffaele Morelli

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Eu voltei agora pra ...

Um mes sem internet e
Centenas de livros
Faz sonhar
Faz viajar
E melhor ainda
faz querer muito mais...
Como arrumar as malas e seguir o destino do vento!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Deserto de Atacama

 

 

           A primeira vez que vi um salar fiquei sem palavras, talvez o que seja marcante é subir as altíssimas montanhas, ficar quase sem ar ao chegar no altiplano e dar de cara  com um enorme lago branco, numa extensão ‘blanca’ a perder de vista, quase uma miragem cercadas de montanhas ainda mais altas do que onde estamos.
          Por ali somente as lhamas e vicunhas circulam. Lagoas (quase secas), repletas de Flamingos, numa paisagem ainda mais bonita e impressionante. A natureza é exuberante e hostil.
          Meu destino? O lugar mais seco do mundo:  San Pedro de Atacama , Chile, de ruas estreitas de terra, onde o pó  é uma constante, o vento carrega além da terra vermelha uma areia fina,  a visibilidade quando está ventando é muito baixa.
           A vila é muito pequena com casas feitas de um tijolo de barro cru que são muito eficientes, durante o dia enquanto tem sol as casas são frescas e agradáveis ao escurecer elas são quentes e acolhedoras.
           Os restaurantes da cidade são para todos os gostos e bolsos. As frutas são irresistíveis, saborosas e com um odor inebriante. O povo chileno têm tradição e fama de receberem bem, por isso aproveite o lugar e sua hospitalidade.
            Os passeios podem ser feitos de bicicleta ou contratando alguma excursão nas dezenas de agencias de turismo. Se estiver de condução própria, um mapa, guias e uma visita às informações turísticas oficiais é o suficiente para organizar seu próprio roteiro. Visitei salares, o vale da lua, o vale da morte e as lagunas, lá tem o que fazer todos os dias e o dia todo se quiser, quatro dias para quem tem pouco tempo é o suficiente pra conhecer o deserto de Atacama.
             No alto na cordilheira, onde os picos das montanhas ainda estão com gelo mesmo quase no meio da primavera e depois da última subida, ao fazer a curva tome fôlego, você vai ver a Laguna Miscanti.
             Nessa hora fiquei imóvel, sem palavras por causa da beleza, do frio (o termômetro do carro marcava 3 graus), pela altitude de 4207 metros e pelo vento que não dava trégua.
              Detalhe: antes de sair para esse passeio, quando estava ainda na cidade, tinha muito sol e uma temperatura agradável, assim fui de bermuda e blusa de manga comprida, sem agasalho, foi o pior frio que eu já passei. A beleza e o impacto de ver esses lagos completamente azuis, quase violeta, no meio do deserto vermelho-terra, dos salares branco sujo, é uma tatuagem na alma e me fez esquecer o frio de bater queixo.
            O deserto, o salar, as lagunas, a areia, o cemitério indígena na beira do caminho, sem cruzes ou nomes, somente com pedras empilhadas, qualquer um desses detalhes, que mudam de cor conforme a luz do sol, ao amanhecer e ao entardecer,  e cujos nossos olhos não estavam acostumados, deixou sua marca na memória, nada foi ou será igual  a esse espetáculo de  exuberância  da natureza, desse lugar seco e frio, de sol todos os dia, que nunca chove e de muito vento.
             Depois do primeiro impacto da beleza estranha, o deserto quase sufoca, não pelo calor, frio, vento, sol, mas pela secura agressiva, hostil da poeira, que é a terceira margem da vida no deserto.
            Fui embora depois de cinco dias com saudade adiantada da delicadeza que antagonicamente só um deserto pode oferecer, ficou faltando conhecer o inverno branco desse lugar, que me aguarda numa outra vez.

        Como Chegar: de avião via Santiago / Calama, depois mais 1h30 de carro até San Pedro de Atacama, em Calama pode alugar um carro para ter mobilidade, ou pegar um ônibus que faz essa linha ou ainda o transfer da agencia de turismo contratada. Tem a opção ainda de ir de carro da Argentina partindo de Salta.

         Dica: Verão e inverno são altíssima temporada. Os preços sobem e é preciso reservas antecipada nos hotéis e pousadas. Estive na primavera e a cidade estava quase vazia, foi fácil achar uma boa pousada por um preço melhor ainda. Leve soro fisiológico para umedecer as narinas, colírio, protetor labial, manteiga de cacau, protetor solar, roupas para o calor do dia e o frio das noites.

 

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sábado, 30 de julho de 2011

Quebrada de Humahuaca

 

       

            O que mais gosto em viagens é maneira arrebatadora que os contrates das paisagens se apresentam a cada novo lugar. A Região da Quebrada de Humahuaca, na Cordilheira dos Andes, numa altitude de 2300 metros, norte da Argentina é um destino que oferece tudo isso.
            A  pequena e encantadora Tilcara é uma cidade de cores vivas, vento e frio seco, de poeira e árvores frutíferas nas ruas e praças, um povo de ancestrais indígenas - os povos originais - uma gente simpática e hospitaleira.
            A comida local segue a regra de toda a Argentina: carne de ótima qualidade, empanadas leves de todos os sabores, muito chá e o sempre presente dulce de leche.
Caminhar pelas ruas da pequena vila é ótimo programa, para ver as montanhas sem vegetação se colorem de matizes vermelhos ao entardecer. As casas de chá nos fins de tarde são um alento para se aquecer do frio depois dos passeios e jogar conversa fora.
            Já a cidade vizinha, Humahuaca, é um povoado indígena muito antigo, que habita essa região desde antes do homem branco chegar às Américas. É Patrimônio Histórico da Humanidade. Gente alegre,  colorida nas roupas, nas frutas, batatas, choclos (milhos), nas flores sempre vivas e no artesanato diferenciado.
            Emoldurando outro pequeno povoado indígena, na subida da cordilheira, vê-se   El Cerro de las Siete Colores, aqui tudo combina com os tons dos artesanatos locais e das montanhas que abraçam a vila de Purmamarca. Saindo dessa última cidadezinha e começando a subir a cordilheira tem a Cuesta de Lipan, uma estrada que leva para o Paso de Jama, a mais de 4100m de altitude, onde tem a passagem na Cordilheira dos Andes, entre Argentina e o Chile. É uma subida com centenas de curvas muito fechadas que serpenteiam as montanhas áridas e fascinantes, de todas as cores, do lado argentino da Cordilheira.
            Todos esses contrastes e belezas encontrei no caminho para meu destino, San Pedro de Atacama, mas sobre essa viagem conto da próxima vez.

        Como chegar: de avião ir para Salta, cidade mais próxima e capital da província, depois pode alugar um carro, contratar uma excursão (de um dia são mais ou menos 230 km) numa agência de turismo, ou ainda pegar um ônibus na rodoviária e seguir para lá se hospedando nas dezenas de pousadas e hotéis da região. Se estiver com tempo quatro dias está de bom tamanho para explorar a região. Outra opção é ir de carro desde o Brasil.
         Dica: Lá quase não chove, mas faz frio o ano todo. Verão e inverno são a alta temporada e espere encontrar preços mais altos (talvez precise de reservas nas pousadas). Na primavera a temperatura é bastante agradável e como é fora de temporada os preços são bem convidativos.


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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Destino a seguir

 

Tudo pronto para partir
Só a espera que se prolonga
Um detalhes que se atrasa
Tem um mar azul que espera
e um vento que sopra segredos
é hora de soltar as amaras
e nos deixar levar ao sabor dos deuses gregos.

sábado, 23 de julho de 2011

Procura-se Amigos de infância

 

 

 Da espquerda pra direita: Christina, Ralf, Carla, Junior, Humberto, Loraine, Chritian


Que brincaram no mar de bunda-lele,
de andar na linha do trem escondido dos pais,
de brincar de guerra de travesseiros a noite,
de chutar macumba de manhã na areia da praia,
de esconde-esconde,
de caçar ouro de cavalo para as plantas,
de ir pegar rã de noite no brejo,
de  caminhadas quilométricas
de brigas e choros, de risadas e histórias.
Para dizer que foi divertido!

Matera: viagens de um único dia

 

 

         Visitar a Itália é mergulhar em aromas e sabores que nos proporcionam verdadeiras viagens sensoriais, esse país oferece centenas de pequenas cidades fora do circuito turístico tradicional, escolhi conhecer Matera, pela sua arquitetura original e harmoniosa, pela sua gente simpática e seus hábitos saudáveis. A cozinha italiana é um capítulo a parte, que escreverei em outra oportunidade.
           No dia que fui pra Matera, acordei muito cedo, pois seria um passeio de um único dia, em Bari peguei o trem que tinha um aparada na parte nova da cidade, fazia um tempo nublado e um pouco frio quando desci na estação e caminhei pela cidade até os Sassis (que em português que dizer pedras), as casas - quase cavernas – são escavadas nas montanhas, igrejas rupestres e museus, tudo isso num labirinto de pedras, de estreitas ruelas, becos e escadas, num sobe e desce interminável, que mesmo sem mapas, se perdendo ou se deixando levar ao acaso, em cada ângulo encontra-se detalhes de uma beleza envolvente.
           É uma cidade muito antiga, sua origem é na pré-história, com casas que datam mais de nove séculos de existência e ainda hoje são habitadas, Patrimônio Cultural de Humanidade, localizada na Região da Basilicata, sul da Itália.
            Fiquei impressionada com a visão do vale divido por um rio, das centenas cavernas/casas, uma cidade incrivelmente exótica. O turismo e artesanato local apresentam bonitos trabalhos de esculturas e pinturas rupestres.
    No ar se sente um odor verde de mofo e musgos depois da chuva nas escadarias. As habitações, antigamente, eram em grutas, cavadas nas rochas vulcânicas, o que fez Matera ser conhecida como a “ cidade subterrânea ”, onde o ritmo do tempo é outro, segue a lentidão da tranqüilidade e da vida simples dos seus habitantes. Todos se conhecem, estão sempre do lado de fora de suas casas-cavernas, porque elas não tem janelas.
Quase na hora do almoço começou a chover muito, as ruelas e escadarias viraram cascatas de água da enxurrada, me abriguei num atelier de um velho artesão ficamos conversando sobre a chuva, sobre a arte e o tempo que segundo ele: “ em Matera o tempo parou para sempre “. Depois pra começar a contar casos sobre o presépio vivo, personalidades da cidade e lendas locais foi num instante, rimos muito, principalmente por causa do dialeto local que era difícil de falar, ele ainda dividiu comigo seu almoço, uma focaccia e vinho.

Contou-me sobre as guerras e lutas que o povo de Matera vivenciou ao longos de 900 anos de história, uma cidade tão bonita e perfeita que parece cenário de cinema, falou ainda dos personagens, atores, diretores e dos mais de 30 filmes que foram rodados nos Sassi , sendo o último, o mais famoso, A Paixão de Cristo do Mel Gibson.
            E o tempo que segundo a lenda aqui pára, passou muito rápido. A eternidade aqui caminha pelas ruas, passeia pelas casas incrustadas nas rochas, pelas vidas dos seus moradores. Tudo em Matera vive num tempo quase atemporal, porque nessa cidade não se contam os dias, mas as festas, os acontecimentos, as estações do ano, as colheitas.
Se puder passe a noite na cidade, quando for visitá-la, procure uma pousada ou albergue nos Sassi, na parte antiga e aproveite essa pequena viagem no tempo. Afinal viajar é nosso maior patrimônio e transporta a alma para além do   nosso pequeno universo.

Como chegar: Até Bari capital da Puglia, pode ser de trem ou avião, de lá para Matera existe uma linha de trem e ônibus.
Dica: Vá com sapatos confortáveis, para poder andar bastante, na região chove quase sempre por isso é bom levar um agasalho impermeável ou guarda-chuva, alias quase todas as lojas de souvenir vendem esse acessório.

 

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quarta-feira, 20 de julho de 2011

No Caminho

 

             Foi fazendo o Circuito da Estrada Real, que no caminho encontrei uma pequena vila no interior de Minas Gerais. O lugarejo chamava-se originalmente Cabeça de Boi, hoje atende pelo nome de Santana do Rio Preto, fica no meio das montanhas da Serra do Espinhaço, no município de Itambé do Mato Dentro, a 100 km de Belo Horizonte / MG.
              Se já localizou vou apresentar esse cantinho delicioso. Da estrada de asfalto tem uma saída de terra de 10 km, a chegada na vila já impressiona porque tem uma única rua de calçamento de pedras, uma praça, uma igrejinha, um telefone público, poucas casas e todos os morados se conhecem, embora pequeno o lugar tem boas pousadas, dizem que no verão e feriados fica lotado, a vila esta no alto de um morro e praticamente todo mundo têm vista para o vale, a charmosa pousada que fiquei tinha enorme banheiro com uma vista para o mar de montanhas da Serra do Espinhaço.
               A região é repleta de rios de águas transparentes e cachoeiras, trilhas para todos os gostos e níveis de dificuldade, um lugar perfeito para trekking, cavalgadas, montainbike, montanhismo ou simplesmente ficar de preguiça nas sombras das árvores e tomar banho de cachoeira. A mais bonita é a Cachoeira do Intancado, para chegar lá de carro saindo da vila, logo na primeira descida tem um ribeirão para atravessar, depois umas oito ou nove porteiras para abrir (cuidado para não deixar os bois fugirem), vai seguindo contornando os morros, acompanhando o rio, depois é só estacionar e seguir a pé uma trilha muito fácil e agradável por 10 minutos. E se encantar com as águas do Intancado, principalmente quando todo esse paraíso está lá só pra você.
           Uma outra característica das Minas Gerais é que toda pousada, hotel ou outra forma qualquer de hospedagem, nas diárias além do café da manhã tem o tradicional ‘passa lá’.
           No interior a gente tá sempre encontrando com amigos. Alias todo mundo conhece todo mundo. Na rua, no banco da praça, no mercadinho, na padaria. E conversa vai, conversa vem, na hora de despedir, um diz: - "Vai lá em casa. Passa lá”!!  
              Então o ‘passa lá’ não é convite para o almoço, nem para o jantar nem para um lanche, não tem hora certa, é só chegar pra tomar um café. Enquanto vai mantendo um dedo de prosa com a visita, côa um cafezinho, faz um chá. E pra não ficar café com língua,  se coloca o bolo na mesa, ou outros quitutes, não pode faltar também o queijo mineiro. E queijo nessa terra é coisa séria! Tem ainda os doces de leite e goiabada. As gostosuras em Cabeça de Boi são, pão caseiro com erva doce feito em forno de lenha e o melhor pão de queijo do planeta, receita da Bá, a chef de mãos de fada da Pousada Vila Ventura.
            Acabou não: tem ainda uma gente hospitaleira, que sempre tem tempo pra um dedo de prosa, pra contar casos e perguntar de onde veio, só por gentileza porque bom mesmo é ficar de papo pro ar.
          Dica: Leve roupas e sapatos confortáveis para caminhadas, agasalhos para as noites e se prepare para as muitas conversas e delícias da terra.

Texto publicado no site http://osorioshopping.com.br/estrada-real/